Uma vez por ano, no mesmo feriado, Maria Neide da Silva e Francisco roubam algum galinheiro da cidade de Palheiros com os filhos. Movidos por uma suspeita quanto ao paradeiro da filha do meio, desaparecida há seis meses, invadem o quintal da maior e mais imponente casa da cidade, a única que fica do outro lado do rio. Dentro da propriedade, precisam tomar cuidado para não ser percebidos. E medo e coragem se alternam numa luta desesperada não apenas pela verdade, mas também pela vida.
Atenção! Livro contém cenas de violência, assassinato, sequestro e invasão domiciliar.
A primeira parte do livro estava incrível! Me causou extrema angústia e tensão. O autor soube criar uma sensação de pânico ao acompanhar os passos dos personagens. Aí na parte cortou completamente o ritmo. Ele quis mostrar como as coisas chegaram até ali e estava interessante, mas se prolongou um pouco pois foram várias páginas no antes sem intercalar com o agora. Isso me deixou um pouco desanimada da leitura porque quebrou o ritmo. Quando o livro finalmente volta para o agora, não tem a mesma qualidade de plot. Volta bem mas logo decai o ritmo e fica numa estranheza de ações dos personagens, e a conclusão é rápida demais. Teria sido melhor desenvolver mais a conclusão do que o meio da história. Se tivesse continuado no ritmo do começo teria sido uma leitura incrível.
4.8★ Ótimo livro, me prendeu bastante e tem muitos pontos incríveis. É possivelmente meu livro favorito desse ano. A escrita é maravilhosa e a história se passa no Ceará, então foi especialmente muito identificável pra mim (o contexto, não a história em si). A trama do livro é muito bem construída e te instiga a continuar lendo cada vez mais, apesar (ou até por causa) das coisas horríveis que são descritas. Só não foi um verdadeiro 5★ por umas coisinhas que acontecem no final que não acho que fizeram muito sentido, mas foi só isso que eu encontrei de ruim no livro.
3.5 - O terror de se perceber a mercê de uma sociedade desigual, onde aqueles que possuem poder político e econômico estão acima de todos os outros e podem fazer com eles o que quiserem. O Galinheiro é uma história triste e trágica. É violenta. E perturbadora. Gostei do final.
Adorei conhecer a escrita do Amaurício Lopes, espero ler Nova Jaguaruara em breve.
Maravilhoso. Impossível parar de ler, as coisas acontecem muito rápido, não tem enrolação. Meu estômago ficou embrulhado do começo ao fim. O fim é uma delícia. A leitura é muito agradável e agora não sei o que faço com os 3kg de Frango que tenho no congelador.
Neide e Francisco, um casal do interior de Palheiros, tem a tradição de roubar galinhas dos terrenos vizinhos uma vez no ano, na sexta-feira santa. Mas nessa sexta-feira santa eles têm um motivo bem peculiar pra roubar as galinhas da propriedade do prefeito da cidade que mora com o seu irmão, um médico influente por ali. A filha do meio do casal desapareceu há alguns meses, levantando mais uma vez um mistério que cerca o desaparecimento de várias meninas da mesma idade ao longo dos anos, e ninguém sabe o paradeiro delas. Francisco encontra alguns sinais na propriedade do prefeito que meio que levantam suspeita de que a filha dele possa estar por ali. E a partir daí a trama vai se desenvolvendo com suspense que te prende do começo ao fim. No meio do livro eu comecei a achar que os pais tinham interpretado algumas coisas de forma errada… mas depois você vai descobrindo coisas absurdas e nojentas sobre o que realmente acontece ali, e a forma como o autor descreve as cenas é algo bem grotesco e me passa uma sensação de teatro macabro. Pessoas sensíveis podem não curtir tanto essas partes. A escrita fluida e o suspense desse livro fizeram com que eu lesse tudo bem mais rápido que o normal. É um livro que pelo título, talvez você ache que nem vai ser grandes coisas, mas não se engane. É tudo beeeem maior que isso. O buraco é bem mais embaixo. As galinhas é o mais tranquilo aqui 😂. O autor realmente coloca ganchos que prendem a atenção do leitor. São três pontos de vista, o que eu gosto muito, porque você consegue ver a mesma cena de perspectivas diferentes. Sem contar que o livro tem várias expressões regionais de onde eu moro (o autor é da mesma região), e isso tornou a compreensão bem agradável e familiar de ler. Eu gostei bastante! Vai bem no estilo que eu gosto e que me prende. Adorei que no final ele lembrou de salvar os pobres cachorrinhos também! SUPER recomendo. Conheci o autor agora e já considero pakas! Parabéns pelo livro!
