Como é que alguém pode saber o que se passa dentro da cabeça de uma mulher que foi educada para fugir à tentação? Uma mulata de cabelo rapado à beira de uma piscina, numa madrugada em Cuba. Um homem vindo de Bruxelas, na véspera de um casamento. Uma relação de sete anos e o medo do escândalo, numa terra de «gente austera e devota». Duas ilhas estanques no meio do Atlântico. O desejo louco de libertação. Um regresso inesperado a Paris. Dez anos na vida de uma mulher de sexualidade ambígua, em busca do seu rumo no mundo. Cuba Libre de Tânia Ganho
Tânia Ganho was born in Coimbra, in 1973, and starting writing at an early age. When she was 12, she won a national literary competition, "Ler Melhor para Viver Melhor", but it was only in 2005 that she decided to publish her first novel, "A Vida Sem Ti" ("Life Without You", Oficina do Livro), followed by "Cuba Libre" (Oficina do Livro, 2007), "A Lucidez do Amor" ("The War Wife", Porto Editora, 2010) , "A Mulher-Casa" ("La Femme-Maison", Porto Editora, 2012), and "Apneia" (Casa das Letras, 2020), a disturbing story about domestic violence and child abuse.
"Apneia" was semifinalist of the Oceanos Prize and finalist of the Bertrand Prize for Best Portuguese Novel of the Year. In 2021, Tânia Ganho won a six-month literary grant from the Ministry of Culture in order to write her next novel, set in Lisbon and in a wolf conservation centre.
In 2012, she won the Cidade de Araçatuba Brazilian Prize for best international short-story.
Tânia Ganho taught translation as guest lecturer at the University of Coimbra and has been working as a literary translator for the past two decades. She has translated authors such as Angela Davis, Maya Angelou, Amor Towles, Alice Walker, Leïla Slimani, Rachel Cusk, Chimamanda Adichie, David Lodge, Hervé Le Tellier, among many others.
She is regularly invited to participate in literary festivals and to give talks on translation and writing.
Desde pequena que tenho muita curiosidade em ir a Cuba. A música em especial é o que mais me encanta. Isto porque o meu Pai tinha por hábito ligar a aparelhagem aos fins-de-semana e a música cubana fazia parte do reportório do nosso DJ de fim-de-semana.
Ouvi falar muito da Tânia Ganho por causa do livro Apneia. Quando saiu, foram vários os blogs e as publicações de Instagram que deram a conhecer a publicação do mesmo. Tenho por hábito investigar um pouco sobre as obras dos autores antes de adquirir um novo livro e encontrei Cuba Libre. Aliás, a Tânia Ganho já tem uma carreira literária vasta antes de publicar o Apneia e fiquei curiosa por nunca ter ouvido falar nela. Verdade seja dita, a culpa é minha porque uma vez mais relembro que sou ávida leitora de publicações norte-americanas. Continuo a querer ler mais autores portugueses, em especial mulheres e não hesitei em comprar o Cuba Libre por esse mesmo motivo.
Pus de lado todas as outras leituras que estão em espera e quando o recebi em casa, comecei a ler. Infelizmente, o livro não me cativou como esperava e demorei cerca de um mês a terminar a leitura do mesmo. A premissa está lá: a Tânia Ganho dá enfase aos detalhes que nos transportam para o Portugal dos anos 90 e 00 - as coca-colas, as revistas para adolescentes, a Vanessa Paradis, a Britney Spears, Backstreet Boys, entre outras vedetas; os cinemas Castello Lopes e o Austin Powers, o Luís Represas, o Nobel do José Saramago e por aí fora. Mas é aqui o meu principal problema com este livro. Parece um relato destas décadas e não um enquadrar do mundo de Clara, a personagem principal.
