1942, Étretat. Na vila ocupada pelo exército nazi, uma criança vagueia sozinha pela casa à noite. A mãe é alcoólica e prostitui-se, o silêncio que o rodeia subjuga-o. Até que conhece Alice entre as estantes da biblioteca.
Verão de 1967, Paris. O famoso escritor Henri Benoît procura a sua redenção. Após anos de luta contra o alcoolismo e vícios, relações falhadas e páginas em branco, aceita o convite para lecionar na Universidade de Sorbonne. Respira-se mudança, é a véspera da revolução.
Inverno de 2001, Porto. Jean-Luc Garrel, um jornalista de meia-idade amargurado e dependente da bebida, regressa à cidade à procura de um livro maldito. No dia anterior, soube da morte de Henri Benoît, seu antigo professor na Sorbonne. A notícia abalou França: o polémico escritor estava desaparecido há mais de trinta anos, desde os eventos revolucionários de maio de 1968, momento em que foi despedido.
Esta é a história de um homem e da sua escrita através das décadas, onde os dias e as memórias se confundem e perdem, e a sua busca vã de compreender o tempo e o ser, o alcance dos erros, a empatia e o amor. Porque nem sempre é fácil perceber onde acaba a realidade e começa a ficção.
Porque desapareceu Henri Benoît durante trinta e três anos?
Miguel d’Alte is a Portuguese writer, born in 1990 in Porto, the city where he lives and writes. He holds a Master’s degree in Finance from the University of Porto and worked in the financial sector for nearly a decade before fully committing himself to literature. He has lived in the Czech Republic, France, Angola and Luxembourg — experiences that have shaped both his worldview and his writing. Alongside literature, his passions include travel, history and rock ’n’ roll. He has two dogs, Buk and Lolita. He studied fiction writing and screenwriting. His main literary influences include Charles Bukowski, Michel Houellebecq and João Tordo, and, within the thriller genre, Joël Dicker and Nordic crime fiction. In September 2022, he published his debut novel, "O Lento Esquecimento de Ser", set in Paris during May 1968. In October 2023, he released "Os Crimes do Verão de 1985", an acclaimed thriller centered on a cold case, marked by a claustrophobic atmosphere, which is set to be adapted for the big screen. His third book, the novel "A Origem dos dias", was published in September 2024 and was named by Jornal de Letras as one of the best novels of the year. In November 2025, he published his fourth book, "Todas as Famílias Felizes", a crime novel about the disappearance of a twelve-year-old child in Porto.
Miguel d'Alte é um escritor português. Nasceu em 1990, no Porto, onde reside. Mestre em Finanças, formou-se na Universidade do Porto e trabalhou na área financeira durante cerca de uma década. Viveu na República Checa, França, Angola e Luxemburgo. Persegue as suas grandes paixões: a literatura e a escrita, mas também viajar, a história, o rock 'n' roll. Tem dois cães, Buk e Lolita. Estudou escrita de ficção e guionismo. Elege como suas principais influências Charles Bukowski, Michel Houellebecq e João Tordo, e, no género thriller, Joël Dicker e os policiais nórdicos. Em setembro de 2022, publicou o seu primeiro livro, "O Lento Esquecimento de Ser", um romance ambientado em Paris durante o Maio de 1968, e, em outubro de 2023, "Os Crimes do Verão de 1985", um aclamado thriller sobre um caso arquivado, de ambiente claustrofóbico, e que será brevemente adaptado ao grande ecrã. O seu terceiro livro, o romance "A Origem dos Dias", foi publicado em setembro de 2024 e considerado no Jornal de Letras como um dos melhores romances do ano. Em novembro de 2025, publicou o seu quarto livro, "Todas as Famílias Felizes", um romance policial sobre o desaparecimento de uma criança de 12 anos, no Porto.
Porque é que os escritores são pessoas tão solitárias?... Não sei ao certo, talvez porque correm atrás de sonhos egoístas, como quererem ser lidos, imortais ou famosos. No entanto, se calhar, quiseram ser escritores por serem pessoas solitárias."
