«Jorge Costa viveu o ser sem-abrigo com total e contundente independência crítica. Mesmo quando conheceu a experiência de uma casa, estilo quase “Housing First”, manteve sempre a ligação à rua, a vivência da rua, a memória da rua. Daí a força do presente testemunho. Distanciado, na análise lúcida do seu percurso, no meio de tantos outros, tão diversos. Capaz de avaliar as fragilidades, mas também a coragem cívica de lutar, até ao fim, por uma causa que sabia coletiva.» Presidente da Républica, Marcelo Rebelo de Sousa in Prefácio
«Ao relatar a sua história, ele relatou a de tantos a quem viramos a cara quando nos cruzamos com eles. Talvez agora que o Jorge Costa já cá não está, ele tenha passado a existir não numa estrelinha a brilhar no céu – não há assim tanta utilidade para estrelinhas, pois não? - mas no olhar de todos os homens e todas as mulheres que vagueiam pelas ruas, ao frio, ao calor, à chuva, ao vento, sujeitos a violência, a fome, à crueldade de existir.» Nuno Markl
(Lido no Kobo) Ainda a digerir esta leitura. Um relato duro e muito corajoso de alguém que perdeu tudo e acabou a viver na rua. Um relato na primeira pessoa de alguém que foi sem-abrigo. As dores, a humilhação, a vergonha… sentir-se reduzido a nada. Fiquei com muitas frases na cabeça. Mas pouco há a dizer deste livro, porque o que quer que se diga ficará sempre longe das ideias que temos antes de o ler e da forma como vemos esta realidade no final. Se ainda não leram, aconselho a leitura.
”Fiquei imóvel no chão de cimento. A olhar para o céu. Tinha o corpo dorido e ainda estava tonto. Mas a maior dor era cá dentro. Sentia-me só. Perdido. Lembro-me de que permaneci ali estendido, fitando o céu e questionando-me se Deus estaria lá a olhar para mim. Não sabia. Queria chorar, mas não conseguia. Senti que estava morto. Não fisicamente. Senti uma coisa inexplicável que estaria algures morta dentro de mim. Fiquei assim, no chão. Não sei precisar durante quanto tempo, talvez uma hora. Mas finalmente algo aconteceu. Porque comecei a chorar. Consegui chorar. E levantei-me do chão, a pensar: “Amanhã é outro dia.”
Li pela primeira vez as crónicas de Jorge Costa no jornal A Mensagem. Longe de imaginar que iriam ser publicadas em livro, disse para mim mesma que se um dia o fossem, gostaria de ficar com um exemplar para a minha biblioteca. Uma recordação para mim, para ir relendo. Para emprestar a familiares, a amigos. Para dar a conhecer esta história e esta realidade aos meus futuros filhos e netos.
Gosto de pensar na história de vida de Jorge Costa como uma mensagem de esperança. No futuro. Mesmo nos seus dias mais negros, Jorge Costa dá-nos a receita para sobreviver neste ‘mundo cão’: a vida é acerca de esperança e de acreditar (nunca deixar de acreditar…) que melhores dias virão.
⭐️4.5 Enquanto lia este livro, pensei muito sobre o que escrever dele. Pensei em direcionar esta review para o Jorge e também pensei em escrever para os futuros leitores, como faço habitualmente. Mas nada que possa colocar em palavras terá o impacto e o tamanho deste livro. Se este livro tivesse um sentimento seria angústia - a que senti ao ler o livro e a que o Jorge sentiu ja sua vida que, não tenham dúvidas, foi muito maior que a minha.
