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Medos - Antologia de Contos Insólitos Russos

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Uma antologia de contos de autores clássicos de expressão russa em torno do insólito, do invulgar e do sobrenatural.
Um Império, um país com uma dimensão imensa, que é também um aglomerado de culturas que nem sempre se compreendem da melhor forma, tem de ser governado, nas suas diversas encarnações, com pulso de ferro para evitar que se estilhasse. Assim, é perfeitamente natural que do lado de quem defende um todo haja o receio da falta de unidade, e, do lado oposto, o receio do abuso de poder.

O conto fantástico serviu desde sempre precisamente para, de uma forma que escapa geralmente à censura, pôr o dedo na ferida. Assim, também os contos reunidos nesta antologia – 17 textos quase todos inéditos em português e traduzidos directamente do russo – acompanham quase 100 anos da literatura e da realidade da Rússia, transmitindo aos leitores o modo como os escritores viveram os receios de uma sociedade em dois regimes diferentes e nos momentos sempre incertos de transição.

Muito mais do que uma antologia de contos, estamos perante um retrato de realidades em mutação, onde os medos e as inseguranças definem e decidem, em muitos casos, as acções humanas.

A autores como Tolstoi, Andreiev ou Tchekhov juntam-se grandes nomes do conto russo, embora menos conhecidos entre nós, e que revelam a vastidão de uma das literaturas mais importantes do mundo.

Nomes maiores da literatura entre outros quase desconhecidos do público português traçam um quadro da vasta literatura de expressão russa.
Nesta antologia encontrará textos de:

- Lev Tolstoi
- Alexandr Kuprin
- Leonid Andreiev
- Nikolai Gumiliov
- Valeri Briussov
- Konstantin Sluchevski
- Orest Somov
- Anton Tchekhov
- Vladimir Odoievski
- Fiodor Sologub

Esta antologia resulta de um protocolo de cooperação com o ILNova – Instituto de Línguas da Universidade Nova de Lisboa. Os contos foram traduzidos pelos alunos do curso de Língua Russa. A organização e a introdução, bem como o acompanhamento e a revisão das traduções, ficaram a cargo de Larissa Shotropa.

304 pages, Paperback

Published October 1, 2022

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Larissa Shotropa

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Profile Image for Paula Mota.
1,735 reviews584 followers
November 28, 2022
Longe vão os tempos em que a ficção de horror me causava realmente medo, daquele tão forte que, depois de ver um filme à noite, quando já os adultos se tinham deitado, tinha de acender as luzes todas até ao quarto e depois voltar atrás a grande velocidade e, claro, dar o salto final para a cama, porque é bem sabido que há sempre algo escondido debaixo dela. Agora, a realidade assusta-me muito mais e não há luzes suficientes para combater a maldade humana. Nesta antologia de contos insólitos russos, os que de facto resultaram comigo não se predem com manifestações místicas ou sobrenaturais, fortemente representadas aqui, mas antes com uma sensação de desassossego...

O que deixarei depois de mim? Tudo o que é meu permanece comigo! E se o que te digo agora me veio à cabeça nos meus últimos minutos; se algo agitou a minha alma durante a vida; se de repente o último movimento espasmódico dos meus nervos subitamente despertasse em mim a sede amor, de autoconhecimento e actividade, adormecidos durante toda a minha vida – seria eu merecedor de compaixão?
- O Conselheiro de Estado - 1843

...de mal-estar...

Acredito que as pessoas no seu estado primitivo possam ansiar apenas uma coisa – atormentar o seu semelhante. A nossa cultura impõe o seu freio a este impulso natural. Séculos de escravidão levaram a alma humana à crença de que o martírio dos outros lhe era penoso. E hoje as pessoas choram sinceramente pelos outros e enchem-se de compaixão. Mas é apenas uma miragem e um embuste dos sentimentos.
- Agora, quando acordei (Memórias de um psicopata) - 1902

...e, acima de tudo, com os casos de pura loucura, sempre os mais inquietantes.

