O Diabo, pela mão de Gonçalo M. Tavares, vem juntar-se ao mundo literário das Mitologias, um universo habitado por personagens que se movem num tempo e espaço indeterminados onde o referencial é aquilo que nos vai sendo contado. Aqui a verdade científica e a sua lógica pouco importam. Dotados dessa ampla liberdade, os leitores deambulam entre narrativas fantásticas que tanto actualizam explicações para um mundo em que vivemos como retratam traços marcantes da natureza humana que o habita.
É um espaço imaginário onde, entre muitos outros, se entrecruzam o diabo, a escola, os corvos e o trator, as palas com todas as suas limitações e virtualidades, o cemitério de aviões e a loucura, os direitos dos homens, o Grande-Armazém, o Povo-Armazenado, os três fios vermelhos, os Doze-Apóstolos, a canalização, os piolhos, o crânio de Olga, os nomes, Paris, os Nómadas, o Comboio e os Meninos, o Homem-que-Quando-Fala-Não-se-Entende-Nada, o crescimento de Alexandre (a linha recta). É um mundo de histórias e possibilidades quase infinitas em que um espaço ou uma máquina se podem transformar em personagem, mas é também um universo onde encontramos valores fundamentais, território privilegiado do mito, como o bem e o mal, o medo e a coragem, a tranquilidade e a violência, o desconhecido e o familiar.
Gonçalo M. Tavares was born in Luanda in 1970 and teaches Theory of Science in Lisbon. Tavares has surprised his readers with the variety of books he has published since 2001. His work is being published in over 30 countries and it has been awarded an impressive amount of national and international literary prizes in a very short time. In 2005 he won the José Saramago Prize for young writers under 35. Jerusalém was also awarded the Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa 2007 and the LER/Millenium Prize. His novel Aprender a rezar na Era de Técnica has received the prestigious Prize of the Best Foreign Book 2010 in France. This award has so far been given to authors like Salmon Rushdie, Elias Canetti, Robert Musil, Orhan Pamuk, John Updike, Philip Roth, Gabriel García Márquez and Colm Tóibín. Aprender a rezar na Era da Técnica was also shortlisted for the renowned French literary awards Femina Étranger Prize and Médicis Prize and won the Special Price of the Jury of the Grand Prix Littéraire du Web Cultura 2010. In 2011, Tavares received the renowned Grande Prêmio da Associação Portuguesa de Escritores, as well as the prestigious Prémio Literário Fernando Namora 2011. The author was also nominated for the renowned Dutch Europese Literatuurprijs 2013 and was on the Longlist of the Best Translated Book Award Fiction 2013.
Gonçalo M. Tavares nasceu em 1970. Os seus livros deram origem, em diferentes países, a peças de teatro, peças radiofónicas, curtas-metragens e objectos de artes plásticas, vídeos de arte, ópera, performances, projectos de arquitectura, teses académicas, etc. Estão em curso cerca de 160 traduções distribuídas por trinta e dois países. Jerusalém foi o romance mais escolhido pelos críticos do Público para «Livro da Década». Em Portugal recebeu vários prémios, entre os quais, o Prémio José Saramago (2005) e o Prémio LER/Millennium BCP (2004), com o romance Jerusalém (Caminho); o Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores «Camilo Castelo Branco» (2007) com Água, Cão, Cavalo, Cabeça (Caminho). Recebeu, ainda, diversos prémios internacionais.
Foi com este livro que conheci a escrita do autor, saí completamente da minha zona de conforto e que bem. Li este livro numa manhã e tenho aqui imenso que digerir. Vou querer ler mais sem dúvida. A minha opinião vai sair em vídeo em breve no Livros à Lareira com chá.
É o primeiro livro que tento deste autor e a escrita é cativante, fluida, estimulante. Contudo, suponho que não seja assim tão erudita porque toda a alegoria foi, para mim, exagerada. Talvez tente outro livro do autor um dia, que se enquadre noutro género.
Gostei Primeiro livro que li do autor Leitura rápida. Se consigo explicar do que se trata o livro? Não, mas gostei do que li, da escrita. Quero ler mais livros do autor isso ficou registado
O Diabo. Está nos pequenos detalhes. Mas também nos grandes.
