Para mim é super difícil avaliar um livro de contos, porque podemos adorar uns e detestar outros. Felizmente, não foi o caso. Houve apenas um que não gostei tanto (por gosto pessoal, apenas), e o meu favorito foi o último.
A antologia “Sangue”. O que dizer? A morte é central, vista de várias perspetivas. No seu sentido figurativo e no sentido literal, fundamentados no preconceito, na mente pessoal, na depressão, na opressão, na ganância, na esperança, na prisão, na libertação; a morte natural ou provocada; a desconstrução de crenças e a exaltação mitológica; a morte como suporte criativo… Todos diferentes. Terror!? Bem o terror baseia-se muitas vezes em aspetos da realidade. Não me senti aterrorizada. Mas, a sensibilidade de cada um é diferente. E a minha ficou “ferida” num conto mais repugnante do que propriamente aterrorizante. Portanto, a minha sensibilidade prendeu-se mais ao conto onde a morte tem um sentido figurativo... Também nem todo o sangue é sangue, no seu sentido literal ou humano. Aqui encontramos um conto que faz referência ao “Sangue de Dragão” Livia Borges (de uma planta muito especial – qual será!? – planta comum da região biogeográfica da Macaronésia, da qual faz parte o arquipélago da Madeira. Em destaque no Brazão da ilha do Porto Santo, pela importante associação histórica à ilha.
Não é, de todo, um género de obras que leia habitualmente, mas, com quanto orgulho, li o conto "O Homem Perfeito" de Catherine Neves! Bem arquitectado, bem escrito, com todos os condimentos para um conto de horror. Reconheci o trabalho e o talento da Catherine e fiquei tão feliz por ver que deu o pontapé de saída na publicação dos seus trabalhos! Venham os próximos!
Aprendi a apreciar contos quando me ensinaram como os escrever. Desde então, fruto da produção (mais ou menos) regular, mantenho uma necessidade de consumir este tipo de textos. É muito engraçado como conseguimos produzir tanto (no leitor e no escritor) com meia dúzia de parágrafos. Esta capacidade de espremer a essência do possível com palavras é uma arte delicada. É feliz a aposta no género conto, sendo esta relativamente esporádica pela maior parte das editoras, e de acesso condicionado a autores estabelecidos. Pequenas editoras têm sido pioneiras no verdadeiro impulso ao conto e a novos autores. @edicoestrebaruna é um exemplo com a publicação desta (primeira) antologia portuguesa, resultado de uma open call subordinada ao tema “Sangue”, que a intitula. Naturalmente, muitos dos contos assumem um tom sombrio, que me agrada. Apesar de ser quase óbvia a relação, alguns contos conseguem abordar o tema de formas alternativas, o que torna a leitura ainda mais interessante e diversa. As vozes encontradas são muito diferentes. Não escondo que tenho favoritos, mas quais são pouco importa. A escrita, e as histórias dirão coisas diversas a leitores diferentes, em momentos vários.
A provar a qualidade da obra, e o valor da aposta feita, está o prémio com que a obra foi recentemente galardoada: Grande Prémio Adamastor de Literatura Fantástica Portuguesa 2023, contando ainda com o conto galardoado com o Prémio Adamastor de Ficção Fantástica em Conto 2023 (conto “Anfitrite” de @mvaranda13) Atrevam-se!
Uma antologia de 16 contos de terror, todos de autores diferentes, centrados no tema "sangue". Fiquei bastante fã de principalmente quatro contos, que realmente pertencem à categoria de Terror: Matadouro, O Homem Perfeito, O Homem do Comboio e A Capoeira.
Apesar destes ótimos contos, há outros que, na minha opinião, não mereciam um lugar nesta antalogia. Têm finais apressados como se o escritor tivesse reparado que estava na última página e tinha que dar algum desfecho à história ou simplesmente a linha da história não tem nexo.
Assim, apesar dos quatro contos que merecem 5 estrelas, o livro como um todo, apenas vale 3.
Não é uma antologia tão memorável quanto as restantes.
Atendendo ao tema do sangue, há alguma previsibilidade associada e alguns denominadores comuns entre os vários contos. Há um ou outro que se destaca por quebrar o molde e querer ser algo mais que atirar sangue e vísceras para o leitor só porque o tema o pede.