Passado ou presente. Ficar ou seguir em frente. Se apegar ou deixar ir.
Will vê fantasmas. Quase em todos os lugares, quase o tempo todo. Mais que isso, ele trabalha para uma agência especializada em resolver as pendências daqueles que voltam para que eles possam finalmente ir para a luz. É um trabalho importante. Coisas ruins acontecem quando fantasmas ficam tempo demais na Terra.
O único problema é que, escondido em seu apartamento, está o fantasma de seu ex-namorado. Pedro voltou e não tem intenção alguma de achar sua pendência, muito menos de ir embora. Will também não tem intenção alguma de deixá-lo ir. Se os dois fecharem os olhos, ainda que por um momento, quase conseguem fingir que a batida não aconteceu. Que Pedro ainda está lá, que os dois estão. Que tudo está bem.
Escalado para investigar um bar supostamente assombrado por um poltergeist violento, Will conhece Xavier, o violinista da banda que se apresenta lá algumas noites na semana. E Xavi — comprido, sorridente, sempre com as canelas de fora e um Gatorade de limão na mão — faz Will se perguntar, pela primeira vez em muito tempo, se não foi só o Pedro que parou de viver depois do acidente.
Conforme a investigação avança e Will é obrigado a passar mais tempo na companhia de Xavi, mais confuso tudo parece ficar. Entre músicas e risadas, caronas e madrugadas, Will não tem como negar que estar com Xavi faz seu coração bater de novo como antes. Talvez mais. E Pedro não está gostando nada disso.
Preso entre passado e presente, entre morte e vida, Will precisa decidir de que lado está. Aqui ou lá. Rápido. Coisas ruins acontecem quando fantasmas ficam tempo demais na Terra.
Para aqueles que vivem é uma história sobre amor, luto, os fardos invisíveis que nós carregamos e a coragem de seguir em frente pra se permitir ser feliz.
Esse livro foi um achado. Adoro histórias suaves e gentis e esse livro te tras uma paz durante a leitura que é perfeito para sair de uma ressaca literária ou depois de uma leitura pesada.
Will é um personagem muito realista, vivendo um momento melancólico entre o luto e o cruel fato de que seu ex está assombrando sua vida e, como um agente que lida com fantasmas e passagens para o outro lado, teme o dia que terá que fazer o mesmo. Ele é o que a gente espera: isolado, desconfiado e assustado com a noção de seguir em frente.
Acho que o que mais me cativou foi como os dois relacionamentos dele, com o pedro e o xavier se invertem, como Will aos poucos se permite apaixonar pelo Xavier sem sentir culpa ou remorso por seguir em frente; o jeito que o xavier se torna uma luz na escuridão que o Will se enfiou. Os dois passam por maus entendidos que são rapidamente solucionados, mentiras com consequências e muito orgulho do Will em fazer tudo sozinho que mais piora do que ajuda, mas completamente dentro do personagem.
O final é feliz e doce, mas um bom final.
Um dos poucos pontos baixos do livro é o tanto que o inevitável com o Pedro se arrasta. Muitos "quase lá" ou rachaduras na confiança de Xavier e como o Will consegue complicar coisas onde não precisava ou prolongar em cenas que, num geral do livro, não eram essenciais. Sei que criar conflitos com o casal principal é interessante, mas não o tempo todo e principalmente na reta final...
De todo modo, uma leitura que aquece o coração e faz você se sentir bem ao terminar. Escrita impecável e personagens muito bem feitos. Um leitura de um dia.
Como sempre, a autora cria personagens e uma narrativa completamente apaixonante e viciante. Gosto desse aspecto mais adulto que ela trouxe aqui, embora eu ache que dava para explorar um pouquinho mais a questão do trabalho do William e do relacionamento propriamente dito dele com o Pedro (sendo bem sincera, eu queria poder entender e sentir a mesma falta que o William sentia por ele), isso e o acidente em si, só tem um momento no livro que o acidente parece ressoar no Will como esse grande evento traumático que foi (e, tipo, ele tá sempre andando por aí de carro com o Xavi, ele nunca pensaria nesse outro evento traumático tão recente?). Falando do Xavi agora, um amor, não tem como não se apaixonar por ele, mas eu queria que ele tivesse algum conflito adicional que não fosse só o da Gabi e o relacionamento dele com o Will, ele não ter nenhum problema a mais (e sequer ter defeitos) deixa ele muuiiito perfeitinho (principalmente, considerando a vida fodida do Will). Acho que é um pouco demais também ter um epílogo e um capítulo bônus, mas eu gostei, mesmo não tendo aquele sentimento de “quero mais” no final que, sejamos sinceros, é torturante, mas maravilhoso de sentir ao mesmo tempo.
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