"Olha, Zé, já tenho uma casa, vês? E tenho uma cozinha para fazer um petisco. Gostaria que estivesses aqui, meu amigo. Preparava-te umas moelas, que sei que adoras. Tenho uma casa de banho, onde podes fechar a porta e cagar de olhos fechados, sem estar preocupado com a mesma, como tu sonhavas. Tenho aqui uma onça de tabaco Amber Leaf, que adoras, e tenho mortas e filtros! Filtros, Zé! Não é cá tiras de cartão enrolado para fumar tabaco das beatas. Tenho máquina para lavarmos a roupa e tenho um frigorífico para guardar as sandochas e ter as bebidas fresquinhas! E posso ir buscar vinho sem ser de pacote! Roubamos uma nota de cinco ao meu RSI e compramos uma boa garrafa de vinho! E, à noite, podemos ir à esplanada beber um café! À patrão, Zé, como tu dizias! Os dois bem charmosos, limpos e cheirosos, a piscar o olho às miúdas, algo que dizias já ter vergonha de fazer! Penteados! Homens de novo! Que te parece, Zé? Se quiseres, dorme cá. De pijama, Zé! Eu dou-te um pijama! E podes deixar as tuas coisas na mesa da cozinha, porque na nossa casa ninguém nos rouba!"
..."O que é ser sem-abrigo? Significa termos de viver na rua, vinte e quatro horas, sem tudo aquilo que durante toda a nossa vida sempre tivemos ao nosso dispor como um dado adquirido. E sem as coisas simples e banais que todas as pessoas possuem."
Este livro é a compilação de algumas crónicas escritas por Jorge Costa no jornal Mensagem, um jornal local lisboeta. Jorge Costa era uma pessoa como todos nós, tinha a sua vida estável e que de um dia para o outro perdeu tudo, trabalho, casa e os chamados "amigos". Sem recursos começa a viver nas ruas de Lisboa, aprende a sobreviver a uma vida dura e onde as pequenas coisas que damos como banais, como por exemplo, cortar as unhas, são impossíveis. Este é um relato duro e muito realista do que é ser sem-abrigo e como é tão fácil virar a cara quando vemos alguém a pedir ou a dormir na rua, mas esquecemos que isto pode acontecer a qualquer um, até a nós.
"Vivemos numa sociedade sem empatia humana..." Essa empatia significa não permitirmos que um outro ser humano viva onde nós não conseguimos viver. Não permitirmos que um outro ser humano sobreviva de uma forma indigna que nós não toleramos na nossa vida. Seja quem for..."
O Jorge viveu na rua durante oito meses, foi alvo do desprezo, do nojo, da indiferença....
“Vou escrever sobre o que passei, vou relatar como se vive nas ruas, nem que caia no ridículo. Eu, felizmente, já saí das ruas. E sei o que sofri. Mas muitos ainda lá vivem! E estas crónicas são a voz de todos eles.(…) Espero, assim, que estas crónicas sejam um alerta e que, pelo menos, contribuam para que todos saibam o que é o inferno de sobreviver nas ruas. Sobreviver de formas que pessoas na nossa sociedade nem sequer imaginam viver, mas que pactuam diariamente com essa forma de sobrevivência. É aqui que está a raiz do problema.”
O "Diário de um Sem-Abrigo" é o legado do homem que deu voz aos sem-abrigo e que mudou a forma como olhamos o outro.
Que este livro, que se publicou a título póstumo, possa cumprir e perpetuar o seu propósito.
Depois de conhecer as crónicas escritas por Jorge Costa, nunca mais olharei para um sem abrigo da mesma maneira! Toda a gente deveria ler este livrinho! O Jorge consegue na perfeição transmitir-nos aquilo que viveu nos seus 9 meses de "sem-abrigo" pelas ruas de Lisboa e consegue despertar a empatia necessária para que todos nós tentemos ajudar estas pessoas a recuperar a sua dignidade! Porque poderíamos ser nós se as circunstâncias da nossa vida nos tivessem levado por esse caminho. Leiam! É importante!
