Para Simon Tormey, professor e diretor da Escola de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Sydney, nas várias tentativas de definir o populismo, o que está claro é a centralidade da ideia de “povo”. Para os populistas, “o povo” é o sujeito da política, em oposição a qualquer classe social, grupo étnico ou nação. E o que motiva os populistas é o sentimento de que as necessidades ou interesses do povo estão em desacordo com as necessidades e interesses daqueles que governam, denominados de “as elites”. Será mesmo que a ascensão do populismo ameaça a democracia em todo o mundo? Em Populismo – Uma Breve Introdução, o autor discute de forma sucinta, porém altamente esclarecedora, pontos de extrema relevância para os dias de hoje com relação ao tema.
Algumas definições do que é e do que não é populismo e se o bolsonarismo pode ser considerado populista eram bastante vagas e opacas para mim antes de ler este livro de Simon Tormey. Com uma linguagem acessível ele explica e esclarece muitas dúvidas e mitos sobre o populismo, seja ele de esquerda ou de direita. Ele serve para explicar o que batizou de "crise democrática" que está ocorrendo na humanidade pós-neoliberal principalmente no século XXI, que veio no resclado da "crise econômica" e da "crise cultural", e que gerou a ascensão de diversas formas de populismo em várias partes do mundo. Populismo: Uma Breve Introdução proporciona a oportunidade ao leitor de usar essa palavra de maneira consciente sem acabar caindo nas armadilhas que o imaginário social e a memória coletiva têm preparado para o uso deste termo. O autor não somente fala sobre as acepções passadas e a origem do termo, como de suas bases principais para caracterizar um governo populista, assim como traça o populismo como um sitema que anda vai durar muito e que, diferente do autoritarismo, não precisa ser uma ameaça à democracia.