Por quê temos tanta dificuldade de externar nossos sentimentos? As vezes os escondemos sob falsas indagações para fingir que não estamos sentindo.
Aurélio e Gracinda se conheceram ainda crianças, quando seu tio se casou com a mãe dela. Foram criados como primos, o que é bem comum. Mas para Aurélio, foi amor à primeira vista. Conhecê-la foi o momento mais incrível e o mais triste. Porque todos a tinham como membro da família. Era muito claro, que o senso familiar pesava sobre assunto e o medo da opinião alheia também. Mas como enxergar alguém como parte da família quando tudo que se via era a linda mulher que havia se tornado? Passou a evitá-la.
A vida seguiu e rotina também. Gracinda como toda moça em idade de casar estava a procura de um pretendente e ele tentava se conformar com a ideia de que ela seria a estrela na vida de alguém, mas que infelizmente não seria da dele.
Mas o destino resolveu brincar com as expectativas.
Seu avô Paulino entrou em contato com todos da família alegando estar morrendo e querendo vê-los antes do fim. Dramático? Que isso, nem um pouco.
Então todos viajaram para a casa dele, porém Aurélio e Gracinda acabaram ficando para trás e foram juntos. O que seria uma simples viagem se transformou em uma bela aventura que permitiu que eles se conhecessem de verdade, sem amarras e medos. Por quê se negar a um sentimento tão puro e verdadeiro por um mero detalhe?
É uma história que mostra que nós nos autosabotamos e deixamos nossas inseguranças criarem uma visão deturpada do real, usufruindo de um pré-conceito que de fato não existe, mas o medo de que ele possa existir nos faz parar e nem tentar.