Um livro bem curto, mas muito precioso. Clarissa traz uma preservação da cultura oral e das histórias sobre mulheres sábias, principalmente velhas, em seu livro. Um trabalho muito importante no meio de um esquecimento do que se foi conservado da sabedoria feminina produzida no decorrer dos séculos. A autora também traz um aspecto muito positivo em relação à velhice, visto que em nossa sociedade os idosos parecem cair numa relação com a morte de maneira extremamente negativa:
"de ser velho o suficiente para conquistar aquele
tipo de poder, ter idade suficiente para aquele
tipo de brincadeira animada, idade suficiente
para extrair tanta alegria só de observar,
ensinar, testar os jovens, aconselhar os de meia idade...
é, até mesmo de enterrar os mortos que
tinham amado tanto a vida inteira... viver tempo
suficiente para contar todas as histórias. Que
coisa admirável... ter idade suficiente para
receber tanto, em troca do tanto que se deu aos
outros, todo o amor que alguém um dia poderia
querer, só por ser sagaz, franca, esperta, firme e
amorosa."
Além disso, a autora fecha com nove preces que aquecem o coração e trazem muita luz. Você acaba se vendo em diversas fases e posições, jovem, velha, filha, irmã.
Acredito que sejam criticados trabalhos que reforçam uma espécie de essencialismo entre as mulheres, mas é, de fato, muito importante materializar e lembrar da cultura que foi criada por nós e que são passadas no decorrer dos anos.