Este livro é impiedoso e com graves efeitos na consciência de cada um (pelo menos na minha). Cobrou-me da solidariedade e empatia que achava que tinha. Perguntou-me, olhos nos olhos, quando foi a última vez que estendi a mão - para dar. Quando é que parei para ajudar? Conheceu do meu egoísmo e das tantas vezes que fechei os olhos - "não posso", "não tenho tempo", "tenho muita pena, mas não sei como ajudar". Senti-me desconfortável enquanto lia este livro e lio mais devagar do que o meu normal - para que o desconforto se instalasse. Questiono-me, muitas vezes, e bem antes de ler este livro, enquanto sigo caminho para a normalidade da minha vida, a que se deve a infeliz de sorte de alguns de nós passarmos por esta vida, nesta nossa única chance de nela ser e estar, com a sina de ter tão pouco? Aflige-me que sejam paisagem dos nossos dias. Aflige-me a minha hipocrisia, que levo a minha vida, feliz com a sina que me calhou na rifa, a lamentar o infortúnio dos demais, sem nada fazer para os ajudar.
“É tão fácil sentir empatia, não acham? Não estou a dizer com isto que eu, como indivíduo, mereça a empatia ou a generosidade de alguém. O que estou a dizer é em nome de todos os sem-abrigo. Aqueles que já foram e já não são, aqueles que ainda o são e ainda sofrem nas ruas e aqueles que eventualmente ainda cairão neste flagelo que ninguém merece, esperando eu que a nossa sociedade ponha um ponto final nesta condição de viver sem um teto. É essa a empatia de que falo. Empatia social. Essa empatia significa não permitirmos que um outro ser humano viva onde nós não conseguimos viver. Não permitirmos que um outro ser humano sobreviva de uma forma indigna que nós não toleramos na nossa vida. Seja quem for. Pode até ser um criminoso, porque até as prisões reúnem condições que os sem-abrigo não têm nas ruas.”
Este livro conta-nos a história de Jorge Costa, um homem que se viu na situação de sem-abrigo, e que assim viveu durante 8 meses. É um relato duro, que nos mostra a realidade e o dia-a-dia de um sem-abrigo. A leitura provoca, muitas vezes, um nó na garganta. Põe-nos a pensar em como somos nós perante os sem-abrigo... Como os olhamos, se os ignoramos ou se reclamamos por nos pedirem dinheiro... E depois, pensamos no Jorge... No que viveu e no que contou, e que, no fundo, retrata a vida de todos os sem-abrigo que nos rodeiam. Ninguém merece viver nestas circunstâncias e perder a sua dignidade! Por isso, que o desejo de Jorge, que já não está entre nós, se faça sentir... Que seja um "abre-olhos" para esta realidade!
"Eu sonhava somente ser de novo um ser humano e que me tratassem como tal".
Há livros que têm um mundo dentro. E há tanto a dizer sobre eles. E tanto a mudar, e tanto a fazer nas pessoas, em nós.
Este livro é um relato de quem viveu na rua durante quase um ano. Alguém que se viu, muito rapidamente sem emprego, sem ajudas, sem dinheiro para pagar o quarto onde vivia. Sem amigos.
Um relato impressionante de como é ter pouco no bolso, sem sítio para guardar os pertences que ainda possui, sem saber o que o dia lhe vai trazer. E a noite. E o medo. E a fome. Um relato de alguém que soube representar, escrevendo, as dificuldades de quem vive na rua. Porque a vida lhe foi madrasta, porque a empatia demorou a chegar.
Deixou-me a pensar. Quantas vezes passei por alguém e não quis ver?
Jorge Costa já não se encontra entre nós. A doença levou-o quando tinha conseguido sair da rua. Deixou-nos o seu testemunho. É para ler!
"A única coisa que eu tinha, quando tinha algum tempo, era apenas o sonho. E o meu era muito simples, muito pobre, muito básico. A forma como eu vivia é que me limitava a sonhar assim. Eu sonhava somente ser de novo um ser humano e que me tratassem como tal."
