Jump to ratings and reviews
Rate this book

Canina

Rate this book
Caninos são os dentes, canina a fidelidade, ou a ferocidade, o ladrar e o morder, e conhecemos o cão negro da melancolia, o cão danado, o cão de guarda e o de companhia. Mas além dos cães, estes e outros, Canina convoca os mais diversos bichos (cavalos, gatos, pavões), sem que se confunda com qualquer cântico das criaturas. Em vez de humanizar os animais, animaliza os humanos, não fazendo disso virtude nem defeito. Podemos pensar em exemplos pictóricos como as mulheres‑cão de Paula Rego, ou, no campo poético, em algumas imagens extremas de Alejandra Pizarnik, ou de Luís Miguel Nava, o corpo como coisa física, instintos, fúrias, ossos, nervos, sangue, matéria que, por estranho que pareça, não se opõe aqui a deus, vocábulo sempre grafado em minúscula. Nenhuma metafísica, no entanto; o objecto de Canina é a condição humana, o que há de animal nessa condição, e talvez o que há de mítico. «Depois da extinção seremos fábula», escreve Andreia C. Faria, mas na verdade já somos, no amor como na doença, na glória como na vida de cão.
— Pedro Mexia

96 pages, Unknown Binding

Published July 1, 2022

2 people are currently reading
52 people want to read

About the author

Andreia C. Faria

16 books29 followers
Andreia C. Faria nasceu no Porto, em 1984. Publicou em 2008 o seu primeiro livro de poemas, De haver relento (Cosmorama Edições). Seguiram-se Flúor (Textura Edições, 2013), Um pouco acima do lugar onde melhor se escuta o coração (Edições Artefacto, 2015) e Tão Bela Como Qualquer Rapaz (Língua Morta, 2017), que recebeu o Prémio SPA 2017 para Melhor Livro de Poesia.

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
17 (34%)
4 stars
15 (30%)
3 stars
13 (26%)
2 stars
4 (8%)
1 star
0 (0%)
Displaying 1 - 8 of 8 reviews
Profile Image for Paula  Abreu Silva.
402 reviews116 followers
January 15, 2023
"POR TODOS OS POROS

Alguém disse que a beleza entra em nós por todos os
poros, sobretudo quando sofremos. Entra ao mesmo
tempo que a raiva com as suas cores e o viço da repulsa.
O mundo ferido é mais belo e confere-nos o perigo da
santidade.

É bela a mácula que um punhado de pardais deixa no sol
do meio-dia. São belas as lajes do sol porque as turbam
os pardais - e cantam a manhã tíbia das coisas, e partem
cristais nos poços do silêncio.

Um amante é mais belo quando nos deixa. A agulha de
uns olhos cruéis cinge todos os detalhes com que o nosso
amor se tece."

Página 78
Profile Image for Vítor Leal.
123 reviews26 followers
October 8, 2022
(Campo do Rou)

Os girassóis sustidos pela luz, mas a luz
pulverizando tudo. Desenraizando
escadas, quintas, muros. Gatos, hortas
o ventre de um sofá e mais acima
o prédio de um antigo futurismo escalavrado
cujo avistamento pardo nos convinha
quando queríamos, em palavras cautelosas,
(o filtro gasto da sinceridade, a citação)
exprimir esta ternura. (...)
Profile Image for Bruno.
3 reviews20 followers
August 16, 2022
Uma autora que não se comove com nada e não se imiscui na experiência humana, não me convence minimamente, seja ou não guindada aos píncaros da clarividência literária. Creio que a poesia portuguesa contemporânea perdeu os caninos e já não morde, corta e rasga a carne da realidade, contra a qual devia estar sempre em guerra.
Profile Image for Andreia Morais.
481 reviews33 followers
August 30, 2022
TW: Referência a Morte, Linguagem Explícita

A poesia deste livro soou-me urgente e com uma certa melancolia, como se estivéssemos sempre a tentar encontrar um sentido, uma justificação para vários cenários do nosso quotidiano. Mas, ao mesmo tempo, dá a sensação de uma não emoção, como se se tivesse erguido um muro que não comove quem observa a vida. Foi a minha estreia na obra da autora e gostei bastante de encontrar esta dicotomia, de a sentir expectante e atenta, mas também vulnerável. Além disso, achei curiosa a tentativa de animalizar os Homens, sem que isso seja um juízo de valor, apenas uma constatação da condição humana, que transita sempre entre amor, receios, perdas, inconstâncias e imprevisibilidade.
Profile Image for Inês Lóio.
127 reviews7 followers
March 12, 2024
“Alguém disse que a beleza entra em nós por todos os poros, sobretudo quando sofremos. Entra ao mesmo tempo que a raiva com as suas cores e o viço da repulsa. O mundo ferido é mais belo e confere-nos o perigo da sanidade.”
Profile Image for Carmo.
141 reviews6 followers
November 23, 2023
"(...) e como a chuva vou mordendo
em reza as folhas mornas."
Displaying 1 - 8 of 8 reviews