Yvonne, de 80 anos, fecha pela última vez as portadas de sua casa e muda-se para uma residência para a terceira idade, pondo um ponto final a quarenta anos de vida passados naquela casa. A mudança é dura para esta mulher livre e independente, sobretudo porque continua activa e muito lúcida. E Yvonne tem dificuldade em adaptar-se a essa nova vida, que a aproxima dolorosamente da morte… No entanto, e contra todas as expectativas, faz novos amigos e inclusive apaixona-se. Mas a velhice não lhe dá tréguas e a memória começa a falhar. Presa no turbilhão inelutável da vida, a octogenária decide oferecer-se uma última digressão encantada. Publicado entre nós pela Ala dos Livros, a obra “O Mergulho” é um relato actual e comovente, impregnado de amor e de nostalgia, que conta com a assinatura de uma das mais prestigiadas escritoras francesas da actualidade.
Séverine Vidal est née en 1969. Après des études de Lettres, elle se souvient que, petite, elle adorait jouer à la maîtresse dans son garage avec des élèves découpés dans du carton. Elle devient donc professeur des écoles, pour de vrai cette fois. Elle écrit des tas d'histoires pour enfants qu'elle commence à envoyer aux éditeurs en 2009. Depuis, les réponses positives s'enchaînent : albums, BD, romans jeunesse (4 parutions en 2010, une vingtaine de titres prévus en 2011/2012). Elle adore cette nouvelle vie, pleine de rencontres, de rires et de liberté ! Elle se consacrera à l'écriture à temps plein, dès la rentrée 2011.
Esta novela gráfica cuenta la historia de una señora mayor a la que internan en una residencia de ancianos. El dibujo es maravilloso y la historia gestiona muy bien la melancolía y la caracterización de los personajes… pero, además de quedarse muy corta y bastante plana, todo el rato tuve la sensación de que era una historia que ya se ha contado mil veces (también en cómic) y que, además de no aportar nada nuevo, usa ciertos clichés melodramáticos de lo más obvios. Además, todo tiene cierto tono de “la película francesa que hizo llorar a un millón de espectadores” y a mí eso me aleja bastante de la narración.
Yvonne, de 80 anos, viveu 40 anos na sua casa, mas vê‑se obrigada a mudar para uma residência de idosos—um choque de identidade e autonomia que a confronta com o sentir-se "perto do fim". Yvonne é uma mulher lúcida, humorada, irreverente—alguém que nos desafia a questionar os estereótipos da velhice.
Esta novela gráfica é, desde o início ao fim, literatura de tomada de consciência.
Uma novela gráfica tocante e desconcertante, que mergulha de frente, com coragem, em temas actuais mas desconfortáveis: a velhice, a perda de autonomia, os lares de idosos, e aquilo que se faz (ou se deixa de fazer) quando já não há ninguém por perto. Tudo isto através de uma narrativa visual e literária profundamente sensível e artística.
Logo nas primeiras páginas, o leitor confronta-se com uma escolha brutal: o que fazer com um animal de companhia o qual é a sua família quando se é forçado a deixar a própria casa? É impossível não ser abalado. E este é apenas o primeiro de muitos dilemas difíceis, tratados aqui, neste livro. É um dos temas - a violência emocional das escolhas forçadas na velhice. Conheço, felizmente, alguns lares que permitem a admissão dos seus residentes com os seus animais de estimação, o que é uma atitude de louvar.
A arte e o texto caminham lado a lado para evocar empatia e desconforto. O traço, a paleta e o ritmo da imagem são quase ternos, mas o que se revela é uma realidade dura, muitas vezes invisível, onde os mais velhos são infantilizados, despersonalizados, e empurrados para a margem da vida.
“O Mergulho” é uma metáfora e uma denúncia. Uma chamada de atenção para o que acontece quando a identidade começa a ser apagada em vida.
Entre os momentos que achei mais comoventes, destaca-se a cena em que a protagonista ajuda Fifi, que vive com demência, a enfeitar uma árvore de Natal… que não existe. É um gesto pequeno e imenso ao mesmo tempo — uma escolha de empatia, em que se entra no mundo do outro, em vez de o negar. Uma delicadeza rara que mostra que, mesmo nos contextos mais desumanizantes, como neste lar que apaga a identidade dos residentes, há ainda espaço para relações verdadeiras e de empatia transformadora devolvendo a visibilidade que lhe tinha sido negada.