Li-o na Mensagem de Lisboa, reli-o agora em livro. E mesmo sabendo o que me esperava, foi impossível conter as lágrimas. Jorge Pires não escreveu como quem quer ser um grande escritor, não escreveu como quem se quer destacar, não escreveu para gostarmos da sua escrita ou da sua história. Jorge Pires escreveu tudo o que tinha dentro de si, sem rodeios ou freios, com uma escrita bela, triste e necessária. Das suas emoções, experiências e desabafos, saiu uma obra absolutamente essencial, ora linda, ora desesperante, que nos deixa a remoer por dentro, envergonhados com a falta de empatia que demonstramos a todas as pessoas que sobrevivem na rua, e a refletir a partir das nossas casas confortáveis e dos nossas camas reforçadas.
"Espero que este trabalho sirva, sentindo alguma ingenuidade ao dizer isto, para ajudar a pôr fim a sofrimento de quem ainda vive nas ruas". Também nós, Jorge. Também nós. Obrigado.
isto é recente e na minha Lisboa e acontece todos os dias à minha volta. absolutamente devastador. uma leitura rápida motivada pelo horror das histórias contadas e pelo pavor de me encontrar numa situação semelhante, apesar de me parecer completamente surreal (não é.)
Uma história difícil de esquecer. Obrigada ao Jorge, por ter posto em palavras esses seus oito meses de sofrimento e, ao fazê-lo, fazer-nos pensar tanto nos que saíram como nos que continuam nas ruas. Uma leitura obrigatória!
Não sei como se pode ficar indiferente a este livro. À forma como mostra e demonstra como, cada vez mais, perdemos a nossa capacidade humana de empatia. De fazer mais por questões sociais que são da responsabilidade de todos. Uma leitura a nunca esquecer.
Não se fica indiferente a este livro nem à forma como o Jorge Costa nos conta os seus dias de sem abrigo, onde antes de se perder a esperança e a dignidade, perdeu-se a empatia humana.
Comecei a ler este livro porque estava entediada numa espera nos CTT com mais de 20 senhas à minha frente. Pegar neste livro foi uma opção ainda melhor do que esperava porque agora habita na minha estante e de lá não vai sair. Deveria fazer parte do PNL, todos deveríamos ler.
Jorge Costa ficou desempregado, depois sem subsídios, depois sem casa, depois sem quarto, depois sem tecto. Demasiado novo para se reformar e demasiado velho para trabalhar, Jorge poderia ser qualquer um de nós, com pouca sorte. Viveu sem abrigo durante quase nove meses e conta através de crónicas a sua experiência.
Jorge deu voz a tantos outros e sensibiliza-nos para este problema social. Faz-nos perceber que nem todo o sem abrigo está na rua porque quer, que nem todos têm a mesma sorte que nós, que são pessoas sábias e com valor na nossa sociedade. Simplesmente não têm um tecto onde morar nem uma morada onde receber as cartas da segurança social.
O meu livro ficou todo sublinhado com frases que me marcaram, deixo-vos um exemplo: "(...) a maior parte das pessoas que me davam uma moeda não o fazia para me ajudar. Faziam-no para se sentirem bem consigo próprias."
⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ Uma leitura que me deixou sem palavras.
O Diário de um sem-abrigo não é apenas um livro — é um grito. Um alerta. Uma mão estendida que, ao mesmo tempo que narra uma queda abrupta, nos obriga a refletir sobre a fragilidade da nossa própria vida.
Jorge, o autor, convida-nos a ver o que quase todos fingimos não ver: a realidade dura, crua e invisível das pessoas em situação de sem-abrigo. Com uma escrita direta e despojada, partilha o seu percurso com uma lucidez dolorosa — sem vitimização, mas com a dignidade de quem quer ser ouvido, não julgado.
É um livro que dói. Porque nos mostra que ninguém está imune. Que basta uma sequência de azares — uma falência, uma perda, um abandono — e o chão desaparece. E quando isso acontece, o que mais fere é o silêncio à volta: os amigos que se evaporam, a família que se afasta, o sistema que empurra em vez de amparar.