O cão-tinhoso. Fareja a sua oportunidade. Fareja o caminho e guia na linha recta ao longo da vida.
O tentador. Arauto das falsas promessas. Tenta com promessas, trai com acções.
Gonçalo M. Tavares pede a nossa massa cinzenta e coloca-a numa trituradora. “O Diabo” não é uma obra fácil, não é também uma obra difícil. Requer tempo, requer atenção. Mas recompensa-nos pelo desafio mental que emprega.
Cada capítulo entrega-nos uma alegoria que simboliza e/ou identifica a acção do Diabo e, se não estivermos atentos, acaba por nos absorver de tal forma que nos obriga a reler. Cada alegoria transmitiu-me uma crítica pesada a um aspecto (ou sua totalidade) do extremismo, seja de direita, seja de esquerda, onde as “Palas-de-Cavalo” moldam o sentido crítico unilateralmente. Onde as acções tentam ser justificadas e creditadas, sejam boas, sejam más. Onde o certo é errado e o errado é certo, sem questão. Onde os valores de família deixam de ter acção e passam a ser mera palavra sem significado.
Alguns capítulos chocam pela escalada de intensidade “visual” imediatamente transmitida pela leitura e colocam-nos em perspectiva sobre o que acabámos de ler.
Acompanhamos também o crescimento de um menino, toldado pelo Diabo. De tão toldado, que o Diabo acabou por não ter quem o ajudasse. Afinal, quem é, ou o que é, o Diabo?
Gonçalo M. Tavares pede a nossa massa cinzenta e coloca-a numa trituradora e devolve-la, totalmente liquefeita.
“Os jardineiros riam-se muito. Estavam do lado de fora. Era o lado melhor, o lado bom, o lado onde os pés estavam no chão e a cabeça no sítio certo”.
Escrita brilhante (como todas as obras que já li de Goncalo M Tavares). Um conjunto de histórias interligadas que fazem o leitor refletir e interpretar conceitos, valores, direitos humanos, entre tantas outras coisas. Senti, à semelhança de outras obras do autor, que uma segunda e terceira leitura do livro me dariam ainda mais espaço para outras interpretações e reflexões. Recomendo vivamente a leitura!
Este foi o primeiro livro que li deste autor que já há muito queria conhecer. À primeira vista, é um bom livro e de leitura cativante, mas quando o vemos mais atentamente torna-se muito mais que isso. Gonçalo M. Tavares arrisca e petisca a fazer aquilo que poucos escritores fazem: agarra na maior parte das “regras” e “fórmulas” da escrita criativa, coloca-as no bolso, e reinventa-se a si e à escrita. Creio que o livro esconde nas suas metáforas, nas suas entre-linhas, muitos assuntos que podem ser transpostos para o mundo real, ou até outros que, sendo mais abstratos, possam ser utilizados para dar azo à imaginação do leitor. Mas também creio que a leitura deste livro pode não passar por isso. Não é de todo necessário que isso aconteça. A própria estética, o próprio mundo criado pelo autor, valem por si só, sem segundas leituras, sem análises semânticas, sem teorias. Ainda assim, para aqueles que o querem fazer, penso que uma segunda leitura se torna quase obrigatória, pois a cada leitura surgirão novas traços no chão pelos quais seguimos.
"Alguns loucos que estavam trancados naquele cemitério de aviões pensavam que o avião onde tinham sido presos ainda estava em pleno voo, e não tentavam a fuga, não por não terem força para arrombar as fechaduras mas por temerem a queda - que a fuga fosse afinal uma queda. E entre as muitas histórias que os jardineiros contavam, do que mais se riam era disso, do medo que os loucos tinham de cair, quando afinal o avião que os prendia não os levava a lado nenhum e estava pousado no chão, como um carro ou uma pedra."
"Quando se caminha durante muito tempo seguindo um traço no chão o corpo fica recto e forte como um traço vertical que não sente nem sofre; só odeia."
