O snob caracterizado neste livro é alguém pobre ou rico, de condição social elevada - ou que assim se considera -, pertencente à alta sociedade e com raízes na nobreza, a quem qualquer outra forma de estar pode causar reserva, enfado ou desdém, e cujos hábitos, predilecções, comportamento e léxico se constituem por um conjunto de regras e códigos vitalícios muito exclusivos, imediatamente reconhecidos pelos pares, que podem abespinhar outras «tribos» pela presunção de excelência.
Em Portugal, como em todo o mundo, o grupo é fechado, sóbrio e discreto, situando-se nos antípodas, por exemplo, do jet set, de que em regra se demarca, horrorizado pelo espalhafato da sua conduta, a vulgaridade do seu gosto e o alarde dos seus bens.
Para caracterizar o exemplar português, a escritora Rita Ferro, criada nos mesmos ambientes e sempre provocadora, oferece-nos agora um retrato cirúrgico de como fala e se comporta um verdadeiro snob, sob a forma de um dicionário, ilustrado por Sérgio Condeço, revelando os segredos e mistérios de um tipo de vida que sobrevive, quase incólume, a toda a modernidade.
Rita Roquette de Quadros Ferro nasceu em Lisboa, a 26 de fevereiro de 1955. Iniciou a sua carreira literária em 1990 com a publicação do romance O Nó na Garganta. Estudou design e foi professora de Publicidade. É filha do escritor e filósofo António Quadros e de Paulina Roquette Ferro e neta de Fernanda de Castro e António Ferro, ambos escritores. Publicou, entre outras obras, O Vento e a Lua, O Nó na Garganta, Uma Mulher Não Chora, Por Instinto, etc.
Tem colaboração dispersa na imprensa, nomeadamente na revista Ler e nos jornais Diário de Notícias e A Capital.
Achas que não és snob? Lê este livro ... Uma coletânea de expressões e atitudes que só os snobs o fazem com toda a naturalidade e espontaneidade. Talvez por viver e estudar por Sintra e Cascais, descobri que sou uma Snob do pior!! Expressões como: “encanitar”, “era o que mais faltava”, “estás a gozar”, “grupeta”, “hoje não estou muito católico”, “linha que separa”, “medonho”, “merda”, “muito gosto”, “não acredito”, “não acho normal”, “não digas asneiras”, “não há pachorra”, “não seja tonta”. Ter “quartos de brincar” e “quartos de vestir”, tomar o “piqueno-almoço” são outros preciosismos de snobs.
Algum humor, mas muito aquém do esperado vindo da Rita Ferro. Algumas histórias interessantes … mas ! Já li outros livros de autores estrangeiros sobre o tema , mais bem conseguidos. Tive pena 😔
Devido ao tema em questão, não se esperava literatura, mas podia haver um mínimo de precisão histórica ao falar de Marcelo Caetano (que não foi deposto em 1975, mas sim em 1974, no dia 25 de Abril) e sobre Salazar, cuja residência de Verão era o forte de santo António da barra (e não são Julião) e que não era seu, mas do estado. Não percebo se a autora não sabe, se fez de propósito ou se cometeu estes lapsos, mas ao editar livros, alguém na editora tem que os rever.
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Adorei conhecer esta estirpe de exclusividade onde só os próprios se levam a sério. As regras, os "fechar de olhos" a tanta coisa, o que se diz e o que nunca se menciona. Ainda dei algumas gargalhadas pelas "mortes súbitas" que podem acontecer aos mais fracos de coração perante tanto possidónio a caminhar sobre a terra...
Poderia ser um interessante estudo sociologico, mas como a autora diz nem ela têm essa pretensão. Alguns factos engraçados, algumas coisas interessantes mas principalmente um livro que é bem disposto e permite uns sorrisos e algumas gargalhadas, para todo o sempre fica o nome de todas as manas Jardins.