Num sussurro, Yvonne confessa que tem medo de se esquecer do nome de Tom. E nesse medo está tudo: o amor, o tempo, e a perda de si. O medo da morte da identidade.
O livro expõe, sem rodeios, a realidade dos lares de idosos: os residentes sentados em silêncio, a perda da identidade, horários rígidos, a infantilização nas conversas, e o apagamento do eu. A protagonista observa tudo isto, reconhecendo a dor e a solidão que são o quotidiano dessas pessoas.
Noutro momento tocante, os residentes fecham os olhos e dizem os desejos que teriam se pudessem voltar à infância. Essa cena é uma janela para a alma, revelando a criança interior que permanece, mesmo quando o corpo está cansado, e os sonhos parecem distantes.
Existe um paralelismo num mergulho inicial com um mergulho final numa outra vida onde existe lugar para o amor e para o inesperado - uma metáfora poderosa, que simboliza o ciclo da existência — mesmo no que parece o fim, há um recomeço, uma liberdade nova, uma resistência à estagnação.
PT Ao terminar esta leitura, não consigo deixar de pensar numa citação do ator português António Feio:
“A vida é demasiado curta para acordar com arrependimentos. Ama quem te trata bem. Esquece quem não o faz. A vida coloca toda a gente no seu devido lugar. Tudo acontece por uma razão. Se tiveres uma segunda oportunidade, agarra-a. Ninguém disse que a vida seria fácil — apenas que valeria a pena. Vive, deixa viver e sê feliz!”
É isso. Sê feliz.
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EN As I finish reading this, I can’t help but think of a quote by Portuguese actor António Feio:
“Life is too short to wake up with regrets. Love those who treat you right. Forget those who don’t. Life puts everyone in their place. Everything comes and goes for a reason. If you get a second chance, take it. No one ever said life would be easy — only that it would be worth it. Live, let live, and be happy!”
cette bande-dessinée est simplement magnifique. c’est la vieillesse, ce sont toutes ces étapes de la vie, ces souvenirs laissés derrière. ce sont ces nouvelles rencontres et tous ces nouveaux petit bonheurs, mais aussi ces tristesses. cette BD, elle est magnifiquement bien illustrée et belle sans bon sens. je l’ai empruntée à la bibliothèque, mais je l’achèterai éventuellement parce que j’ai eu un gros gros gros (grand) coup de cœur pour.
«O Mergulho» impressionou-me pela sua honestidade emocional e pela sensibilidade com que retrata a terceira idade — não como algo a romantizar, mas como uma fase da vida cheia de complexidades, medos, mas também de possibilidades.
Yvonne, de 80 anos, é uma mulher livre, independente, lúcida. Sente-se imediatamente empatia por ela, e com poucas palavras, conseguimos entender que se encontra numa transição de fase de vida.
Yvonne vai deixar a sua casa e mudar-se para um lar. Com perda de autonomia, falhas de memória, o medo da morte, a solidão, não há outra hipótese e estas questões são abordadas de uma forma melancólica, sim, mas também com ternura, leveza e algum humor.
Adorei as ilustrações, transmitem uma atmosfera nostálgica e de contemplação. Sente-se um equilíbrio entre as fragilidades físicas e mentais desta fase, com a beleza do simples facto de se continuar vivo, ativo e em posse das suas capacidades.
Deparei-me com um pensamento que, ainda na minha idade jovem, mas por já estar nos 30 e poucos, começa a surgir que é: “na minha mente continuo a sentir-me uma miúda” e não a idade que tenho. Por isso e apesar de ainda estar muito longe de chegar a esta terceira idade, consigo aperceber-me de que este pensamento caminhe mesmo connosco para o resto da vida e que a idade e o nosso corpo não limitam a nossa mente.
É um livro importante e com valor, sobretudo para olhar para o fim com humanidade e ternura. É uma leitura que dá algum tipo de consolo — ao lembrar que, mesmo nesta fase, pode-se continuar a viver, a sentir, a querer.