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Neide and Francisco, a couple from the countryside of Palheiros, have this weird little tradition of stealing chickens from neighboring yards once a year, always on Good Friday. But this year, they have a much more peculiar reason to sneak into the mayor’s property. The mayor, by the way, lives with his brother, a well-known local doctor. A few months back, the couple’s middle daughter went missing, just one more case in a long line of girls around the same age who have mysteriously disappeared over the years. Nobody knows what happened to them. Francisco starts noticing some odd signs around the mayor’s land that raise suspicions their daughter might actually be there. From that moment on, the story unfolds into a suspenseful ride that grabs you from the very beginning. Halfway through the book, I honestly started thinking maybe the parents were just jumping to conclusions… but then the truth slowly starts to come out, and it's absolutely insane and disgusting. What’s really going on there is way darker than you expect. The author describes certain scenes in such a grotesque way that it almost feels like you’re watching some kind of twisted stage play. Definitely not for the faint of heart. Still, the writing is super smooth and the suspense kept me flipping through the pages way faster than I usually do. It’s one of those books where the title might make you think it’s nothing special, but don’t let it fool you, there’s so much more underneath. The chicken thing? That’s actually the least of your worries 😂 The author does an amazing job with cliffhangers and building tension. The story’s told from three different points of view, which I love because it lets you experience the same scenes from totally different perspectives. On top of that, the book is full of local expressions and slang from where I live (the author’s from the same region), which made reading it feel super familiar and natural. I really enjoyed it! It’s totally my kind of story and it kept me hooked. And I absolutely loved that in the end, the dogs got saved too! That was a sweet touch. I HIGHLY recommend this book. First time reading this author, and I already like him so much. Huge congrats on this one!
"O perigo das palavras é que às vezes elas mais atrapalham, jogam ações a emergir de volta ao saco das ideias, alimentam a ânsia e o medo dos covardes."
Às vezes me esqueço quão bom é ler um livro ambientado no Brasil!!! Amei os dois livros do autor!!! Agora estou ansiosa esperando por mais!
Hoje, minha missão é espalhar a palavra do Amaurício. Que livro é esse, mermão??????
Eu já tinha lido Nova Jaguaruara dele e gostado bastante, o O galinheiro conseguiu ser bem melhor.
Numa cidade esquecida, no interior do Ceará (pausa pra destacar que ele usa localidades incomuns para os livros dele e ainda bem que ele faz isso, pois acho muito legal ele usar das origens dele para escrever, inclusive usando regionalismos na fala dos personagens), desaparecimentos de meninas são um mistério. Por serem pobres, a comoção é momentânea e, a não ser pelos familiares, logo são esquecidas.
Rita sumiu e isso atormenta os pais. Seis meses depois, eles tentam trazer alguma normalidade para a família e todos saem para roubar galinhas, numa espécie de tradição familiar, quando esse passeio lhes apresenta várias surpresas.
É tenso, é bem escrito, é dinâmico. O escritor cria uma aura de angústia e ansiedade, num ritmo bom, com ação e nenhum momento de encheção de linguiça. Ali no limite do gore, ele não precisa apelar pra cenas super descritivas para fazer as cenas aterrorizantes e que despertam a vontade de vingança.
Estou tentando voltar com o hábito de leitura e essa foi uma boa escolha!
Ver uma história situada no nordeste do Brasil já me trouxe uma familiaridade e conforto, que logo seria quebrado pelo andamento da trama. É uma história pesada, mas muito instigante. Senti enorme repulsa e raiva dos irmãos Borges, queria pular pra dentro do livro e acabar com eles eu mesma.
Fiquei tensa pela família Silva a todo momento, com medo de que alguma ponta solta os prejudicasse, que mais alguma tragédia acontecesse. E sempre com a angústia da situação horrível das meninas e do futuro da família. Há uma crítica social bem clara, algo que considero bem vindo e que acaba sendo fundamental para a trama e para entendermos a identidade e realidade dos personagens.
Gostei que os irmãos tiveram finais semelhantes aos de suas vítimas em algumas partes. Tive uma pontinha de vontade de ver eles ainda vivos sofrendo com o desprezo, ódio, nojo e talvez até violência do povo da cidade, e com a clareza de que aquilo que faziam era visto com total repulsa e nenhuma admiração, nenhuma reverência por suas "habilidades". E que nada daquilo era amor ou cuidado. Mas isso não faria sentido dentro da história, é apenas minha raiva por eles falando alto.
Apesar de tanta angústia, as páginas finais, a reflexão sobre Rita e sua luta para sobreviver, que acabou sendo a fagulha para a salvação de uma outra menina e o fim daquele terror, me tocaram muito. Depois de tanta aflição, aquelas palavras finais sobre uma personagem que nem chegamos a conhecer, mas cuja falta pairava sobre nós e a família, me emocionaram (leia-se: chorei). Rita foi de uma enorme coragem, coragem essa que corria no sangue da família toda, e que foi o que mudou o rumo da história triste da cidade.
