The 1990s was the decade in which the Soviet Union collapsed and Francis Fukuyama declared the 'end of history'. Nelson Mandela was released from prison, Google was launched and scientists in Edinburgh cloned a sheep from a single cell. It was also a time in which the president of the United States discussed fellatio on network television and the world's most photographed woman died in a car crash in Paris. Radical pop band The KLF burned a million quid on a Scottish island, while the most-watched programme on TV was Baywatch. Anti-globalisation protestors in France attacked McDonald's restaurants and American survivalists stockpiled guns and tinned food in preparation for Y2K.
For those who lived through it, the 1990s glow in the memory with a mixture of proximity and distance, familiarity and strangeness. It is the decade about which we know so much yet understand too little. Taking a kaleidoscopic view of the politics, social history, arts and popular culture of the era, James Brooke-Smith asks – what was the 1990s? A lost golden age of liberal optimism? A time of fin-de-siècle decadence? Or the seedbed for the discontents we face today?
A História é uma presença distante na vida da maior parte das pessoas. Vemo-la na televisão e lemos sobre ela nos livros, mas o essencial das nossas vidas é ocupado pelas preocupações mundanas que nos interpelam aqui e agora.
Sempre me senti atropelada por esta coisa das gerações e dos arquétipos geracionais. Espiritualmente encalhada entre os fins de 80 e os princípios de 90, sou demasiado nova para me enquadrar na Geração X, e sou demasiado consciente de mim mesma para me enquadrar na Geração Millenial. Consequência: faço parte da horda de meninos perdidos que nascem no dealbar de uma nova década — filha de tempo nenhum, sustida num limbo entre o Tamagotchi e o Facebook. A vida consegue ser solitária para quem assiste do purgatório geracional, mas este também pode ser um lugar privilegiado de onde espiamos aqueles que, ao contrário de nós, se fizeram aos papéis que lhes cabem, e daí podemos navegar por várias décadas libertos da bagagem que outros, melhor feitos à sua época, carregam. Posto isto, claro que explorar a década de 90 havia de ser uma paragem obrigatória nas minhas leituras.
Um dos debates históricos centrais sobre os anos 90 procura perceber se devemos encarar esta década como uma idade da prata perdida (não foi de certeza uma idade do ouro, mas, ainda assim, consideramo-la melhor do que a idade de latão que temos agora), uma era de tolerância liberal e consenso político, ou como o canteiro para os descontentamentos civilizacionais que enfrentamos hoje. Depois de muita reflexão e vários anos de diligente pesquisa, posso finalmente revelar a resposta: sim e não; ou seja, é as duas coisas e nenhuma delas.
É desta forma paradoxal que abre a reflexão sociohistórica que compõe a década de 1990 — balizada entre a queda do muro de Berlim e os ataques do 11 de Setembro (portanto, uma década meramente formal na sua definição numérica). E se esta lógica é pertinente, é também ela que abre as primeiras hostilidades: é possível ou desejável partir numa análise semelhante? Faz sentido balizar a história e, fazendo-o, ignorar as convenções temporais firmadas? Arrisco dizer que faz perfeito sentido mandar a conveniência das décadas ao diabo quando falamos de história (só a limitação humana nos leva a compartimentar o tempo). Quando o fazemos, podemos conseguir uma imagem bastante mais abrangente e sustentada da realidade. O esquecer das convenções permite ainda outra coisa: abarcar dimensões e categorias históricas e culturais normalmente subestimadas. E abrir uma brecha na tese do "fim da história" — o limite para lá do qual tudo acontece num imenso loop de eventos repetidos. James Brooke-Smith aposta forte nessa descategorizacão (frustrando qualquer tentativa de localizar eventos dentro de marcas temporais) e isso permite-lhe relacionar criticamente política, arte, tecnologia, cultura popular e religião como um organismo único e pluricelular que se autoalimenta. Resulta daqui que as reflexões feitas em Os delirantes anos 90 atuam como peças que, em dominó, empurram constantemente as vizinhas. É isso que explica que, num tempo de relativa — estas coisas são sempre relativas — paz e prosperidade como a década de 90, se tenha assistido simultaneamente à derrocada e reabilitação de regimes fascizantes, a armistícios e novos dealbares de guerra, ao apogeu da liberdade de pensamento e ao nascimento da tirania tecnológica. Mas, acima de tudo, é esta leitura da história, enquanto sistema causal, que permite analisar a década de 90 como a epítome da circularidade histórica:
Na conferência do Partido Trabalhista de 1996, Blair fez questão de ser fotografado junto de Noel Gallagher, vocalista dos Oasis, uma das mais importantes bandas da Britpop, tal como Harold Wilson, o líder anterior dos trabalhistas a conseguir uma maioria parlamentar, apareceu ao pé dos Beatles, em 1964.
