Reunião dos principais discursos de Salvador Allende, organizados por Vladimir Safatle. Com prefácio do atual presidente chileno, Gabriel Boric, e posfácio do pesquisador Rodrigo Karmy Bolton, este livro percorre o arco entre 1970, com a eleição de Allende, até 1973, com o último discurso proferido no palácio do governo sitiado durante o golpe militar orquestrado pelo general Augusto Pinochet.
Este volume reúne pela primeira vez em português os mais importantes e célebres discursos de Salvador Allende como presidente do Chile. Eleito democraticamente em 1970 com um programa radical de base socialista, Allende simboliza a chegada do povo chileno ao poder. Os discursos, publicados em ordem cronológica, narram de forma dramática a mais significativa experiência de governo popular eleito na América Latina até seu desenlace trágico, com a morte de Allende defendendo o poder legítimo do povo chileno, sob bombardeio no Palacio de la Moneda. Desde o discurso da vitória, para uma multidão popular, em que o novo presidente salienta o momento histórico em que a vontade do povo se viu realizada numa eleição limpa e democrática, passando pelos discursos que apresentam a efetivação de seu programa de governo, com a estatização dos bancos, a estatização do cobre e a reforma agrária, o leitor acompanha gradualmente as realizações do governo e, simultaneamente, as dificuldades que este vai encontrando especialmente pela atuação das forças "imperialistas", de grandes empresas e estados nacionais que veem seus privilégios tolhidos pelo novo governo popular.
O livro oferece ao público brasileiro um documento histórico, mas como diz o filósofo chileno Rodrigo Karmy no posfácio, sua potência não está em ser um arquivo sagrado, e sim em sua capacidade de transmitir as energias da enunciação, convidando os leitores à sua radical profanação, a seus usos em comum.
Salvador Guillermo Allende Gossens (Spanish: [salβaˈðoɾ aˈʝende ˈɣosens]; 26 June 1908 – 11 September 1973), more commonly known as Salvador Allende, was a Chilean physician and politician, known as the first Marxist to become president of a Latin American country through open elections.
Allende's involvement in Chilean political life spanned a period of nearly forty years. As a member of the Socialist Party, he was a senator, deputy and cabinet minister. He unsuccessfully ran for the presidency in the 1952, 1958, and 1964 elections. In 1970, he won the presidency in a close three-way race. He was elected in a run-off by Congress as no candidate had gained a majority.
As president, Allende adopted a policy of nationalization of industries and collectivization; due to these and other factors, increasingly strained relations between him and the legislative and judicial branches of the Chilean government—who did not share his enthusiasm for socialization—culminated in a declaration by Congress of a "constitutional breakdown." A center-right majority including the Christian Democrats, whose support had enabled Allende's election, denounced his rule as unconstitutional and called for his overthrow by force. On 11 September 1973, the military moved to oust Allende in a coup d'etat sponsored by the United States Central Intelligence Agency (CIA). As troops surrounded La Moneda Palace, he gave his last speech vowing not to resign. Later that day, Allende shot himself dead with an assault rifle, according to an investigation conducted by a Chilean court with the assistance of international experts in 2011.
Following Allende's deposition, General Augusto Pinochet declined to return authority to the civilian government, and Chile was later ruled by a military junta that was in power up until 1990, ending almost 41 years of Chilean democratic rule. The military junta that took over dissolved the Congress of Chile and began a persecution of alleged dissidents, in which thousands of Allende's supporters were kidnapped, tortured, and murdered.
“Seguramente, a Rádio Magallanes será silenciada e o metal tranquilo da minha voz não chegará a vocês. Não importa. Continuarão me ouvindo. Sempre estarei com vocês, pelo menos a minha lembrança será a de um homem digno, que foi leal com a pátria. O povo deve se defender, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem crivar, tampouco se humilhar. Trabalhadores da minha pátria, tenho fé no Chile e no seu destino. Outros homens hão de superar este momento sombrio e amargo em que a traição pretende se impor. Saibam sempre que, mais cedo do que se imagina, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre para construir uma sociedade melhor.”
foi um dos livros mais difíceis que eu já li. é avassalador ler os discursos do allende, se sentir tão profundamente mobilizada por aquilo, ver que foi real algo que na minha mente beirava a utopia e de repente ser lembrada de como tudo isso terminou. fiquei com muita, MUITA raiva. à medida que a leitura vai avançando e a gente se aproxima do fatídico 11 de setembro começa a ser desesperador ver aquele terror todo sendo precisamente descrito e denunciado antes mesmo de acontecer e perceber que NADA foi feito pra impedir o que naquele ponto era inevitável. é muito triste acima de tudo porque o allende, por tudo que foi, merecia ter ficado marcado como uma figura de esperança, não de desolação. eu já o admirava antes, mas foi essa leitura que me fez ver de fato o quanto ele verdadeiramente foi alguém extraordinário. que lindo e que lástima.
“Allende se apresenta apenas como um intérprete dos ‘grandes anseios de justiça’, um profeta que recebe a mensagem e só a traduz para o povo. Ao situar-se dessa forma, reafirma o povo como sujeito histórico, não sua própria pessoa. O desprendimento é a chave desse discurso, porque ele se vê como uma pequena peça no interior de um grande processo de dignificação dos povos. Nunca se tratou de Allende, mas do processo coletivo em germe; jamais se tratou de seus interesses, mas daqueles de uma humanidade que fazia seu caminho com a dificuldade de uma história que lhe fora adversa.” (p. 174)
Discursos potentes que representam uma experiência histórica inédita no mundo, e que nunca mais foi repetida. Há uma certa melancolia na leitura, já que conhecemos o final dessa história...
Esse é um dos melhores livros que li em 2023. Os discursos do Allende são inspiradores, para além de trazer uma coesão tremenda que pode ser aplicada até nos dias de hoje.