«Gli architetti devono avere un contatto profondo con il vivere, perché il vivere è tutto»: sembra avere già in mente queste parole Lina Bo Bardi quando nel 1946 si imbarca, occhi curiosi e mente aperta, per Rio de Janeiro, lasciandosi alle spalle le rovine di un paese devastato dalla guerra. Porta con sé Achillina, la ragazza sprezzante che sapeva farsi notare sfidando i retaggi e le regole sociali, e Lina Bo, la giovane e tenace professionista che, dopo gli studi a Roma con Marcello Piacentini, a Milano aveva lottato per la propria indipendenza in un mondo di uomini ed era diventata codirettrice di Domus, stimata da Gio Ponti, Bruno Zevi e dal futuro marito Pietro Maria Bardi. Traducendo nel pensiero e nella prassi un’esistenza in continua metamorfosi, è in Brasile che Lina porta a maturazione la sua originale voce di progettista, designer, curatrice e scenografa. I suoi edifici più celebrati – il Museu de Arte de São Paulo, la Casa de Vidro e il centro sesc Pompéia – rispecchiano l’idea di un’architettura che ha come fulcro la collettività, il rapporto con la natura e la tradizione popolare, un’architettura modernissima e anticonvenzionale. In questo ritratto frutto di vent’anni di ricerca, Zeuler R. Lima restituisce la complessità di una donna fuori dagli schemi che ha attraversato le proprie contraddizioni senza timidezze, oscillando tra impulsi rivoluzionari e un’indole inguaribilmente malinconica. L’autore non sottrae mai al racconto della sua vita la sua metà d’ombra, quella che fatalmente si proietta su Lina nella foto sul ponte della nave mentre attraversa l’Atlantico, quasi a illustrare l’epiteto che Valentino Bompiani aveva coniato per lei, “la dea stanca”: una solitaria ribelle la cui eredità intellettuale è oggi viva più che mai.
Lina é um personagem fantástico da nossa história. Essa leitura me deixou com uma sensação esquisita porque acho que o autor pesou a mão na retratação dela como 'uma pessoa difícil'. Será que se fosse um homem visionário se teria essa mesma leitura sobre sua personalidade? Lina era foda, sabia o que tava fazendo, de onde partir e para onde caminhar. Essa assertividade provavelmente criou obstáculos "naturais" por conta da sociedade machista, mas o que acabou ficando nesse relato foi uma Lina até certo ponto chata e cheia de vontades.
Obra essencial pra quem quer conhecer mais sobre a trajetória e o pensamento da Lina, uma das figuras mais importantes (e interessantes) da arquitetura brasileira. O autor consegue muito bem organizar e separar os fatos dos mitos, em uma narrativa sempre muito sensível sobre as angústias e as conquistas da arquiteta. Senti falta de ver mais dos desenhos e projetos conceituais citados ao longo do livro, que se limitam praticamente aos expostos no início de cada capítulo, mas ainda assim segue sendo uma leitura excelente.
A biografia escrita por Zeuler Lima acerca de Lina Bo Bardi é um bom complemento à biografia escrita sobre a mesma personalidade por Perrota-Bosch. Ao focar no aspecto psicológico ao analisar a trajetória de vida da arquiteta (ou "do arquiteto", como ela provavelmente gostaria de ser chamada), o autor escreve uma biografia de uma maneira exemplar, sem dar margem para passadas de pano, analisando e evidenciando as contradições dela enquanto ser humano mas sem deixar de fazer os devidos elogios e ressaltando também as suas qualidades positivas. Ao ler essa obra, fico com a impressão de que ganhei uma compreensão total do humano Lina, em suas múltiplas facetas, desde sua relação conturbada com o passado italiano e com o poder, a sua paixão pelo Nordeste (e, em particular, pela Bahia), até a sua vida íntima com Pietro Maria Bardi.
PS: Talvez eu esteja fascinado por ela justamente por eu ter nascido em Roma,ser metade italiano e metade baiano e atualmente morar em São Paulo. Ler sobre ela tem ajudado a lidar com muita coisa interior minha.