Este livro começa em Paris no dia 8 de Março de 2001, num artigo de jornal é comunicada a morte do escritor Henri Benoît, vencedor do Prémio Goncourt de 1962, que desapareceu misteriosamente após os acontecimentos revolucionários de Maio de 1968. Durante 33 anos Henri viveu incógnito na cidade do Porto longe da vida que levava em Paris. Com o recurso a saltos temporais, entre 1942 e 2001, vamos conhecer mais intimamente Henri, a criança solitária e completamente negligenciada pela sua mãe alcoólica, que procurava refúgio e companhia nos livros da biblioteca local; o adolescente que se apaixona por Alice com quem partilha o amor pela literatura e finalmente Henri na idade adulta, quando chega a Paris para concretizar o seu maior sonho: ser escritor. Na procura desse sonho, Henri torna-se um homem egoísta, melancólico e um alcoólico completamente desiludido com a vida que leva. Este livro de estreia de Miguel D'Alte está escrito com uma lucidez e fluidez irrepreensíveis, é uma narrativa directa e muito concisa que torna esta história tão envolvente e cativante, onde nem tudo é o que parece, é uma história com várias camadas e com um final surpreendente e inesperado.
Esta é a história de Henri Benoit, um escritor que, depois de três livros publicados, um dos quais premiado com o conceituado Prémio Goncourt, desaparece durante mais de trinta anos.
De 1942 a 2001, através de saltos temporais, vamos conhecer a vida de Henri. A infância, a busca pelo seu sonho, os amores, as pessoas que com ele se foram cruzando, a decadência, o exílio e os acontecimentos que marcaram a sua vida e as suas escolhas. Atravessa vários momentos marcantes da história contemporânea europeia, misturando ficção e realidade de forma exímia.
Um livro dentro de outro livro. Muito bem escrito, é uma leitura viciante, envolvente, e uma história surpreendente.
Este é o primeiro romance de um novo autor português, Miguel D'Alte, que vale a pena conhecer. Vou ficar atenta aos próximos.
"Sabem o que mais me custou ouvir até hoje, desde que me tornei um escritor conhecido?perguntou. A verdade... a verdade sobre mim próprio... Portanto, se querem ser escritores,têm de começar por ai e perguntarem a vós próprios se um dia quererão ouvir essa verdade . É um dos momentos em que caímos,mas não só. Caímos mais vezes. Caímos sempre que uma noite de escrita corre mal. Caímos quando recebemos uma carta de rejeição. Caímos quando o nosso trabalho é criticado. Caímos quando falhamos os grandes momentos da vida porque os passamos a escrever,mergulhados na Literatura, ou quando as pessoas que amamos nos deixam. Caímos quando, no meio disto tudo, não nos reconhecemos ."
O lento esquecimento de ser de Miguel D ' Alte
1942, Étretat. Na vila ocupada pelo exército nazi, uma criança vagueia sozinha pela casa à noite. a mãe é alcoólica e prostitui-se, o silêncio que o rodeia subjuga-o. Anos mais tarde Henri Benoit e a sua amada Alice, vão para Paris atrás do sonho dele de ser Escritor. Inverno de 2001, Porto. Jean-Luc Garrel, um jornalista de meia-idade amargurado e dependente da bebida, regressa à cidade à procura de um livro maldito. No dia anterior, soube da morte de Henri Benoit, seu antigo professor . O famoso e polémico escritor estava desaparecido há mais de trinta anos, desde os eventos revolucionários de Maio de 1968...
