Mainá nasceu junto às rezadeiras e a uma santinha com sobrancelhas douradas, é filha de Argélia e afilhada de Julião. Faladeira e vidente, é Mainá quem conduz este romance, uma criança ao mesmo tempo antiga e futurista. Desde a primeira linha, Karina Buhr traz o que ela já oferta no palco, sua voz, seus tambores, suas letras, assim como as ilustrações, as crônicas e poesias, um corpo inteirinho devotado ao sublime. Mainá está irmanada à tradição oral, passa pelos cordéis, visita histórias de reinos e viajantes, amolece o asfalto do sul ao norte. Mainá é palavra, presença e canto.
A escrita de Karina Buhr é pura poesia. Mainá é uma criança de alma velha que nos fascina desde a primeira página. Seus devaneios e contações são pura magia. Adorei a forma como entidades das narrativas de religiões afro-brasileiras são representadas, de forma simbólica, nada óbvia. Também é muito bonito o trabalho de Buhr em ultrapassar os limites de gêneros literários, brincando com a composição da narrativa. Dei 4 estrelas porque, pessoalmente, algumas narrativas me deixaram cansada e perdida. Porém, principalmente falando da experiência com a palavra, é uma boa leitura!