Livro de uma história de crianças, provavelmente, fundamentada e inspirada em contos e fábulas do mundo rural português (na verdade a minha imaginação ao ler aquelas páginas levou-me para ali). O Diabo, essa figura enigmática que abrange a sociedade de ponta a ponta, que serve de desculpa para tanta coisa e leitmotiv para outras tantas acompanha esta história, com personagens parecidas às canções de maldizer da idade média portuguesa. Ainda assim parece-me uma escrita bastante estilhaçada, é com certeza um estilo, mas não me cativa.
A escrita de Gonçalo M. Tavares surpreende-me sempre. Tem uma crueza muito própria, um aceder ao “feio”, ao “mal” sem uma leitura moral. Constata de forma clara e direta que ele existe. Neste livro, escrito de forma que poderei descrever como onírica, vemos o mal / ou o diabo, nas dobras do dia, nos filhos, nos pais, em personagens que vão surgindo como uma nova camada do sonho. Como o Homem-que-Quando-Fala-Não-se-Entende-Nada, um homem que falava muito mas cuja mensagem era imperceptível que acaba envenenando (matando) dezenas de pessoas “fazendo o bem”. Um livro cheio de ricas metáforas.
As usual, I devoured another book from this author. Fast paced, intriguing. I trully love the imagery created on this series (this was the first book of this Series I have read, but I will definitely catch up with the other ones). Surreal-Magical Realism, once you delete all the need for Plot and Ambient cohesion and just embrace Character development, you can't stop reading it. Read it on a 3 hour flight back home.
This is the most crazy thing I ever read. It is all metaphoric, everything means something else. This is absurd at a point where I was reading it aloud to my wife. Open a random page and you will understand what I am saying. Even though, it is worth your time, I guess. I do not know here, it gets really crazy at times.
Nem sei o que dizer... Acabei o livro e fui ler alguns dos comentários, especialmente os mais positivos. A conclusão a que cheguei é a de quem louva esta espécie de experiência esotérica só pode estar a sofrer do síndrome do rei vai nu: com receio de serem tomados por incultos, desatam a bradar que isto é a quinta essência da literatura. Não, não é!
Gonçalo M. Tavares, tecelão do Diabo. Foi o primeiro livro que li deste autor e quero mais. A escrita é uma mistura de Kafka e da arte de Salvador Dalí (será?). Com este livro, entramos num Universo que tem tanto de estranho como de actual. Brilhante!
" O diabo é o deus que acaba sempre por ser o eleito , no último momento, a não ser que o moribundo tenha amigos suficientemente maus e sádicos que o amarrem contra a vontade última do seu peso , com o dedo a apontar para cima "
Um sonho febril, no melhor dos sentidos. Merece uma releitura asap. Entretanto se não me encontrarem, estarei a devorar toda a obra de Gonçalo M. Tavares.
https://bibliotecamil.wordpress.com/2... eitura absolutamente fabulosa. Não há, nem tenho necessidade de vos dizer LEIAM POR FAVOR porque o próprio livro parece que já nos leva a isso só de olharmos para o mesmo. É verdade que ajudou bastante ter ido à apresentação da obra e ter ouvido o autor a explicar, a falar sobre o livro, mas li num serão, de rajada sem conseguir largar. Mas afinal quem é O Diabo? Sou eu? São vocês? É a humanidade travestida de maldade? É tudo e é nada é o que aprendemos com esta obra. O Diabo tem a força e é aquilo que a nossa índole quiser que seja. Pertencendo ao grupo literário das Mitologias do autor, encontramos personagens que tudo nos dizem e nada falam, mas agem como se tudo fosse real, mas sem o ser. Confuso? Nada mesmo, basta lerem para entenderem. A maldade está por todo o lado em todos nós e julgo que aqui, nesta obra conseguimos entender bem que tudo o que pensamos, fazemos, atraímos para tudo o que nos rodeia. Fica aqui o link para a Reportagem/apresentação do livro e leiam por favor, o Gonçalo é um escritor brilhante com uma mente ainda mais brilhante e agora quero ler mais dele (que esta obra foi a minha estreia).