O contexto político e o momento histórico que permitiram a Jair Messias Bolsonaro, um inexpressivo deputado do chamado “baixo clero” do Congresso Nacional, chegar à Presidência da República do Brasil têm sido objeto de muitas análises nas mais diversas áreas do conhecimento. Em sua maioria, essas análises se debruçam sobre as condições externas que explicam a ascensão de lideranças populistas, como Bolsonaro, em meio ao recrudescimento de movimentos de extrema direita, alimentados por “posições antissistemas”, que caracterizam os chamados bufões da política. A perspectiva sociossemiótica apresentada neste livro trata o fenômeno “por dentro”, buscando entender como esses líderes populistas conseguem manter a fidelidade dos seus eleitores em meio a medidas muitas vezes impopulares e a comportamentos contraditórios com a posição de outsider que lhes são exigidos quando chegam ao Poder. No caso do presidente brasileiro, a estratégia geral envolve a construção de uma “ligação pessoal” com seus apoiadores, sustentada por um modo de ser forjado pela maneira como Bolsonaro se comunica e interage com eles, sobretudo, por meio dos seus perfis nas redes sociais digitais. Assumindo esta premissa, os autores desvelam o modo como Bolsonaro se constrói tanto como bufão quanto, ao mesmo tempo, como “homem comum” e “messias”. Suas estratégias exploram, de um lado, sentimentos de pertencimento, proximidade e presença e, de outro, o apelo ao conspiracionismo, ao caos e à desinformação.
Tomei conhecimento da existència deste livro através da lista de e-mails da COMPÓS e baixei-o gratuitamente no site da editora Confraria do Vento. Os autores, Yvana Fechine e Paolo Demuru, se debruçam sobre a figura do atual presidente Jair Messias Bolsonaro, para estabelecerm estudos semióticos, ou ainda, sociossemióticos sobre o que tal político representa para a sociedade brasileira e como ela se espelha nele e ele é espelhado nela. Os afetos são os principais eixos desta análise, inclusive sendo tema de um capítulo exclusivo. Os autores também trazem boas inferências sobre a faceta de homem comum que Bolsonaro tenta vender de si mesmo e sobre o messianismo que sua égide provoca no povo, bem como o populismo em que sua forma de governar e apelar para seus eleitores faz parte de sua imagem. Pandemia e desinformação também são temas de capítulos, vieses estes que estão extremamente atrelados dentro das práticas do governo Bolsonaro que tem destruído o Brasil de dentro pra fora.