Afinal, o que é populismo, palavra usada ad nauseam nos tempos que correm? Para responder a essa pergunta, Thomás Zicman de Barros e Miguel Lago reconstituem o uso do termo ao longo dos anos, por meio de profunda pesquisa em arquivos de imprensa e de formulações intelectuais a respeito da matéria, e mostram que, em meio a imprecisões conceituais, o vocábulo nem sempre teve a conotação negativa hoje dominante, tendo sido defendido e reivindicado por atores políticos no Brasil e no mundo. A história da polissemia da palavra, que ocupa a primeira parte deste volume, é seguida de caracterização do fenômeno e chega até um dos grandes debates da atualidade nacional: a aproximação, a partir justamente do populismo, entre Lula e Bolsonaro. Se os dois políticos poderiam ser líderes populistas, argumentam os autores, a simetria entre ambos é falsa e esconde a pluralidade que o termo abriga — e também a complexidade de sua definição Ensaio original e preciso, que articula teoria política, história brasileira e análise do discurso, este livro é mais que uma resposta para a dificuldade de fixar conceitualmente o populismo, ou melhor, os populismos. É uma reflexão sobre seu modo emancipatório, que pode ser importante artifício para enfrentar os desafios da experiência democrática.
THOMÁS ZICMAN DE BARROS é cientista político, professor e pesquisador associado ao Centro de Pesquisas Políticas da Sciences Po Paris. Doutor em teoria política pela mesma instituição, estuda a articulação entre política e psicanálise. É diretor do Grupo de Especialistas de Populismo da Political Studies Association de Londres. Publicou diversos artigos acadêmicos em revistas internacionais e escreve com frequência em veículos de imprensa.
Em minha pesquisa para a tese eu tinha evitado até então em mexer no vespeiro do populismo porque sabia que era um termo que tem muitas acepções, principalmente aquelas conferidas pela mídia em geral. Contudo, ao buscar leituras mais acadêmicas e atuais percebo que há um consenso de que não existe apenas um populismo, mas vários populismos, como atesta este livro de Zicman de Barros e de Lago. Nesta obra, os autores miram diretamente no advento do populismo no Brasil, analisando suas origens autoritárias a partir da República Oligárquica e dos governos de Getúli Vargas, passando por Jânio Quadros e pensando também as figuras de Adhemar de Barros e Plínio Salgado. Contudo, a análise mais profunda dos autores neste livro se dá sobre as atuações de Lula e Bolosnaro no campo polítio brasileiro, trazendo uma comparação de dois tipos de populismo, segundo os autores. O "populismo reacionário" estaria relacionado com as políticas de Bolsonaro, enquanto o "populismo libertário" faria referência à atuação de Lula. Um livro muito importante para entendermos a evolução desse tipo de governar no Brasil, em que as elites e o povo entram em choque, mas que nem sempre a noção desses polos antagônicos é a mesma.
Esse livro funciona muito bem como uma introdução ao tema populismo, mas também como uma breve introdução à história da política brasileira e uma análise política de dois atores da política nacional contemporânea.
Para mim, que estou começando agora nos estudos do populismo, é muito interessante verificar o lastro histórico do conceito, bem como as aplicações das teorias na prática.
O livro é didático e bem sustentado, tem argumentos bem desenvolvidos e uma construção lógica correta.
Não compartilho muito da sensação positiva por parte de um dos analisados, mas entendo que os autores estejam respondendo às assimetrias construídas nos últimos anos.
Eu adorei! Primeiro porque gosto desse assunto (n sei exatamente porque), segundo porque tinha lido alguns artigos mas muitas coisas tinham ficado confusas em relação ao populismo emancipatório , e q agora ficaram mais claras. Fora que sempre é gostoso ler alguém xingando o Bolsonaro com propriedade.
"Em um país com o passado escravista e patriarcal como o Brasil, precisamos de um populismo que seja transgressivo porque tira trabalhadores, pretos, indígenas, mulheres e pessoas de gênero não binário da margem da política e os traz para o centro da esfera pública. E faz isso incluindo-os num "povo" com fronteiras abertas, um povo que aceita a vulnerabilidade da sua própria identidade, que questiona o tempo todo a sua própria identidade para poder incluir mais gente."
Livro excelente. Bem escrito e os autores tem total domínio sobre o tema. Vale a pena ler e reler devido a sua importância para entendermos as eleições de 2022.