Um retrato vertiginoso e emocionante do luto e da depressão.
Ao descrever um episódio aterrador que transformará em definitivo a vida das pessoas ao seu redor, o narrador deste livro investiga as ambivalências dos laços afetivos, equilibrados entre a beleza e a fragilidade.
Um livro que parece ser ter sido escrito como um lembrete, porque é disso que a depressão se trata: repetir, repetir, repetir e elaborar a própria história porque é fácil perder referência de passado e esperança de futuro quando tudo o que há é a dor do presente. O narrador, inclusive, escreve assim, como se fosse primordial não perder a memória da dor, porque o depressivo não se entende como indivíduo sem ela. A partir do evento trágico envolvendo o irmão, a história faz um repasse sobre como questões de saúde mental fazem parte de uma teia intrincada que consome todos os que estão ao redor. É um livro cru, melancólico, mas jamais comiserado. Muito bom!
Este é um livro sobre luto, e me deixou muito triste e angustiado.
O protagonista, não nomeado, recebe uma ligação informando-o de que seu irmão mais velho se suicidou, jogando-se de um prédio. Somos então levados a acompanhar pela ótica deste protagonista o tal dia um do título, e as repercussões do fato nele, no irmão do meio, no pai e na mãe.
Mas logo passamos a alternar (aleatoriamente?) entre passado e futuro, mostrando a infância dos irmãos, sua vida compartilhada, suas vidas separadas pré-acontecimento, o irmão mais velho tentando lidar com suas questões psicológicas; mostrando também como o suicídio destruiu a mãe, e os buracos que se abriram na família.
Não gostei muito da estrutura, não gostei de uma cena de sexo mais gráfica que achei que não casou com o tom do livro. Mas em geral me vi tocado pela história. Acredito que depende das experiências de vida de cada um relacionar-se ou não com o enredo. 4 estrelas.
Acredito que mais do que um livro sobre luto, é também um livro pra quem sabe a dor de ter depressão, ansiedade, crise de pânico etc. Pra mim, sempre foi raro me deparar com livros sobre essa temática, achei pertinente. O começo do livro é bruto, terrivelmente dolorido, mas aos poucos a gente entende como o luto vai movendo ondas dentro de nós, na perspectiva de alguém que também sofre com a tristeza que também afeta a família inteira. Mas é um livro bonito também por abordar essa relação entre irmãos, isso de crescer com alguém que veio antes de você ou que você é o mais velho, faz a gente ter um laço mais do que hierárquico, mas de memória.
um dos livros mais tristes que eu já li. lindo, mas como disse natercia pontes sobre ele “de uma melancolia de doer os ossos”. a peregrinação emocional, estrutural e geográfica de um irmão mais novo que vive o luto do irmão mais velho, que falece através do suicidio. só sei dizer que estou toda revirada e não sei se isso é bom ou ruim
Um livro sobre morte e luto. Mais especificamente sobre o suicídio de um dos integrantes da família e seu efeito sobre os demais.
O narrador, fora de ordem cronológica, analisa passado, presente e futuro dessa família enquanto vamos entendendo um pouco mais da dinâmica vivida por eles.
Muito bem escrito, o assunto delicado (depressão e suicídio) é abordado de uma maneira interessante, sem tentar suavizar o tema e causa uma angústia grande
Dia Um é um livro muito pesado, principalmente no que se diz sobre depressão e ansiedade. É sobre morte e luto também. É um livro de rápida leitura, mas muito profundo!
Simplesmente, o irmão mais velho do personagem "você" se suicidou... E então você vai vivendo as memórias e os sentimentos de luto, memórias sobre a infância e adolescência dele e os irmãos. Muitas dessas descrições mexeram demais comigo, porque relações de irmãos são sempre com altos e baixos, e muitas vezes incondicionais - como a minha com meus irmãos. Que livro intenso!
Me peguei emocionada inúmeras vezes... Inclusive, chorei em um certo momento. É intenso, é bonito, e quem tem irmãos com quem se dá bem vai amar e se pegar nostálgico ao reviver os momentos da infância do personagem Você.
"Deve ser desesperador ser o mensageiro da morte de alguém, você pensa depois de anos. Ligar para dezenas de pessoas numa manhã de sábado, planos de paz e praia, sono e nada, mas não, seu amigo, aquele seu amigo vivo, morreu." (Página 27)