A ideia está mesmo presente e o que me frustrou nesta leitura foi o facto de perceber o que queria ser transmitido com a história, mas sentir que o objectivo nunca é alcançado. Não consegui criar nenhuma empatia com a Clara e, a maior parte do tempo, detestei-a. Senti da parte da personagem uma vontade grande em diminuir o sexo masculino a traidores a tempo inteiro e sem escrúpulos.
A escrita é simples e leve, mas considerei que o trabalho de edição não foi bem feito dado que temos capítulos que se passam em Cuba, outros em Lisboa, Funchal e até em Paris; mas a meio do livro, os capítulos eram todos intitulados de Cuba 1994, mas apenas o primeiro parágrafo era passado em Cuba e os restantes retratavam a vida de Clara em Lisboa ou no Funchal. Isto por vezes confundiu-me. Desiludiu-me pelo facto de que senti que o livro em nada estava relacionado com Cuba, mas maioritariamente com Lisboa.
Ainda assim, quero dar outra oportunidade à escrita da Tânia Ganho.
Good book. It's a light one but I couldn't stop reading it. Perhaps because I identified myself with the language and with some moments lived by the main character.
Datas, nomes, estrangeirismos, empréstimos, revistas, viagens, becos, ruas, convencional, conventual, indiferença, diferença, diálogos mudos (super fantásticos), Madeira, Lisboa, os azulejos deslavados, a sardinha assada, a broa, santos populares, o casamento, o vestido de noiva, a identidade, o lesbianismo político, o pickpockets, socialclimber, sexo, luxúria, Frágil, Plateau, procura, as palavras ditas e rapidamente arrependidas, cosmoplita, terrorismo, Ídolos, Lara Fabian, metrossexual, Cuba, rumba, cola, Fidel, Busch, Zapatero, lisboa mais uma vez. Paris Negra, e por fim, a diferença, o preconceito e donos da diferença, da ambiguidade, perfeitos ilhéus sem vida, isolados de si e do mundo. Vale a pena, mas para quem é diferente.
Dou uma estrela extra a esta leitura graças à relação qualidade/preço... Este livro custa apenas € 3 (três euros!!!) e a Tânia Ganho é decididamente uma autora a ter debaixo de olho e a seguir.
Em Cuba Libre ficamos a conhecer 10 anos da vida de Clara, das suas escolhas, dúvidas, paixões, inseguranças e paixonetas. A Clara como personagem não incita a grande simpatia, é inconstante, cínica, volátil, insensível, previsível, tem-se em grande conta achando-se muito diferente e eu achei-a tal e qual muitas outras, só se redimindo ligeiramente quase no fim.
Gosto muito de algumas expressões e ideias, são precisas, certeiras e cruas. Uma pitada de humor negro que me agradou.
O grande defeito do livro para mim está na sua estrutura... Está muito mal organizado. Acho que na segunda parte do livro todos os capítulos têm o título de Cuba 1994 mas só o início do capítulo trata dessa período da vida da protagonista.
A dedicatória no início do livro é um resumo perfeito do mesmo.
A Clara encontra dois tipos de homens: umas bestas ou parvos acabados. Já as mulheres são todas umas sensualonas, só ela que é que não se decide e andamos nisto mais de 300 páginas, coloridas com eventos nacionais e internacionais dos anos 90 e dois mil.
O Fernando é um exercício para o marido do Apneia (se esta mulher se não anda sempre a escrever o mesmo livro está perto disso), o capítulo final parece um roteiro turístico de Paris [bocejo] e por fim ela lá se decide, num final aberto daqueles que a narradora tinha criticado há umas linhas atrás.
Que viagem. Com este livro regressei a Cuba (que me apaixonou completamente) e revisitei lisboa de tempos tão recentes e ao mesmo tempo tão distantes. Esta foi a minha 2a experiência com a autora e estou rendida à sua escrita.
Uma leitura fácil, mas um pouco desiludida... Depois de ler apneia, parece que não foi escrita pela mesma autora. Parabéns Tânia Ganho, a evolução foi excelente. Obrigada pela partilha.