Que bela surpresa este livro, com uma escrita viciante e fluida, o autor vai-nos contando a História de vida de Henri um escritor falhado e obsessivo,demasiado dependente do que os jornalistas escrevem sobre ele, viciado em álcool e tabaco, onde nos vai envolvendo e intrigando com as várias camadas que se vão sobrepondo como se de um puzzle se tratasse,com laivos obscuros e misteriosos, vamos sendo arrastados na constante decadência de Henri , o final deste livro é surpreendente completamente imprevisível. Um excelente Livro, de um jovem autor português e que é do melhor que li nos últimos tempos. Leiam vale muito a pena
O livro conta a história de Henri Benoît, um escritor decadente que vive em Paris. Henri é um homem atormentado pelo seu passado, repleto de erros e arrependimentos. Acaba por se refugiar na bebida e na escrita como forma de esquecer os seus problemas.
A história é contada em duas linhas temporais: a primeira, ambientada em 1942, na França ocupada pelos nazis, e a segunda, ambientada em 1967, em Paris da época da revolta estudantil. Na primeira linha do tempo, Henri é uma criança que vive com a sua mãe alcoólica e prostituta. É uma criança solitária e introspetiva, que encontra refúgio nos livros. Na segunda linha do tempo, Henri é um escritor famoso, mas está cansado da vida e da escrita.
O livro de Miguel D'Alte é uma obra de grande sensibilidade e profundidade. O autor consegue captar de forma exímia a complexidade humana. Henri Benoît é uma personagem complexa, que desperta empatia e compaixão no leitor. A história é envolvente e instigante, e faz-nos refletir sobre temas como o tempo, a memória, o arrependimento e o amor.
O autor escreve de forma e envolvente, o que torna a leitura bastante fluída e agradável.
Recomendo este livro para quem gosta de romances que explorem temas profundos e complexos.
É uma linguagem muito contida, objectiva, focada no essencial. Frases curtas e eficazes lançadas em rajada, suprindo com eficácia as necessidades da história sem concessões decorativas nem rodriguinhos. Um livro que exige uma atenção continuada, sob pena de malgastar pérolas fugazes que emergem discretas entre frases. Um jeito inconvencional de apresentar os diálogos. Uma história muito bem contada, prenhe de fantasia mas sempre credível, desenvolvida em vários eixos temporais ...
Ninguém tem noção (ou talvez até tenha) da imensa satisfação que me causa encontrar um livro do qual nada sei mas que automaticamente me fascina pelo título e/ou pela capa e que ao trazê-lo para casa se transforma, também, numa belíssima experiência de leitura. Premonição? Sexto sentido? Chamem-lhe o que quiserem.
Este livro é um desses casos. A riqueza que nele encontramos é surpreendente. Da profundidade das personagens à beleza da escrita, a história torna-se de tal forma envolvente que fica dúbio distinguir a linha que separa a ficção da realidade.
A relevância deste trabalho alarga-se também na abordagem a uma época conturbada da república francesa onde o movimento que ficou conhecido como “Maio de 1968” teve lugar. Este foi um período de efervescência social que se iniciou a partir de protestos estudantis em Paris, protestos estes que se alastraram pelo país chegando a abalar a ordem da Quinta República Francesa (iniciada em 1958).
“Desafiamos o sofrimento quando nos mantemos de pé, apesar de todos os socos que recebemos. É realmente difícil viver. Mas nós lá vamos andando, um passo de cada vez e, quando olhamos para trás, percebemos que, apesar de tudo, até nos movemos. E ficamos surpreendidos. O que será que os meus passos me dirão quando, daqui a várias décadas, vir as pegadas que deixei?”
Leiam-no e não se irão arrepender.
Algumas das referências literárias encontradas neste livro:
Adorei. Estou sem palavras para descrever este livro. A experiência de leitura foi intensa, nostálgica e trágica. Esta personagem ficará comigo durante muitos anos. Obrigada Miguel por este livro
Adoro contadores de histórias. Este livro conta uma história de vida amargurada, uma história de vida difícil e leva-nos numa viagem no tempo por Paris (e um pouco pelo Porto). É um livro nu e cru. Fez-me recordar o meu contador de histórias preferido: Carlos Ruiz Zafón. O Miguel escreve de forma brilhante, sem dúvida que irei ler tudo o que ele escrever.