Presságios negros atormentavam a minha alma, mas não consegui baixar o rosto e tive de continuar sob o olhar insolente da minha adversária. Passaram-se horas, atropelavam-se sombras. Nenhuma de nós acendeu a luz. O vidro resplandecia de forma ténue na escuridão. A imagem que via era já pouco real , mas os seus olhos insolentes olhavam-me com a mesma força de sempre. (...) O templo flutuava e eu flutuei com ele até ao infinito, na vastidão negras, débil e impotente. De repente, ela, o reflexo, levantou-se da cadeira. Toda eu tremia com o insulto.
- Ao Espelho (Do Arquivo de um Psiquiatra) - 1902

“Medos” é uma boa amostra de autores do final do século XIX e início do século XX, que se afasta um pouco mas não totalmente do costumeiro eixo Dosto-Tosto, com autores de que nunca tinha ouvido falar mas onde se evidenciam Vladimir Odoievksi, Orest Somov, Aleksandr Kuprin e Valeri Briussov. O mais impactante aqui é um escritor que já conhecia, Leonid Andreiev, que consegue criar atmosferas inexplicavelmente opressoras e causadoras de grande ansiedade, especialmente com um conto que não está aqui incluído, “The Abyss”.

Senti que me zumbiam os ouvidos de tanto correr, os batimentos do meu coração eram fortes e acelerados, mas as badaladas do sino sobrepunham-se, atingindo a minha cabeça e o meu peito. E esses batimentos estavam tão carregados de desespero, que já não pareciam produzidos por um sino de latão: era o coração da própria terra que batia numa morte agonizante.
- Bum! Bum! Bum! – as chamas subiam no ar e custava a crer que aquele som alto e desesperado viesse da torre sineira da igreja, tão pequena e esguia, tão calma e tão serena como uma menina num vestido cor-de-rosa.

- O Sino - 1901

Acho a E-Primatur ambiciosa e original no seu catálogo, mas sempre que olho para ele, sempre que surge uma proposta de crowdfunding, pergunto-me: “Onde estão as mulheres”? É a Selma Lagerlöf, porque quem não nutro particular afeição, e pouco mais. Da FLL deste ano não trouxe outra antologia de escritores russos precisamente por esta flagrante ausência e, se tivesse conhecimento do índice antes da publicação, não garanto que tivesse adquirido esta em pré-compra. Talvez não haja autoras russas dignas da Era da Prata a que corresponde cronologicamente esta obra, mas não seria decerto difícil superar os dois insípidos contos de Tchekhov e os três contos beatos de Lev Tolstoi que dela constam. Ou talvez não haja nenhuma autora russa que se enquadre nesta temática, não sei, sou apenas consumidora e não editora nem perita na matéria, portanto, não me cabe a mim essa pesquisa, mas, correndo o risco de ser repetitiva, há-de continuar a ser a equidade o meu cavalo de batalha, sobretudo quando a organizadora da colectânea é uma mulher e alguns dos tradutores (alunos do curso de língua russa do ILNOVA ) são do sexo feminino.

Russalka, de Orest Somov- 4*
O Conselheiro de Estado, de Vladimir Odoiesvski-5*
Onde há amor, há Deus, de Lev Tolstoi - 2*
Os três eremitas, de Lev Tolstoi - 1*
O Sapateiro e o Diabo, de Anton Tchekhov - 2*
Medos, de Anton Tchekhov - 2*
O Capitão Nemo na Rússia, de Konstantin Sluchevski - 3*
Silêncio, de Leonid Andreiev-5*
O Sino, de Leonid Andreiev-4*
Agora quando acordei, de Valeri Briussov -4*
Ao espelho, de Valeri Briussov-5*
Debaixo da Ponte Velha, de Valeri Briussov-2*
Viagem Nocturna, de Valeri Briussov-2*
Notas de um louco, de Lev Tolstoi-2*
Morte por anúncio, de Fiodor Sologub-2*
A estrela azul, de Aleksandr Kuprin-4*
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