Reservemos algum espaço para uma historieta pessoal , se não se importam. Das primeiras vezes que me cruzei com este autor, nas páginas dos jornais, de imediato bem classificado e com direito a prémios, pensei: olha um novo autor espanhol. Deve ser bom, é só encómios, que engraçado, um autor estrangeiro a entrar tão bem em Portugal. Deve ser basco, ou assim, porque o nome não soa totalmente a castelhano. E logo a seguir: mas isto é que é coincidência, ser tão parecido com G M Tavares. Realmente, todos temos temos um sósia algures, mas é curioso que o sósia do G M Tavares também seja escritor. Um escritor cujo doppelganger é escritor. Lendo-o agora pela primeira vez, noto bastante a irmandade que à primeira vista, adepto que sou das soluções complexas (não há em mim um átomo de engenheiro), me passou ao lado. Essa racionalidade (um aquilo que em mim sente está pensando, imposto ao descalabro do mundo, em frases que formam puzzles de si próprias), é muito aparentada ao modo Tavares, embora mais lúdica, menos escura. O autor que me deixa-me curioso, mas julgo que não terei começado pelo melhor. É uma ambição desmesurada que falha, este livro, ao tentar unir numa demanda amorosa os centros de vários clássicos da literatura (um cânone que bate muito certo com o meu, naquilo que me parece dever a uma certa coincidência geracional). Desagrega-se quer como fio narrativo, quer como glosa dos clássicos, quer às tantas na linguagem, belíssima no seu poder de criar paradoxos e jogos de linguagem mas acabando, em certos momentos, por se cansar a si própria. Hei-de ler outro, pelo menos.