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Descobri "O galinheiro" por acaso no Kindle Unlimited, e de cara o título e a capa me atraíram. Ao ler a sinopse e as ótimas avaliações, decidi que o leria imediatamente, e ainda que minhas expectativas não tenham sido alcançadas, vejo a experiência de leitura como positiva.
Temos aqui uma história repleta de violência, bizarrices e brasilidade, e que se inicia durante uma tradição bastante comum em cidades do interior: roubar galinhas na madrugada do Sábado de Aleluia. Embora todos os anos a família de Maria Neide e Francisco siga essa tradição, dessa vez há uma motivação por trás da casa escolhida para o roubo: uma possível pista sobre o desaparecimento de sua filha, ocorrido alguns meses antes.
O livro é estruturado em três partes. A primeira, e em minha opinião a mais instigante, narra a invasão da casa escolhida, e os perigos e riscos envolvidos nessa ação. A segunda e maior parte irá mostrar outro lado dessa narrativa, contando a história dos donos da propriedade invadida, motivações, e tudo que ocorreu ali ao longo de anos. A terceira parte consiste no desfecho da trama, e é aí onde vejo o livro decaindo um pouco em qualidade, pois em muitos momentos, as coisas parecem convenientes demais, e há algumas passagens um pouco absurdas.
Apesar dessa variação de qualidade ao longo da narrativa, a experiência foi boa. A escrita do autor é simples e na maior parte do tempo envolvente, e é fácil se perder entre as pouco mais de 200 páginas e não ver o tempo passar.
Baixei esse livro pela curiosidade causada pelo título e pela sinopse. Afinal, não é todo dia que se acha um livro de terror chamado O Galinheiro.
Não, não há galinhas gigantes aqui.
Quando me dei conta de que o autor era o mesmo do excelente Nova Jaguaruara, minhas expectativas foram lá no alto.
E o melhor de tudo, foram atendidas com louvor.
Ainda comparando com o trabalho anterior de Amaurício Lopes, O Galinheiro consegue ser mais focado e, graças a isso, manter o suspense e a tensão desde os primeiros capítulos. Uma evolução absurda se comparado com Nova Jaguaruara, que já tinha um nível de qualidade bem alto.
A escrita em si continua excelente, alternando em momentos poéticos com uma prosa ágil que consegue manter o fluxo narrativo sempre em frente, o que é ideal para histórias desse tipo.
Se você caiu nesse livro de paraquedas assim como eu, dê uma chance imediatamente. Você está diante de um autor que tem tudo para se tornar referência no gênero aqui no Brasil.
A minissérie me ganhou no início principalmente pela estética, sombria e confortável ao mesmo tempo. Nossa curiosidade vai aumentando a cada episódio para sabermos o que aconteceu aos dois irmãos. E foi uma ótima surpresa entender o que houve, foi sensacional.
o que mais gostei foi entender o que significavam as roupas deles. no próximo halloween vou pegar minha chaleira e me fantasiar de elefante.
Histórico de leitura 19/07/2023 "Era final da tarde quando Maria Neide da Silva colocou o cuscuz no fogo e desceu para o quintal. Pegou o regador e olhou para as plantas do terreno com desgosto."
3,5 Terminei a história há pouco tempo e não sei o tipo de sentimentos que ela me trouxe.
Achei a escrita do Amaurício muito legal, mas o enredo em si, não me agradou. A partir do segundo ato a história se perdeu no meu ponto de vista, mas talvez a culpa tivesse sido minha por esperar algo que em nenhum momento foi prometido. É um livro sem muitos diálogos, mas com frases marcantes e que fazem pensar como os humanos são malucos e que ninguém está isento de se tornar maluco ou ser vítima de um. Vou continuar acompanhando o autor, com toda certeza.
Meu favorito do ano. Suspense com terror, o livro não tem enrolação, tem um ritmo acelerado do começo ao fim. precisa ter estômago, fiquei com ele embrulhado em muitos momentos. vários pontos bem originais na história.
De início, foi uma sensação deliciosa. Você cai de cabeça em Palheiros, uma cidade do interior, e é conduzido ao lado da família Silva para roubar galinhas na casa do prefeito da cidade. A ambientação, as brigas entre as crianças, e sobretudo a oralidade expressa na escrita te pegam de jeito logo nas primeiras páginas e te arrasta junto nessa aventura inesperada.
Aos poucos, a experiência começa a mudar. Você percebe que as coisas são bem mais assustadoras do que parecem e se aprofunda na mente perturbada de algumas personagens. A história é tão bem escrita, que você começa a sentir nojo ao mesmo tempo que não consegue parar de ler.
No final, o autor ainda usa cultura popular como uma forma de resolver conflitos narrativos. Sério, que livro extraordinário. Eu já gostava muito de Nova Jaguaruara, mas O Galinheiro (na minha opinião) o supera em todos os sentidos.