Há algo de familiar quando leio autores portugueses que me cativa e conforta. Com uma escrita objetiva e uma forma particular de apresentar os diálogos. Com personagens bem construídas e localizações temporais bem definidas. Um livro muito interessante de um autor que seguirei atentamente.
Este livro é a obra revelação de um jovem autor que tenho o privilégio de conhecer. Está escrito com um grande equilíbrio o que torna o livro muito fácil de ler uma vez que nos envolvemos na história de forma fácil sem excesso de personagens ou artifícios, apenas aqueles que são precisos para contar uma boa história.
O livro de Miguel d’Alte é uma espécie de viagem fascinante no tempo, no espaço e à profundidade de personagens reais e fictícias que marcaram sobretudo a segunda metade do século XX. A ação é narrada, ora na primeira pessoa, ora na terceira, consoante se trate da vida pessoal do jornalista Jean-Luc Garrel ou do protagonista da narrativa, Henri Benoît, com quem aquele se cruza, primeiro como aluno e depois como repórter. O percurso pessoal de Henri Benoît é marcado por experiências traumatizantes e vazio afetivo na infância que vão traçar o seu destino. Paradoxalmente, são as vivências da infância e o desnorte permanente que vão alimentar a sua criação literária, como se, para criar fosse sempre necessário sofrer terrivelmente. Por outro lado, foi interessante ver o tipo de relacionamento que o herói estabeleceu com as mulheres da sua vida. A ação é claramente marcada pelo tempo – o início de cada capítulo, além de ter a indicação da cidade, tem uma data. As datas funcionam como uma espécie de pêndulo entre passado distante e passado mais recente, sendo que o tal pêndulo vai perdendo força e as datas vão-se aproximando. O espaço que se destaca mais é o de Paris e, particularmente, em maio de 1968. Mas o Porto, para onde Henri Benoît se retirou, entre outras razões, para cumprir uma promessa, também está em destaque. A escrita é rica e cativante e a narrativa prima pela análise psicológica das personagens. G.Ferreira
Gosto quando os livros me surpreendem. E este, apesar de me ter sido recomendado, conseguiu surpreender-me. Muito! É um livro que narra a história de um homem com um sonho: ser escritor. A história começa com a notícia da sua morte, em 2001. A partir daqui, viajamos entre 1942 e 2001, numa narrativa cheia de avanços e recuos, mas muito bem construída. Desde miúdo, Henri encontrou nos livros o amor que não tinha em casa. E não deixou de perseguir a sua paixão: ser escritor. Conhecemos a vida dele em Paris, a forma doentia como tentava escrever e publicar um livro, a sua realização e o reconhecimento do público, as suas perdas e relacionamentos falhados, o seu desaparecimento após o Maio de 68. Henri não é uma personagem que nos cativa. Viveu em função da escrita, de forma obstinada, e apesar de ter realizado o seu sonho de ser escritor, é um homem falhado. É alcoólico, é egoísta, é arrogante, é antipático. Mas a forma como o autor construiu a personagem e a densidade psicológica que lhe imprime fazem entender todas as suas atitudes. Miguel D’Alte escreve de forma envolvente e muito equilibrada… este livro é construído em várias camadas, histórias narradas a duas vozes que acabam por estar ligadas e que nos parecem ter um desfecho inevitável, mas o fim é surpreendente. Afinal, aquilo que parecia ser, não é.
Cativante. Demonstra o quanto a infância pode definir o curso da nossa vida e a importância da saúde mental. Se não resolvermos as nossas dores limitamo-nos a sobreviver e a refugiar o que não gostamos de ser na escuridão e nos vícios. Acabamos simplesmente por deixar de ser… a dor é arrebatadora mas o amor também pode ajudar a encontrar a superfície até a perdermos novamente. Livro maravilhoso.