É uma obra que merece ser lida e mostrada, recomendo muito!
Une BD très émouvante au sujet d'une dame âgée qui quitte sa maison et entre en EHPAD (l'équivalent français du CHSLD) et qui a l'impression de perdre pied. Touchant et doux-amer.
Um livro muito bonito, com ilustrações lindíssimas sobre a vida, o luto, a perda de memória e de liberdade, quando ainda sentimos que temos tanto para viver.
Magnifique hommage à la vieillesse. Les difficultés quelle engendre (douleurs, solitude, fatigue), mais aussi l’ardent désire de vivre qui perdure (désir, amour, liberté, joie). Je n’ai jamais été quelqu’un qui souhaite vivre vieux. Je trouve assez dégueulasse le traitement, la mise au rancard, que l’on fait de nos personnes âgées au Québec particulièrement, mais ce livre ma presque réconcilié avec le fait d’être vieux. Très beau. Très touchant!
Esta novela gráfica corta trata demasiados temas importantes. Se lo recomiendo a todo el mundo.
Este libro empieza con algunas despedidas que debe hacer Yvonne antes de entrar en el asilo donde conoceremos a más personajes igual de entrañables e interesantes que nuestra protagonista.
La vejez, el amor, el sexo, la soledad, el abandono, la memoria, la tristeza, la alegría, la compañía, la empatía, la vida, la muerte… son algunos de los temas que trata esta novela gráfica con tanto tacto que te llega al alma.
He reído, he llorado, he sonreído, he suspirado.
Es un libro que releeré varias veces. Estoy segura.
Una novela gráfica que te cuenta la pura realidad narrado de manera sarcástica y con la que te ríes mucho, pero de gracioso tiene poco. Un pellizco en el corazón, una mirada a la vejez y al paso de los años. De mis novelas gráficas favoritas del 2022.
Longe de ser uma história sobre envelhecimento apenas no sentido físico, o livro trata com muita sutileza de autonomia, memória, perdas, reencontros e a passagem do tempo. Yvonne é carismática, lúcida e espirituosa — uma protagonista rara e muito bem construída. Revela uma busca por dignidade e liberdade mesmo na velhice, em contraste com os olhares condescendentes da sociedade. Ela evita clichês comuns sobre a velhice. Esta protagonista tem profundidade e vivacidade. O ritmo do livro é bem equilibrado: ora melancólico, ora leve. A escolha de temas como demência, memória, amizade e luto é tratada com honestidade emocional. Destaco um humor subtil. O Mergulho, que mergulha no que há de mais humano: o medo de perder quem somos, o desejo de ser lembrado e o direito de fazer escolhas — mesmo no final da vida. É uma leitura curta, mas profunda, ideal para quem aprecia quadrinhos com alma e sensibilidade.
Esta es una historia de las que duelen, precisamente de las que menos me gusta leer porque la herida que te produce es de las que dejan cicatriz, porque te hacen pensar en tus seres queridos y en ti mismo. Y es que, a fin de cuentas, todos vamos hacia un mismo punto: la vejez.
El tiempo es nuestro mayor enemigo y los recuerdos el mejor regalo que podemos atesorar. El tiempo es volátil, se nos escapa sin que podemos hacer nada. Es así y ya está. Pero ¿y los recuerdos? Los recuerdos son nuestros, un tesoro que nada nos puede quitar. Hasta que algo lo hace.
Podemos luchar contra la tristeza, la soledad, los cambios. Ganar o perder depende de cada uno. Pero contra lo que nos espera al final del camino, esos monstruos que nos acechan a todos, algunos más fieros que otros... Ese final ya está escrito. Pero eso no nos impide luchar. El final está escrito pero aún podemos librar batallas. De eso va 'La Inmersión'. Yvonne, la protagonista de esta historia, una octagenaria con los pies en la tierra y el alma surcando los cielos, libre y decidida a vivir, nos da una lección de vida. No necesitáis saber más de la historia. Simplemente, leedla. Si os gustan las obras tipo 'Arrugas', de Paco Roca, o simplemente las historias que tratan sobre la vida y la realidad que nos rodea, os gustará.
Quanto vale recuperar a vontade de viver? É essa a minha classificação.
