Francisco Frade trabalha como assistente social em bairros difíceis, na periferia do Porto. Rodeado de pessoas com quem trabalha e de mulheres com quem fugazmente se relaciona, vemos abrir-se aquilo que o próprio designa buraco da realidade. Enquanto o seu alter ego Arquibaldo – super-herói da infância – se mantém à espreita, os fantasmas que o perseguem não lhe dão descanso. Acossado, faz uma peregrinação interior que o levará às suas raízes, em busca das respostas que lhe faltam. Com uma escrita envolvente, Carlos Tê apresenta ao leitor um romance que traz ao de cima as grandes inquietações de um tempo em constante mudança.
Não acho que se enquadre na categoria de "Romance". Parece mais uma série de excertos filosóficos sobre o conceito de humanidade, sociedade e necessidade de pertença. Mas percebo a ideia subliminar da narrativa. Também achei uma leitura difícil. Por várias vezes tive que voltar alguns capítulos atrás para poder perceber o que estava a ler... Como Assistente Social (que sou), fiquei languidamente extasiada pelo facto do autor conseguir retratar na perfeição o profissional dedicado, eficiente, reivindicativo, mas também angustiado e, por vezes, resignado, que reconheço em mim própria.
Um livro que cruza demasiadas vozes, temas, percepções e latitudes. Essa amálgama torna a leitura complexa e a interpretação plena dos capítulos difícil.