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Movimento 78
Ao participar de um acalorado debate presidencial, Seiji Kubo se sente cada vez mais nervoso. Não é possível aceitar as sugestões de seu assessor sem uma dose de dúvida, já que ele é, assim como seu adversário, uma inteligência artificial. No final do século XXI, Kubo luta com todas as forças para mostrar os perigos que um governo baseado em equações matemáticas pode acarretar.
Com um fluxo de prosa único e brutal, Flávio Izhaki nos devolve aos dias atuais para logo mergulhar na gênese da família Kubo, construindo um romance delicado que flerta com a distopia.
Movimento 78 parte de uma família no passado recente e no futuro próximo para esmiuçar como a vida da próxima geração será bem diferente da nossa.
Com um fluxo de prosa único e brutal, Flávio Izhaki nos devolve aos dias atuais para logo mergulhar na gênese da família Kubo, construindo um romance delicado que flerta com a distopia.
Movimento 78 parte de uma família no passado recente e no futuro próximo para esmiuçar como a vida da próxima geração será bem diferente da nossa.
184 pages, Paperback
Published May 23, 2022
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Community Reviews
Displaying 1 - 5 of 5 reviews
June 20, 2022
Uma distopia maravilhosa.
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September 7, 2022eu achei o seu discurso até bem interessante para um ser humano, mas ultrapassado. essa ideia de apelar para o coração é tão século xx.
October 6, 2022
Gostei muito, leitura rápida e fluida.
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December 30, 2024Por mais decepcionante que possa parecer para imaginações excitáveis, o antagonismo homem vs. máquina nunca foi além do conflito entre capital e trabalho. No fundo, ao sairmos malhando chats-robôs-escritores ou outra novidade da semana, apenas imitamos os ludditas do início do século XIX, que se ocupavam de arrebentar teares mecânicos em vez de tentarem expropriar o dono da fábrica — afinal, quem determina que seu trabalho está obsoleto é quem extrai o mais-valor, seja qual for a qualidade do seu substituto. E, em tempos de massacre dos de baixo pela violência econômica dos de cima, a eliminação do trabalho humano — ou, onde isso não é possível, a extinção das relações humanas no trabalho, como a imposição de condições brutais de exploração a motoristas e entregadores gerenciados por algoritmos de aplicativos —, a automação plena parece de fato se desenhar como a “Solução Final” para o problema da luta de classes.
O romance Movimento 78, de Flávio Izhaki, aborda habilmente esse embate — ainda que não nos termos colocados acima, claro. Em sua ficção especulativa, o ponto de tensão se concentra em um debate entre um humano e uma IA na disputa por uma instância de governança mundial no final do século XXI, mas o grande atrativo da trama é justamente a construção do histórico do debatedor até seu momento decisivo — com um pai vitimado por um experimento invasivo de relações trabalhistas e cuidados à saúde automatizados no fim dos anos 2010 e um tataravô sobrevivente da mais célebre “Solução Final” da história na II Guerra Mundial (passando inclusive por uma espécie de neoluddismo — o “sedolismo”, uma referência a Lee Sedol, que em uma partida de go conseguiu com um “movimento divino” provocar um glitch em seu oponente eletrônico). E, embora à primeira vista possa parecer que se trata de uma busca por uma reedição desse momento redentor, não estamos diante de um autor ingênuo: aqui também a relação entre ser humano e tecnologia é uma questão de poderio social e econômico, e a balança definitivamente também não pesa para o lado do mais fraco.
O romance Movimento 78, de Flávio Izhaki, aborda habilmente esse embate — ainda que não nos termos colocados acima, claro. Em sua ficção especulativa, o ponto de tensão se concentra em um debate entre um humano e uma IA na disputa por uma instância de governança mundial no final do século XXI, mas o grande atrativo da trama é justamente a construção do histórico do debatedor até seu momento decisivo — com um pai vitimado por um experimento invasivo de relações trabalhistas e cuidados à saúde automatizados no fim dos anos 2010 e um tataravô sobrevivente da mais célebre “Solução Final” da história na II Guerra Mundial (passando inclusive por uma espécie de neoluddismo — o “sedolismo”, uma referência a Lee Sedol, que em uma partida de go conseguiu com um “movimento divino” provocar um glitch em seu oponente eletrônico). E, embora à primeira vista possa parecer que se trata de uma busca por uma reedição desse momento redentor, não estamos diante de um autor ingênuo: aqui também a relação entre ser humano e tecnologia é uma questão de poderio social e econômico, e a balança definitivamente também não pesa para o lado do mais fraco.
April 20, 2023
O romance do carioca Flávio Izhaki é uma elegante obra literária que discute um tema bem atual: a relação do ser humano com as inteligências artificiais. O autor não pretende esgotar o assunto em seu texto lacunar. Na verdade, ele tenta se aprofundar na questão por meio de uma situação específica: uma eleição presidencial entre um homem e uma máquina, uma quase alegoria. Mas o que importa mesmo é examinarmos o contato diário que temos com as IAs. Capítulo a capítulo, numa estrutura não-linear instigante, somos expostos a acontecimentos que nos fazem refletir sobre nossa dependência/autonomia não só das máquinas, mas das próprias máquinas às diretrizes sociais do capitalismo.
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