A história é predominantemente num tom melancólico com alguns momentos de felicidade mas muito raros: um desses momentos é a chegada de Sara à vida de Henri. Quando Sara tem o acidente, o cenário da cegueira seria um dos piores possíveis, tendo em conta o medo que tinha do escuro. A delicadeza do Henri ao pedir que mantivesse a luz acesa e ao mudar-se para o Porto para ele próprio o fazer junto da campa de Sara, marcaram-me muito.
Já o fim, é genial. Não contava mesmo com o desfecho e com a envolvência do “Jean-Marc”, muito bom.
“Henri Benoît percorrera o abismo até ao fim, vivera uma comédia transformada em tragédia, aprisionado na sinistra realidade de que o tempo se evapora quando nos distraímos a ser felizes, que é impossível apreendê-lo, que o tempo é inevitável.”
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4,5* Gostei bastante desta leitura. Encontrei aqui uma escrita madura tendo em conta a idade do escritor e dado que este é o seu 1° romance. Em certas alturas fez-me lembrar o estilo de Saramago (perdoem-me se blasfemo): diálogos corridos e sem parágrafos.
A história leva-nos (entre outros locais e épocas) aos conturbados dias vividos em Paris em Maio de 1968, uma época sobre a qual gostei de ler e que poucas vezes é abordada.
Acompanhamos um escritor alcoólico, boémio, depressivo e egocêntrico alguém por quem não consegui ter grande simpatia. Um final bastante inesperado que eu não previ...
"O que acontece a todas as personagens, Jean - Luc, respondeu Henri, levantando-se como que para partir. O leitor vai terminar o livro e nós ficaremos nas suas memórias, eternizados, se tivermos sido suficientemente bons."
Nós foram bons, foram muito bons e claramente ficam eternizados.
Começo a minha opinião com esta frase do livro: " E agora, o que me vai acontecer?, perguntei. O que acontece a todas as personagens, ... O leitor vai terminar o livro e nós ficaremos nas suas memórias, eternizados, se tivermos sido suficiente bons." E foram umas personagens memoráveis, acho que nunca vou esquecer o Henri, a Alice, a Sara e o Jean-Luc. Este livro é de leitura compulsiva. Quando começamos nunca mais o conseguimos largar. Conta-nos a história de um escritor com uma infância infeliz e que juntamente com a namorada vai para Paris atrás de uma melhor vida e de ser escritor. Conseguiu mas ... Não sei mais o que dizer, apenas que recomendo a sua leitura a todos! Aos que gostam de um bom livro este é o ideal.
Difícil acreditar que é o primeiro livro do Miguel. Escrita exímia, como sempre. Adorei o livro e gostei mesmo muito do final. Acho que é o meu livro preferido do autor. Reflexões muito interessantes ao longo do livro e referências literárias em que aprendi muito. Não tinha qualquer conhecimento sobre o Maio de 68, e sem dúvida que o Miguel fez um enquadramento e exploração histórica incrível. Excelente livro, super recomendo !!
Update: após pensar sobre, 5⭐ Se o Miguel poderia ter tido uma melhor estreia? Impossível. Este livro foi uma essência do próprio, muito de quem já sabe o seu caminho e por onde quer ir. Um livro que nos leva a pensar e a fazer sentir as mais variadas emoções. Uma escrita corrida, fluida, com influências dos clássicos. Com uma leitura finalizada em que tanto o protagonista como esta obra, permanecerão connosco, sem nunca deixar cair no esquecimento.
Após uma leitura frenética, dificil de parar, Miguel D'Alte leva nos numa narrativa única sobre a vida de um escritor, Henri Benoit.
Sobre o desespero de querer uma vida nova, partir da província para a grande Paris, a luta pelos seus sonhos como escritor e o caminho sofrido atraves de álcool, drogas, obsessão, sobre amor, entrega, perda e empatia e o seu próprio envelhecimento.
O vazio do esquecimento.
Perda do seu "eu", o seu lento esquecimento, o se esquecer de ser.
"Mas o tempo não pode ser parado, o tempo é o lugar de onde nunca voltamos, mas aonde também nunca podemos regressar".
