Um pensamento que me acompanhou durante a leitura foi: ainda bem que Portugal não é racista, porque se estes acontecimentos se repetem, enquanto nos aclamamos como um país empático, tolerante, respeitador, nem quero imaginar como seria, caso fôssemos mesmo racistas. Não se deixem enganar, porque cada um destes textos mostra o quanto a luta continua urgente, vital; cada um destes textos mostra o quanto a segregação ainda é um dialeto comum na sociedade.
Como a literatura tem poder para dar visibilidade, encontramos, nesta antologia, um manifesto de «diversidade, multiplicidade e democratização». Interligando uma componente pessoal e uma componente política, os 34 autores selecionados partilham episódios da sua vida de imigrante - embora se foquem em cenários distintos, têm em comum a angústia, o impacto do ódio, do estigma, dos preconceitos, da burocracia interminável e do fascismo que cresce e que se mostra nas ruas.
Jorgette Dumby destacou algo que me parece resumir bem a problemática: «Minha inteligência não vem da melanina, tal como o teu preconceito também não vem do teu défice nela. Teu preconceito é fruto de uma educação que segrega, para tirar vantagem». Que exemplos como este sirvam para nos consciencializar, finalmente, para a mudança, porque está mais do que na hora de inverter a narrativa.
QUE ORGULHO DE FAZER PARTE DESSE LIVRO 💫💕🥳🤯💦🔥🌱 desculpa meu surto, mas não tem como não, olha isso aqui: "se a poesia de camões é a pedra fundadora da identidade portuguesa então nada mais justo do que virar acarajé" venha venha venha ler e se perder nesse labirinto de corpos gritos silêncios que é ser imigrante
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