Dez contos antológicos para serem apreciados com tranquilidade, na ordem proposta, fora de ordem, ou como se achar melhor. Preferencialmente em doses de 50 ml, no fim de tarde, mexendo o gelo do copo com o dedo.
São Zum zum e Mel; Madrugada de intenções; Bourbon com alecrim; Dragão enjaulado; Reino da Dinamarca; A entrega (para o bem maior); Eu, o Homem Pombo; Quadro de hotel; A vingança dos monópodes; O dia em que Murakami me visitou.
Li esse com uns bons dois anos de atraso, mas acabei lendo. É um bom livro, contos que gravitam em torno do fantástico. Aqui, o fantástico aparece em alguns contos como um elemento estrangeiro à realidade que a rasura e altera a rotina (caso de bourbon com alecrim, por exemplo), numa escola Murilo Rubião de análise da fragilidade da dita normalidade das coisas. Em outros, se impõe sorrateiramente como o novo normal (caso de quadro de hotel e zum zum e mel), lembrando algo mais no estilo dos contos do Flavio Cafiero.
Fato é que nenhuma das duas referências se reflete tanto como a do Haruki Murakami, que tem contos que estão nos dois lados. E na verdade é uma influência que faz bem pra esse livro, ainda que os contos acabem sendo um pouco formulaicos. De fato, são contos que caem muito bem em doses homeopáticas, o livro é tão divertido quanto um O Elefante Desaparece, ainda que não seja tão visceral quanto Sono.