Uma historia que despoleta um misto de emoções, com um fim avassalador.
Onde acaba a realidade e onde começa a ficção? O que se será o esquecimento?
Um livro excelente, com uma escrita leve e, ainda assim, eloquente, uma profundidade nas personagens que cativa a cada página, uma reflexão sobre a vida e a nossa duração ao longo da mesma e com o caráter de fatalidade típica num grande romance. Foi, indubitavelmente, um prazer mergulhar nesta obra!
Há muito tempo que não tinha desfrutado tanto dum livro de ficção. Depois de muita não ficção, sobre temas a que não consigo fugir, já me estava a fazer falta uma viagem pelo imaginário da vida.
O prazer da leitura resulta de toda a experiência envolvente e das circunstâncias em que mergulhamos nela.
Há pouco mais duma semana, passando na FNAC, vi anunciada a apresentação dum livro que me deixou curioso - "O Lento Esquecimento de Ser", primeiro romance de Miguel d’Alte, um jovem autor portuense de 30 anos. Folheei o livro enquanto tomava um café e fiquei curioso com o enredo e, sobretudo, com o estilo de escrita, escorreito e seco. Pensei que talvez pudesse ir nessa noite conhecer o autor. Infelizmente, falhei.
Uns dias mais tarde, passei na FNAC para adquirir o livro. Li-o em dois lanços, separados por uns dias de afazeres. Há muito tempo que não lia um livro que me prendesse assim. Talvez desde Serotonin, de Michel Houellebecq. Aliás, a escrita do Miguel lembra-me irremediavelmente este último autor (ele mesmo confessa a sua influência).
A história decorre entre uma pequena vila francesa, Paris e Porto, em 4 épocas distintas, percorrendo a ocupação alemã na 2ª guerra, o pós guerra, as revoltas estudantis parisienses de 1968 e o final do século. O personagem principal é o escritor Henri Benoît, que se celebrizou no início dos anos ‘60, participou no Maio de ‘68 e desapareceu depois, durante mais de 30 anos.
Mas o que ressalta é o estilo de escrita, directo e cru, com frases curtas. Uma lufada de ar fresco para um leitor, como eu, que aprecia pouco os maneirismos em que a literatura moderna se embrulhou. Apreciei também a forma em que os discursos directo e indirecto se entrelaçam, mas sem prejudicar a identificação dos personagens (ou, talvez,muitas vezes, fazendo-os unir).
É óptimo sentirmos que temos jovens autores tão promissores. Vou aguardar a próxima obra do Miguel, anunciada para este ano.
(...) "sofrimento. A literatura é o que acontece quando passamos esse sentimento para o papel".
neste livro conhecemos um escritor, Henri Benoît, um homem amargurado, alcoólico, que está precisamente em sofrimento. Primeiro pela obra que não consegue escrever, depois pela vida que tem ou teve. Pelo meio a revolução de maio de 68 e a luta estudantil, acontecimentos que irão mudar a vida de Henri de forma profunda.
Gostei muito da escrita, frases curtas mas não demasiado simples, que muitas vezes nos fazem refletir no que está escrito. É passado em vários tempos, bem identificados no inicio dos capítulos. O twist final surpreendeu-me, no entanto talvez tivesse preferido que a história seguisse o rumo que estava anunciado.
Gostei imenso de mergulhar nas obras do escritor Henri Benoît. (1928-2001). A Sul do abismo (1956). As Ruínas (1958). Em Memória de nós (1962). Quando o dia se retira (1968). Com O Lento Esquecimento de Ser, identifiquei-me com o seu vazio. Ambos, (eu e ele), "aceitamos o risco de falhar e perder e, optamos por seguir sozinhos por uma estrada menos percorrida, cheia de sombras e ilusões." pág. 178.
Recomendo vivamente!
"Nunca saberemos o que perdemos e o que valeria a pena ter vivido para ver" - Henri Benoît.