Numa pequena colonia alemã do Espirito Santo, Milkau e Lentz vivem o desafio de construir uma nova vida em terra estrangeira. Canaã retrata a saga dos imigrantes europeus no Brasil no início do século e seu sonho de encontrar a "terra prometida". Mostrando o confronto entre visões de munto antagonicas e a violência dos preconceitos raciais, é uma obra fundamental para a compreensão da cultura brasileira.
José Pereira da Graça Aranha (June 21, 1868 – January 26, 1931) was a Brazilian writer and diplomat, considered to be a forerunner of the Modernism in Brazil. He was also one of the organizers of the Brazilian Modern Art Week of 1922.
He founded and occupied the 38th chair of the Brazilian Academy of Letters from 1897 until his death in 1931. However, he would break all his relations with the Academy in 1924, accusing it of being "old-fashioned".
A saudade e o passado são temas presentes ao longo de toda a obra. Inúmeras vezes as personagens são pegas pensando naquilo que já passou e feliz ou infelizmente não volta. Há momentos onde o passado é visto com saudosismo e momentos onde ele é visto com felicidade, pois o passado doloroso tornou-se um presente libertador. A desigualdade também é presente no livro - a maneira como a personagem feminina é tratada por aqueles que estão em sua volta é retratada de forma cruel e fria. Mas em meio à essa desigualdade há também a compaixão daquele que consegue enxergar além das máscaras criadas pela ignorância de m povo. Algumas cenas fortes fizeram com que eu pausasse a leitura para respirar - animais sendo mortos e mau tratados para que, em um dos casos, uma tradição mesquinha se seguisse, algo que os homens continuam a fazer, cegados pela ignorância de almas superticiosas. O livro se passa até quase o final sem nenhuma grande surpresa, mas quando as surpresas vêm, elas vêm uma atrás da outra. A tristeza é também um elemento forte e sempre presente no livro, mas ela nem sempre vem de maneira negativa. É surpreendente o quão atual a leitura é, ainda que anos se tenham passado.
This is a `classic' Brazilian novel written in 1902 about the German immigrant community in Espirito-Santo the valley of Canaa as in the cover picture of my edition (so must be based around 1850s or later); and how they interact with the local people as a mix of indigenous and mulattos. The main characters are Milkau, a German looking for a new life and possibly love away from his family back home; Lentz looking for `something' having behaved dishonourably towards a girlfriend; there are several side characters like Feliesissimo, the local surveyor, who allocates plots; and Mary Perutz an orphaned immigrant daughter.
I would be telling you no more than is detailed on the backcover that: the story is that Mary becomes pregnant and abandoned and, whilst giving birth, wild pigs kill and eat her baby; unfortunately a single witness arrives late on the scene and believes that Mary has deliberated killed her child; she is thus arrested. Milkau having previously met Mary in happier times defends her but soon realises that she will not get a sympathetic trial and helps her escape.
On first thought the tale sounds like it should be a dramatic challenging classic which it is, but a problem is `that is the story' - in terms of what happens next, well that would be the last 2 pages. Another slight issue is that the story itself actually only starts in earnest about 1/2 way into the book (when we first meet Mary). A major let down for me is also that the main graphic scene is over all too quickly (only 2 sides in total) and we are literally taken from that dramatic location to `2 days later Mary was in prison' in one sentence, what a waste?
But the book must have something because it is nonetheless quite good. There are many worthy scenes and dialogues (irrelevant to the plot) which are amazing with a notable erudition and flare. The uniqueness of the German-Brazilian community flows from the pages. The peoples' prejudices, the landscape and the politics paint a vivid picture. So I'd say don't read this for the story but read it for the literature.
A couple of quotes: "And there is no sadder picture than that in which the action of time, the force of destruction, does not confine itself to traditions and inanimate things, but envelopes human beings in the catastrophe, striking and paralyzing them, and increasing the painful situation to an infinite melancholy."
"The whole of nature, the group of beings, things and me, the multiple and infinite forms of matter in the cosmos, I see them as one single and immense whole, supported in the minutest molecules by cohesion of forces, a reciprocal and incessant permutation, a system of compensation, of eternal alliance which weaves the frame and the vital principle of the organic world"
Esse é um dos livros em que a composição da capa original mais detrata do que aprimora e facilita a venda, pois não é sobre algum malfadado romance, mas sobre como a religião modifica ou não os parâmetros sociais.
Em especial, Canaã busca retratar as diferenças entre a fundação de uma colônia alemã no sul do país e as colônias portuguesas. Para isso temos Milkau e Lentz que, detentores de ideologias opostas, esmiúçam os particulares das famílias, das produções culturais e da religião.
Essa última é a que merece mais atenção, pois o autor faz questão de descrever as bases do luteranismo em oposição ao catolicismo vigente e é com o primeiro que temos o traçado da segunda parte da trama - uma reformulação da história de Maria pela sociedade formada.
O que antes apresentava um quê de maravilha se torna então uma crítica expositiva em que vemos que não obstante as diferenças ocasionadas pelo cisma religioso e outros pontos culturais, aquela pequena colônia ainda corrompia, julgava e oprimia a figura da mulher.
Um dos pontos mais interessantes da obra é ver a evolução do autor em sua escrita, a forma gradual como ele vai transformando uma leitura descritiva e filosófica em algo alegórico. O final, por exemplo, onde há um tribunal, basicamente não oferece nomes aos Poderes lá representados... quase todos os personagens vão se despersonalizando e assumindo apenas os epítetos de suas profissões ou modos-de-vida.
É uma leitura que foge ao já conhecido e repetido "Engenho" da literatura nacional.
Não é meu tipo de literatura. Em muitos momentos os personagens travam discussões filosóficas extremamente abstratas e complexas que parecem incompatíveis com sua condição de imigrantes recém-chegados ao Brasil. Fica evidente que é o autor quem fala nesses solilóquios, em detrimento da identidade dos personagens descaracterizados. O livro é tedioso nas longas passagens dedicadas unicamente a descrever paisagens ou momentos do dia. Certos eventos não têm qualquer razão de ser na narrativa e personagens desvanecem em arcos inacabados. Some-se a isso o final repentino. Como leitor, penso que a obra fica devendo na forma.
Canaã é um belíssimo romance filosófico, de debates, de ideias, às vezes místico, essencialmente melancólico, dolorosamente trágico. Mas nada disso vende livro e nem chama a atenção dos adolescentes, não é? Aí fizeram essa capa absolutamente mentirosa, pois não há, em todo o livro, um único momento de romance como é sugerido por essa imagem na capa feita pela editora Ática. Eu diria até que não há um único momento de felicidade como o estampado nesses sorrisos. Pelo contrário, uma das conclusões do personagem principal é de que a dor e a tristeza é que o aproximam dos homens.
Muito bom; tem um trecho bastante engraçado e trágico ao mesmo tempo: a expulsão de Maria. Ler essa história de um ponto de vista superficialmente bíblico talvez indique que o autor não tenha muita fé na humanidade, mas posso estar enganado. Retrata muito bem as correntes raciais da cúspide entre os séculos passado e retrasado, mas sempre deixando claro que o negro não teve lugar nem vez “naquele” Brasil. Agora vemos as consequências desses pensamentos para a recente conjuntura histórica e nacional. Quem não tem pena e raiva desse país não pode ser certo da cabeça.