Gaza, terra da poesia é uma antologia que reúne poemas de 17 jovens poetas nascidos em Gaza, na Palestina, dentre os quais o organizador da coletânea, Muhammad Taysir. O livro foi publicado em Beirute, em finais de 2021. Esta edição brasileira é a primeira tradução da obra; um fato que constitui um ineditismo editorial: um livro árabe contemporâneo, um livro de poemas especificamente, tem como primeiro destino estrangeiro o Brasil de língua portuguesa. A tradução é uma iniciativa do GTPAC – Grupo de Tradução da Poesia Árabe Contemporânea, coletivo coordenado pelo poeta e tradutor Michel Sleiman, professor de Língua e Literatura Árabe da USP, ao lado de alunos e ex-alunos da Graduação e da Pós-Graduação.
Amal, Mona, Fatima, Hiba, Bassman, Muhammad, Hachim… os poetas de Gaza são jovens, não têm mais de 30 anos, mas sua poesia impacta. A maturidade dos versos talvez seja fruto de uma vida amadurecida às pressas, agarrada a um sentido urgente que faz da infância apenas um prelúdio. São jovens também seus tradutores: Alexandre, Beatriz, Felipe e Maria Carolina, lapidados na frequentação da língua que estudam e da linguagem que depreendem dos versos da novíssima poesia árabe, ao lado do próprio Sleiman e de Safa Jubran, time de colaboradores que os leitores e seguidores da Tabla já conhecem.
Gaza, terra da poesia, muito mais do que um livro, é um projeto coletivo organizado pela Tabla e seus parceiros. Todos os envolvidos doaram seu trabalho em prol de um mesmo objetivo: evidenciar a rica produção cultural e literária de Gaza. Todo o dinheiro arrecadado com a venda dos livros será revertido para o Tamer Institute for Community Education, uma instituição não-governamental, sem fins lucrativos, fundada em 1989, sediada em Ramala, na Palestina, e que trabalha com literatura e educação em todo o território, inclusive Gaza.
A versão física da já clássica antologia de poemas palestina: Gaza - Terra de Poesia voltou a se reimpressa pela @editoratabla e o dinheiro das vendas vai para um centro de educação na Palestina. É pouco o que podemos fazer diante do genocídio, mas toda ajuda é bem vinda. O livrinho é maravilhoso, dá voz a tantas vozes tão ceifadas há décadas por um meio que nos leva ao gozo estético reverberando o horror do ambiente de guerra.
poesia definitivamente não é um dos meus gêneros favoritos, mas eu posso dizer que gostei bastante desse livro. a melhor qualidade dele consegue, ao mesmo tempo, ser o seu maior defeito. ter diversos autores tornou a leitura mais intrigante, mas também contribuiu para a diminuição da nota. são escritas diferentes, algumas me agradaram bastante e outras nem tanto, mas posso dizer que no fim formou um bom conjunto.
“Como era penosa a vida da estátua — permanecer calada o tempo todo — e como será terrível a vida da madrinha, tentando contar a um poeta tolo "onde deus se meteu". Mas no fim o psicólogo lhe prescreve alguns calmantes e que pare de ler livros”
não sou uma boa apreciadora de poesias, mas os versos desse livro traz muita sensibilidade sobre a dura vivência do povo palestino, que insiste em permanecer de pé em meio ao genocídio. aqui encontram-se temas que fogem da guerra e do sofrimento da Palestina, como o amor, a juventude, a busca pelo prazer, dentre outras coisas que são comuns a nossa vida. o último autor foi o meu favorito. segue um trecho:
"Entre mim e o mundo há uma barreira que as palavras não atravessam, mas... ainda sou do jeito que me conheceu a poesia me conforta, a música me faz chorar."
Potente, Gaza, terra da poesia trás luz às vozes e suas histórias de um povo que muitos querem silenciar. Uma obra delicada e forte que se é necessária não só nos dias atuais e na história da população Palestina, mas na história da humanidade.
— Esse trecho aqui me pegou muito, não consigo parar de pensar nele. Faz parte da poesia 'Esperando por você' de Ahmad Assuq.
"Uma semana e tudo vai acabar vamos ficar bem... O mundo vai abrir o jornal e vir correndo nos socorrer."
Alguns textos são especiais. Livro importante... ainda mais depois dos últimos meses. Bonito ver que até na guerra tem espaço pra amor, desejo, sonhos... o cotidiano. Queria isso pra eles, que tivessem o direito ao cotidiano respeitado, o direito a sonhar... a viver.
Lindo e necessário Eu esperei TANTO para ler esse livro, e ele não me decepcionou. Os poemas são tão lindos, tão tocantes. É simplesmente impossível ler e não se emocionar, ainda mais sabendo dos horrores que assolam Gaza e Palestina.
É muito importante incentivar a leitura de livros como esse, para nós fazer lembrar que países árabes são muito mais que "só guerras". São cheios de cultura, arte, amor, beleza... e essas vocês precisam ser ouvidas, já foram silenciados demais.
Obrigada, Editora Tabla, por uma obra tão linda! Ansiosa para ler mais livros do catálogo da editora.
E, só para não perder o costume: do rio ao mar, PALESTINA LIVRE E SOBERANA.
“Agora sob o bombardeio nós seremos heróis, mas quando a guerra terminar vou convidar você para dançar, só nós dois, sem a companhia de uma bomba inesperada, sem nos assombrar um artefato no céu.”
Belo e forte, assim como Gaza e sua gente. Me deu gosto ler poesias sobre a vida "normal", sem bombardeios e violência, e espero muito que chegue o dia em que a Palestina será livre.