O eloquente e messiânico Jorge Budapeste decide deixar Riobarbo, a sua terra natal, para cumprir os desígnios que tinha traçado para si mesmo, ainda antes de ter sido concebido pelos seus pais, Eduardo Budapeste e Carolina Perene. Mas a sua viagem estava longe de se desenrolar de forma convencional porque, apoderado pelo seu próprio Ego, Jorge Budapeste acaba enredado na Guerra do Ópio, na qual ganha um lendário mas perverso mediatismo. Na luta entre o Ego e o Homem, viaja até cumprir o seu destino. A Viagem é uma emulsão do real e do mágico e nela não há crueldade que não venha temperada com beleza.
Pedro João Neves Miranda de Castro nasceu no Porto em 1989. Tornou-se Mestre em Ciências Farmacêuticas em 2013 e Doutorado em Biotecnologia em 2018. Foi investigador na Universidade Católica Portuguesa e colaborou com a Universidade de Bolonha e a Universidade de Buenos Aires. Venceu a edição de 2019 de Ficção Narrativa Montijo Jovem com o romance "Viagem", escreveu vários contos (e.g. "Belzebu, o Sem-abrigo", "Cartas de um Astronauta em Tempos de Pandemia", "As Fantásticas Aventuras do Marinheiro Zé Fusco") e uma novela ("4420-XXX"). Hoje, amadurece um novo romance: "Ao Largo dos Meridianos".
"Partir era, como sugerido, quebrar, rebentar, rasgar. Partir é a violência necessária para ter a legitimidade de gerar e ter algo verdadeiramente seu."
Jorge Budapeste nasceu em Riobarbo e desde os primeiros dias de vida que se destacou das outras crianças da cidade por ser uma criança peculiar. Para muitos habitantes de Riobarbo, Jorge era descrito como um rapaz estranho quer física quer mentalmente pois hipnotizava todos com as suas histórias e fantasias. Desde muito pequenino que Jorge era um ávido leitor e sonhava um dia viajar e conhecer o que estava para lá das fronteiras da sua cidade. Aos 17 anos Jorge decide abandonar Riobarbo para se aventurar pelo mundo. Sem um plano e rota definidos vai viver inúmeras aventuras: vê-se envolvido na Guerra do Ópio onde se torna uma lenda, faz parte dos elementos de um circo e transforma-se num homem que é moldado por toda a crueldade e violência a que assiste nesta sua jornada. Com a sua escrita envolvente e poética, o autor transporta-nos para Riobarbo e sentimo-nos hipnotizados e maravilhados com este Jorge Budapeste e com outras personagens que habitam no seu universo de realismo mágico. Os seus pais Eduardo e Carolina, a Anita Cravo, o enigmático Tiago Sevilla e o padre Jacinto, são alguns exemplos de personagens ricas e inesquecíveis. Viagem ganhou o Prémio Ficção Narrativa Montijo Jovem em 2019 e é o primeiro romance do Pedro Miranda de Castro, é um livro belíssimo e de leitura compulsiva que me arrebatou neste início de 2024!
Um livro profundo, retrata realidades diversas como a guerra do ópio, a vida na fronteira entre Portugal e Espanha, a realidade do circo, dos relacionamentos amorosos e não só. Apresenta uma vivacidade constante, transportando-nos contantemente para um imaginário muito presente. Os personagens escrevem o livro, e ao ler o livro transformamo-nos num personagem também. Prémio Literário bem merecido.