O que é o luto? Como lidamos com ele? Por que sentimos o que sentimos ao perder alguém que amamos? Como seguir com a vida frente a sentimentos tão intensos e confusos?
Diante de mitologias, filosofias e culturas tão variadas quanto a mexicana, a chinesa e a africana, entre outras, Renato Noguera se debruça sobre questionamentos relativos ao sentimento de perder alguém próximo e nos apresenta as mais diversas perspectivas acerca da morte, do luto, e de como nós, seres efêmeros vivendo na iminência da “desexistência”, lidamos com esses momentos.
Do gurufim realizado por sambistas brasileiros aos ritos hindus praticados na Índia, em O que é o luto conhecemos rituais de passagem, cerimônias de enterros e velórios, assim como processos de enlutamento praticados por diversas culturas, e como elas encaram o sofrimento, a tristeza, a frustração e o sentimento de perda. Neste livro, Noguera apresenta inúmeras maneiras de lidar com o luto, além de mostrar que a vida é feita de ciclos e que o fim chega para todos, tão naturalmente quanto o começo.
O início do livro foi muito interessante, depois Nogueira, ao passear por diversas culturas e religiões, demonstra certa superficialidade. Talvez tenha sido pretensioso tentar ser tão abrangente.
De qualquer forma, falar, ler e estudar sobre o luto em um sistema que quer nos afastar desses temas, é sempre muito bom.
É um ótimo livro. Traz de maneira introdutória como outras culturas se organizam em torno da morte e da vivência do luto. Deixou um gostinho de “seria massa poder ler isso de maneira aprofundada”.
A escrita de Noguera é muito organizada e simples. É super possível indicar para pessoas que estão passando por esse processo e que gostem de ler. Acredito inclusive que seja um dos objetivos dele ao escrever.
Muito importante colocar em xeque que a nossa forma de se relacionar com esses temas (e tantos outros) não é única (ainda que exista uma singularidade) e nem ‘natural’.
Mais uma vez, Roberto Noguera consegue apresentar ao público com conhecimento de causa, perspectivas que estão movidas pela história, por mitos e culturas sobre como estes comportam-se em relação a temática do luto. O autor percorre por culturas de várias partes do mundo para explicar como estas se manifestam. Um trabalho com muito referencial sólido e rico.
Um passeio interessante por como diferentes culturas e religiões lidam com a finitude da vida e com os ritos de funerais. Interessante pelo conhecimento que ajuda a lidar com as diferentes formas de perda, e com interessantes provocações acerca da perda por suicídio. Especialmente à conclusão me chamou a atenção por trazer uma perspectiva afro que destaca a amizade como ferramenta capaz de ajudar a superar essa fase difícil - grande parte das culturas aposta em apoio de uma comunidade em um momento de perda. A amizade, portanto, permitiria celebrar fraquezas - como o apego a alguém que precisou partir. Uma forma também de diversificar as cores dos autores que leio: Renato é doutor em filosofia e coordenador de estudos de pesquisas afroperspectivas. E é negro.