Livro simples e muito bem escrito, fruto da vivência do autor na região saloia e do seu convívio com um real Constantino, guardador de vacas e com os sonhos próprios de uma criança de 12 anos.
Não é, porém, um livro infantil, para crianças.
História de Constantino, Cuco e Cantigas de alcunhas de família. Teimoso como não há. Idealizador como poucos, que na sua vivência rural sonha ser serralheiro. Fanfarrão, diz-se dono de 50 ninhos, mas nem de metade seria, mas para o propósito do livro não interessa ao autor contá-los.
Constantino tem uma irmã 5 anos mais nova, Ana Maria, de quem tem ciúmes por julgar que a mãe gosta mais dela, só sanada porque o Pai teve com ele uma convera de homem para homem, e homem não tem ciúmes de criança pequena. Na escola não é propriamente preguiçoso, mas prefere apanhar a mostrar sua sabedoria, que também não será por aí além, ao que ele estuda, do que cantar ams matérias ao som das reguadas. Cá fora, para além da mãe, mulher desempoeirada e trabalhadeira, e resmungona com quem é calaceiro, convive com o pai, que é ausente por passar os dias a tarbalhar, mas por quem tem muito respeito e sobretudo com a avó, paterna julgo eu, chamam-lhe Ti Elvira, que é com quem se pica mais, sendo particularamente audível o seu grito Constantiiiiiiino. O seu grande amigo de aventuras e o Manel com quem partilha, a procura de ninhos, a construção de um barco onde iriam Trancão abaixo até Lisboa e até ao Tejo, banhos em pelo nas poças da aldeia de Bucelas, e quezílias com a Custódia, uma lavadeira do sítio. Constantino é miúdo calado, metido em si mesmo, que fez um grande feito o qual foi na festa anual ter ido ao cimo do poste apanhar o bacalhau, o garrafão e as batatas. Estragou o fato novo, mas isso não é assim tão importante. Marcante também a sua relação com ops animais, com as vacas que vigia, a carocha, a mimosa, com as mulas, janota e carriça, com os pássaros, nomeadamente os pintassilgos qe tenta meter numa gaiola, e, sobretudo com a cadela, Rasteira de seu nome der fino pedigree rafeiro.