No posfácio de O Desejo Homossexual, Paul Beatriz Preciado fala que o autor do livro, Guy Hocquenghem foi um dos primeiros autores a colocar o queer em evidência em um livro teórico, de forma a quebrar o que está estabelecido e usar as características próprias dessa comunidade, de causar estranhamento, como algo positivo a ser usado também na construção científica do conhecimento. Concordo com ele, o livro é muito bom neste aspecto. Porém, a psicologização demasiada feita no livro usando muito da psicanálise, para mim, é algo que deixa a leitura enfadonha, por mais que quando se fale em desejo é necessário invocar Freud e Lacan. Ao mesmo tempo, a posfácio de Preciado, chamado Terror Anal, é muito impressionante, uma leitura muito mais agradável e contestadora que o texto de Hocqueghem, que vale a compra do livro, mas entendo que sem o pioneirismo do autor da publicação ele não teria a possibilidade de existir. Assim, O Desejo Homossexual acaba, na minha visão, tendo um papel de importância muito mais de pioneirismo, ineditismo e de marco de uma luta do que em seu conteúdo em si.