Não resisti a este livro e li-o em dois tempos. Obrigada @ogatatetsuo pela sugestão! Obrigada @ruiressa por o teres oferecido. Até parece que adivinhavas 💜
Que maravilhosa BD sobre o envelhecimento, a perda de faculdades, a tristeza do abandono, a doença e a consciência da proximidade do fim.
Dito assim, tiro-vos já a vontade de ler! Mas o livro é sobre isto, mas também sobre a beleza da velhice. O que fica na memória, as pequenas felicidades, a vontade (e o direito) de transgredir. O não desistir, o humor.
Numa altura da minha vida em que a alegria não abunda e a idade começa a tomar um peso grande nos dias que correm, fiquei a pensar que parva que sou. Tão nova, com força física e mental (menos) e ainda com tanto para viver.
É um bom psicólogo, este livro. Recomendo e fica muito mais barato 🤭
E a parte gráfica? Ai que maravilha 💙
Se o apanharem, não o percam. Vão ganhar alguns anos de vida 😎
Fez-me lembrar uma história que se contava na minha família. A minha avó teria cerca de 70 anos e visitava regularmente uma amiga com 92. A amiga, cada vez que a minha avó se queixava, dizia: "Ó Sãozinha ainda és tão nova só com 70 anos, estás uma rapariga nova ainda"
"O Mergulho" foi editado originalmente em janeiro de 2021 no mercado francófono e nele, Séverine Vidal e Víctor Pinel contam-nos a história da alegre e independente Yvonne, uma mulher de 80 anos, que fecha pela última vez as portas da casa onde viveu durante 40 anos com o falecido marido e muda-se para um lar de idosos.
A adaptação a esta nova realidade não se apresentará fácil, uma vez que Yvonne é ainda uma mulher activa, "livre" e lúcida e as regras da instituição nem sempre respeitam a individualidade dos seus utentes. Com o tempo, vai fazer amigos e apaixonar-se novamente. Uma bonita e comovente história contada e mostrada sem complexos e preconceitos, mostrando-nos que o amor e o desejo sexual não têm idade. É um mergulho na velhice muito à semelhança de "Rugas" de Paco Rocas, mas com um registo mais divertido e esperançoso, uma vez que a protagonista consegue reencontrar-se, aproveitando da melhor forma e com alegria o tempo de vida que lhe resta, mesmo que para isso tenha que desobedecer às rígidas regras do lar. Gostei muito da arte, carregada de sensibilidade, ternura e verdade.
Il m’est très difficile de vous écrire cette chronique sans fondre en larmes tant la lecture de cette bande-dessinée m’a émue et touchée. J’ai été secouée dans un ascenseur émotionnel formidable par Le plongeon qui m’a provoqué un formidable coup de cœur, de ceux rares qu’on a envie de partager mais pour lesquels il est difficile de trouver les mots justes. Séverine Vidal et Victor Lorenzo Pinel nous offre une œuvre magnifique qui nous fait rire avec sincérité des frasques d’Yvonne, qui nous [...]
Une réflexion douce sur une triste réalité que la société à tendance à fermer les yeux sûr… bouleversante d’une manière qui montre le beau du quotidien qu’on enlève à nos aînés dans les centres où ils vont pour mourir. Il a manière à mieux penser la société.
Sei perfeitamente porque é que não lia, porque evitava e fugia, Sabia que ia mexer comigo Sabia que me ia arrasar É medo puro e simples.... Esquecendo tudo isso o livro é belo, tem cenas de cortar os pulsos autenticamente. Não consegui parar de ler, não consigo não pensar Não sentir culpa, não ter medo, não imaginar o que será noutros sítios que não sejam a casa das mimosas, a casa das Hortênsias, os esquecidos de domingo, os que não podem ir e os que indo estão ainda pior. Mas avaliar ou não um livro não é falar do entourement , é falar da escrita que é simples, incisiva, por vezes hilariante, muitas das vezes introspectiva. Falar das ilustrações que são tão expressivas, que dizem tudo e até mais aquilo que queremos saber, ou que antevendo não queremos perceber... É um livro que me deixa com o coração tão apertado e assim vou começar o fim de semana do carnaval ET voilá, c'est tout...