Ler este diário é um ato de humanidade. É ver o outro. E, talvez, ver o que não queremos ver em nós.
Um livro que carrego comigo. Um testemunho que me atravessou.
"Porque a única coisa que tinha, quando tinha algum tempo, era apenas sonhar. E o meu sonho era muito simples, muito pobre e muito básico. A forma como eu vivia é que me limitava a sonhar assim. Eu sonhava só ser um ser humano de novo e ser tratado como tal."
"Sei que ninguém vai entender isto, mas parte de mim ficou nas ruas. Algo ficou lá e vai lá ficar para sempre. A miséria está lá também. A miséria existe. Nas ruas e dentro de mim. E essa miséria nunca irá sair cá de dentro."
"Um dia destes, dei por mim a pensar que se todos nós sentíssemos a miséria dentro de nós, talvez a miséria não existisse."
“eu, dantes, gostava de ouvir o som da chuva. claro, no conforto do meu quarto e ela a cair lá fora… agora, dormia ao nível de onde a chuva batia impiedosa mente e exposto ao frio. fechei os olhos e tentei dormir, mas o barulho da chuva e do vento simplesmente não me deixavam. para quem dorme na rua, o ruído da chuva desassossega, impor respeito, mesmo que estejamos abrigados. existe uma sensação similar ao medo.”
"Um dia destes, dei por mim a pensar que se todos nós sentissemos a miséria dentro de nós, talvez a miséria não existisse."
leitura obrigatória com o coração em pedaços. achei de muito mau gosto esta edição começar com as palavras desnecessárias do marcelo que não consegue escrever uma linha sem falar dele próprio. enfim, podemos ter muitas coisas boas nesta vida mas enquanto houver gente a viver na rua nada se justifica
A maioria de nós não sabe nem nunca saberá, por experiência própria, o que é ser uma pessoa em situação de sem-abrigo. Através das palavras do Jorge, com a leitura deste livro, temos a possibilidade de sentir um centésimo daquilo que se passa, daquilo que se sente e do que se pensa nunca situação dessas. Obriga-nos a refletir.
Daqui para a frente, olharei para essas pessoas com outros olhos. Pensarei de outra forma.
Obrigada, Jorge. E obrigada a todos os voluntários que fazem a diferencia na vida das pessoas que precisam.
Um pequeno, grande livro. É impossível não nos metermos no lugar do Jorge e não ficarmos maldispostos só de pensar na hipótese de estarmos numa situação igual à que ele esteve. Um registo muito honesto, muito cru de uma realidade em nada simples e fácil.
Já conhecia a história do Jorge quando vi a reportagem na televisão. Senti uma grande empatia pela luta que teve e por o que lhe aconteceu. Tantos Jorges que por aí existem e que deveriam ter tido ( no meio do azar ) a sorte dele!
Fiquei com pena de saber que tinha morrido e não conseguiu acabar o livro.
Que grande lição de vida nos deixaste. Deveria ser um livro de leitura obrigatória!
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Um livro de memórias escrito por alguém que viveu na rua, o Jorge Costa. É cruel, marcante e avassalador. A cidade pertence-nos a todos, e ainda mais a quem tenta nela sobreviver e encontrar abrigo.
Um testemunho brutal e imprescindível que procura iniciar uma conversa: o que é que podemos fazer, enquanto indivíduos e enquanto sociedade? Ninguém merece viver assim.
"Mas sempre sonhei. Sempre. Até quando dormia encharcado, cheio de fome e frio, e a cheirar que nem um animal. Sonhava sempre."
Um relato duro e tocante. Uma leitura que, por muito que já houvesse empatia da nossa parte sobre esta realidade, nos faz olhar com outros olhos para a situação dos sem abrigo. Recomendo a leitura