Mais uma história da série Bedwyn, desta vez sobre a irmã mais nova, e a mais nova da família também :)
A história de Morgan difere de todas as outras, para começar, porque a maioria da acção é passada fora de Inglaterra, em Bruxelas, perto do local onde se deu a famosa batalha de Waterloo.
Morgan tem 18 anos e acabou de ser apresentada à sociedade. Não é, de todo, a típica menina de cabeça oca, educada para ser uma “senhora” e procurar um bom marido. Morgan é, como mesmo os irmãos perceberam desde sempre, diferente de todos eles. Precisa do seu espaço, de reflectir nas coisas, de mais do que conversas parcas em conteúdo.
Contudo, apesar das diferenças com o resto da família Bedwyn, Morgan tem também os melhores traços dos Bedwyn. É uma verdadeira Bedwyn, e os irmãos previram desde sempre, e com razão, que um dia os iria surpreender e chocar a todos. Morgan faz isso mesmo, mas de uma forma totalmente inesperada. Primeiro percebemos que Morgan está em Bruxelas porque quer viver a aventura, porque quer estar onde a acção está, e não em Londres, onde “nada” acontece.
Mas quando percebe que precisam que arregace as mangas e mostre o que vale, Morgan não hesita, surpreendendo tudo e todos com a coragem e determinação que demonstra. E é enquanto espera pelo irmão, Alleyne, e ajuda a cuidar dos soldados feridos que não param de chegar a Bruxelas, vindos da batalha, que se aproxima verdadeiramente de Gervase, e assim nasce uma amizade.
É preciso dizer que iniciei a leitura deste livro com completo conhecimento de que existem 6 nesta série, um para cada irmão e irmã. Mas mesmo sabendo isso, mesmo sabendo que o próximo livro é o de Alleyne, Mary Balogh conseguiu deixar-me com dúvidas e de coração nas mãos. Afligi-me quando Morgan se afligiu, sofri com ela a espera que não terminava, e quando finalmente foi forçada a encarar que o que mais temia era também o mais provável, chorei com ela.
Acho que mais que uma história de amor, Slightly Tempted é uma história de desentendimentos, mágoas profundas que marcam a vida de alguém, quase a destruindo, e perdão. Este livro fala-nos do amor de irmãos, e de como são um pedacinho de nós. Fala-nos de como nem sempre dizer a verdade, no imediato, é a melhor opção. Permite que entremos um pouco mais no seio desta família tão diferente e tão especial. Força-nos a torcer por um final feliz, a aplaudir o “vilão”, que, de repente, mostra que tem um coração enorme.
E, mais que tudo, é exímio em demonstrar como a vida continua após uma grande tragédia. Como somos levados a prosseguir, a distrairmo-nos. Como nos apanhamos a rir e nos sentimos mal por isso, porque, afinal, perdemos um pedaço de nós. E, no mesmo momento, percebemos que sorrir é importante. Que é o pouco que fica, o pouco que, quem nos ama e parte, desejaria que nunca perdêssemos.
Este é um livro que provoca sorrisos, algum riso inevitável, e umas lágrimas teimosas também. É um livro para mais tarde repetir. Um livro para recordar com carinho.