Segundo Paulo César Alves, no artigo A teoria sociológica contemporânea, da superdeterminação pela teoria à historicidade , Hans Joas é um dos representantes das novas sociologias produzidas a partir da década de 1970. Mais especificamente, ele é tratado como representante da teoria da ação criativa. Em comum, as novas sociologias — entre elas, a própria teoria da ação criativa de Joas — têm sua nítida contraposição em relação à sociologia produzida entre 1940 e 1970, marcada pelo caráter nomotético e uni-paradigmático. Nesta onda multiparadigmática é que autores como Pearce, Mead e Dewey foram resgatados e serviram de inspiração para autores como Hans Joas. Às novas sociologias, interessa dar conta de questões antes negligenciadas — em favor de uma ciência positiva e institucionalizada —, como a historicidade e a criatividade da ação, tema da principal obra de Hans Joas.
Aqui, ele busca apontar uma tipologia que caracteriza as formas mais importantes sob as quais a idéia de criatividade apareceu e se tornou influente na história das ciências sociais. Para tanto, ele busca termos utilizados por outros autores que podem estar diretamente associados à noção de criatividade, ou seja, quer extrair de outros autores já conhecidos fontes para compreender a dimensão criativa da ação humana. As expressões que ele seleciona são: (i) expressão — do trabalho de Johann Gottfried Herder —, que circunscreve a criatividade em relação ao mundo subjetivo do ator; (ii) produção e (iii) revolução de Marx — sendo que produção está associado ao caráter objetivo da criatividade, enquanto que revolução diz respeito ao potencial da criatividade humana em relação a mudanças no mundo social; (iv) vida, retirada da filosofia da vida, em que criatividade aparece como algo mais profundo que a própria ação humana; e (v) inteligência, retirada do pragmatismo, referindo-se à possibilidade do indivíduo de auto-reconhecimento.
A idéia de Joas é sintetizar estas cinco idéias, de modo que, ao fim de seu trabalho, ele mostra como estes elementos devem ser reconsiderados e reestruturados a partir de uma nova conceituação de ação não apenas como produto da ação voluntária dos indivíduos, mas como prática incorporada e passível de uma certa estruturação. Essa nova leitura permite que as ações individuais estejam inscritas numa situação determinada e que sejam levadas à cabo através de uma incorporação perceptiva do mundo. Essa incorporação perceptiva é fruto de uma nova lógica do corpo e do desenvolvimento cognitivo dos atores como chave de análise de seus impulsos de ação e criação do mundo social. Assim, a noção de Joas é que a ação criativa não é completamente livre de estruturas objetivas, mas é uma ação que gera novas respostas às demandas sociais, estando inscrita, porém, num contexto dado. A criatividade, para Joas, está presente em toda e cada ação, de maneira latente, e vem à tona por meio de injunções de diversas oportunidades e pela necessidade individual de responder às situações apresentadas cotidianamente.