Librarian note: Alternate cover edition of ISBN-13: 9789898944528, ISBN-10/ASIN: 9898944528
Nos anos 30 do sec XX, em Portugal, ainda era raro falar-se de psicanálise. Perseguido pela censura do Estado Novo, este debate tinha-se afastado do meio académico e científico, e era predominantemente feito por homens de letras e da espiritualidade, críticos de arte e artistas. Estes reagiam ao seu aparente exagero interpretativo, com o qual se pretendia descrever fenómenos subjectivos com um método ainda de inspiração positivista. A psicanálise pretendia dissecar o artista para depois compreender a obra, ou dissecar a obra para tentar achar «o temperamento do autor».
Neste diálogo, a psicanálise disseminou-se e ganhou protagonismo na sociedade, tornando-se mais influente nos debates sobre loucura, moralidade, criatividade, arte, literatura, educação e espiritualidade.
A presente obre, cheia de ironia e espirito crítico, é a mais paradigmática desse momento, e ocupa, portanto, um lugar de grande relevância na História da Psicanálise em Portugal.
«Leonardo ainda está a nossa disposição, ao dizer, Desconfiai dos autores, que pela sua imaginação querem constituir-se intérpretes da natureza e do homem... Onde Há liberdade, não há regras... e as boas regras são filhas da boa experiência, mãe das ciências e das artes»
Que achado. Brilhante na forma e no conteúdo. Ler um livro assim, quase anónimo embora desta qualidade, tem de nos dar humildade: quanta genialidade terá andado pelo mundo, longe dos nossos olhos?