Jump to ratings and reviews
Rate this book

Com que se pode jogar

Rate this book
"Mas tem uma coisa no livro da Luci Collin de que gosto muito. É a não nomeação explícita do seu narrador de "integração", digamos. Aquele, ou melhor, aquela, que escreve. [...] Luci Collin mantém a integração do narrador como uma possibilidade extratexto, metatextual. Ana, depois do trauma vivido, cria as personas de Melanta e Lena, faz um jogo. Cria até mesmo uma persona para ela própria, a quem chama de Ana, como poderia chamar de qualquer coisa. Na verdade, o narrador integrado de Luci Collin, que é quem arma o jogo, não é nomeado.

Sei que o mundo vai cair sobre mim, mas acho a solução da Luci Collin mais sofisticada. Claro que eu podia considerar a não nomeação do narrador como um gesto de disfarce necessário para uma atuação na linha autobiográfica. Mas talvez porque eu também volta e meia não nomeie meus narradores, acho que há uma possibilidade mais bacana. A de uma resistência à ideia de identidade como algo fixo e estável."

— Elvira Vigna

140 pages, Hardcover

First published January 1, 2011

Loading...
Loading...

About the author

Luci Collin

45 books11 followers
Luci Collin (Curitiba, Paraná, 1964). Escritora, tradutora, professora universitária, musicista. Sua obra se destaca pela experimentação e pela abordagem de temas da pós-modernidade, como as metanarrativas e as crises identitárias. Transitando por gêneros como a poesia, o conto, o romance e o teatro, investe estruturalmente na musicalidade e na fragmentação textual.

Na década de 1980, Luci realiza curso superior de piano, além de um bacharelado em percussão, ambos na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Seu primeiro livro de poemas, Estarrecer (1984), publicado em Curitiba, é muito bem recebido pela crítica local. A partir de então, ela se enquadra com proeminência no circuito paranaense de autores, que reúne nomes de reconhecimento, como os curitibanos Dalton Trevisan (1925) e Paulo Leminski (1944-1989). Em 1989, forma-se em letras (português e inglês), na Universidade Federal do Paraná (UFPR), e dá continuidade à carreira acadêmica nesse campo.

Embora a autora abandone a música profissionalmente, sua formação musical a acompanha tanto na escrita literária quanto no trabalho de tradução. Em 2003, ela conclui doutorado em estudos linguísticos e literários na Universidade de São Paulo (USP), com uma tese sobre a poeta norte-americana Gertrude Stein (1874-1946). Também traduz textos do artista americano E. E. Cummings (1894-1962), cuja obra, assim como a de Stein, é reconhecida pelos efeitos musicais e pela sonoridade nos jogos de linguagem. A autora transporta vários desses elementos para sua própria ficção. Após o doutoramento, torna-se professora no Departamento de Letras da Universidade Federal do Paraná (UFPR), passando a contribuir para o ensino de literaturas em língua inglesa e sua tradução.

Uma parte da fortuna crítica investiga as articulações entre teoria musical e a escrita de Luci Collin. Assim como músicos e dançarinos utilizam ressonância, polifonia, repetição, cadência e espaçamento para produzir sentidos, Luci incorpora esses elementos ao texto literário, o que gera diversas possibilidades semânticas e estilísticas. Esses efeitos estão presentes no livro de contos Inescritos (2004), marcado pela experimentação sonora.

Outra linha interpretativa investiga as metalinguagens e conexões entre diferentes recursos estilísticos usados pela autora. Exemplos disso são as vozes literárias fragmentadas, que tomam forma por meio de rupturas e ausências no corpo textual. Em Vozes Num Divertimento (2008), Luci desconstrói ferramentas literárias tradicionais, como o discurso direto e o enredo coerente, com começo, meio e fim. O resultado é um conjunto de contos em que o leitor é obrigado a questionar o propósito da literatura e sua funcionalidade como veículo de expressão.

Um terceiro segmento da crítica volta os olhos para questões da pós-modernidade e das identidades na escrita da autora. Seus textos expõem conflitos identitários: as personagens femininas, por exemplo, confrontam normatividades e hierarquias atribuídas aos sexos, e, assim, denunciam as violências de gênero. O romance Com Que se Pode Jogar (2011), por exemplo, narra as histórias de três mulheres que vivenciam relações incestuosas, prostituição e violência doméstica. Os relatos compõem narrativas fragmentadas e sobrepostas umas às outras, em tom de denúncia social.

Luci aproxima-se de alguns nomes da ficção brasileira, como a escritora paulistana Beatriz Bracher (1961), a psicanalista carioca Livia Garcia-Roza (1940) e o jornalista fluminense Bernardo Carvalho (1960), autores que retratam sujeitos em busca de identidades perdidas, por meio de narrativas fragmentárias e relacionadas.

A escrita de Luci Collin é intimista e experimental. Embora não se restrinja a fórmulas e temas específicos, o uso de técnicas literárias inovadoras torna seus textos singulares, e permite atribuir-lhe um lugar de destaque na literatura brasileira contemporânea.

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
3 (20%)
4 stars
7 (46%)
3 stars
4 (26%)
2 stars
1 (6%)
1 star
0 (0%)
Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for Arthur Dal Ponte Santana.
123 reviews16 followers
March 27, 2025
Fácil e gostoso de ler muito pela qualidade técnica da Luci, que faz flutuar, em três narrativas desconexas (de início), temas e fios e jogos e coisas mais que amarram tudo no final de um jeito divertido e muito esperto.

Posfácio da Elvira ótimo e projeto gráfico da edição da Arte & Letra genial.
Profile Image for Gustavo Pitz.
219 reviews1 follower
January 6, 2025
Baita livro.
Não tira o leitor pra burro e nem cai no lugar comum da literatura "pedagógica" ou "necessária".
8.5/10.
Profile Image for Guilherme Eisfeld.
316 reviews4 followers
February 23, 2023
Luci é traiçoeira. Tentará te desvirtuar da história com subterfúgios, e quando você perceber será tarde, já estará pega, envolvida, amarrada. Três histórias que parecem desconexas e vão se unir somente na última página do livro. Estupendo.
Displaying 1 - 3 of 3 reviews