E, consequentemente, é a noção de circularidade histórica que permite aferir o valor nostálgico que impragnou aquele que foi, por excelência, um tempo definido pelo estilo retro e pela ironia autoconsciente. Claro que a coerência retrospetiva reforça uma leitura algo romântica e segura dos anos 90 — os anos 90, como foram vividos na europa ocidental (e a localização geográfica nunca é inocente), não se descolam de um sentimento exacerbado de segurança (política, sexual, social, cultural), mas este, como sabemos, revelou-se perverso: as aspirações, o otimismo, as promessas feitas nesta década saíram, quase todas, goradas. Mas, pelo menos para quem cresceu nestes anos, a luz ao fundo do túnel persistiu. Os meninos perdidos da década de 90 são saudosistas, melancólicos, sonhadores (não confundir com conservadores); vivem com um pé no dia de hoje, outro no amanhã e o coração amarrado ao dia de ontem. O limbo, afinal, é entre o passado que conhecemos e o futuro que queremos, desesperadamente, descobrir (mesmo que façamos a viagem de livro na mão e não com um telemóvel). Ou serei só eu?
temos nostalgia de um tempo que estava ele próprio enredado em nostalgia, embebido em cultura retro e estéticas revivalistas, um tempo assombrado pelos seus próprios fantasmas de eras de esplendor perdidas e de épocas em que as coisas eram mais simples. Temos nostalgia de um tempo que já estava fora dos eixos, como todos os tempos estão. A nostalgia é uma armadilha; mas a memória, irmā mais velha da nostalgia, é a condição essencial para que exista conhecimento e a fonte, pelo menos em potência, da sabedoria. O exercício da memória histórica enfrenta novos desafios no século XXI.
Nice book. It was interesting to understand the war in Kuwait and the path to Iraq. I was very young at the time and it was enlightening. However, other references I don’t have because I am Portuguese. Still, some of them that was a reference for my family, gave me the opportunity to see some movies that I did not know. Easy to read. Very nice.
I fully expected this one to be much different than it actually ended up being, but in a very good way. Brooke-Smith's definition of the 90s is interesting, focussing on a deeper level into the inconsistencies of the decade (such as how we now feel nostalgia for an era that was defined by nostalgia of other eras...), as well as its more endearing aspects.
The title is misleading: this is not a history of the 90s but rather an essay ON the 90s, or rather on different topics (rave culture, gaming, Clinton's and Blair's Third Way politics, Young British Artists, dot-com bubble, Millenium Bug, apocalyptic cults etc) that, taken together, give the reader an obviously incomplete but interesting picture of what it was like to be there at the time. If you are old enough to remember the 90s, this is going to be a good trip down memory lane. If you aren't, it'll probably make you curious to find out what some of these things really were about.
As for me, the part about the Baywatch opening theme brought me back to my own private 90s in a split second.
It was a nice overview of pop culture during the 90's. It's a bit US/UK centered, but it covers a good range of topics: there's the first Iraq war, rave culture, the art scene, apocalyptic cults, Princess Di, the Internet starting to loom over everything. All in all, an interesting read.