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La Seconde Femme

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Comment faire avec le temps qui passe quand tout nous rappelle à notre image ? Nicole Kidman, Thelma Ritter, Brigitte Bardot, Meryl Streep, Mae West, Frances McDormand, Isabelle Huppert et Bette Davis. Huit portraits d’actrices, comme autant de manières de composer avec cette « seconde femme » dont parle Gena Rowlands, qui entre en scène « lorsque la jeunesse meurt ».
Car face à la puissance pétrifiante du regard masculin, il y a l’inépuisable ingéniosité des femmes, qui s’organisent en espionnes des apparences. Les actrices racontent l’histoire de cette ingéniosité : ce qu’il est possible de faire à l’intérieur d’un espace restreint, codifié. S’y tenir bien sagement ou faire seulement semblant, en pousser les murs, les dynamiter ou finir par le déserter. Comme sur un ring, elles transforment les films en espaces symboliques où se raconte, se commente et se spectacularise la condition du féminin. Où l’on peut raturer, dévier et réécrire le « scénario femme ».

224 pages, Paperback

Published September 15, 2022

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Profile Image for Katya.
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May 4, 2026
#1/2 O duplo padrão do envelhecimento
#1/4 Storytelling, imagens e sociedade


Há uns meses folheei o ensaio de Susan Sontag que abre a coletânea intitulada Sobre as mulheres. Ao abri-lo, a primeira frase saltou à vista: «QUE IDADE TEM?» A pessoa que faz esta pergunta pode ser qualquer uma. Quem responde é uma mulher, uma mulher de «uma certa idade», como os franceses dizem com pudor. Uma ideia que voltou a surgir aqui, em A segunda mulher, pois é precisamente a partir do ensaio O duplo padrão do envelhecimento, que este texto se constrói.
A formulação central em A segunda mulher decorre de um pressuposto perfeitamente aceitável, o de que as actrizes espectacularizam a posição das mulheres no espaço social: entre elas e nós há apenas uma diferença de nível. Desdobramento, teatralidade, auto-vigilância, habilidade: intensificam a nossa condição. É assim que se justifica olhar o envelhecimento feminino através da lente (crítica) do cinema, com uma perninha ali na filosofia e outra na sociologia — áreas de que a autora se tenta desembaraçar logo à partida para evitar comparações desagradáveis. Mas eu acolho a comparação, não a censuro, e vejo-a como benéfica ao tipo de reflexão que o ensaio A segunda mulher pretende estabelecer.
Recorrendo a Beauvoir — de quem retira o modelo de análise dos processos históricos e sociais; a Sontag — de quem pede emprestada a aplicação do capital simbólico ao conceito de envelhecimento como problema sociológico; e a Berger — a partir de cuja obra atenta no poder da imagem, Joudet embarca numa análise que digladia entre o existencialismo da condição feminina e a velhice feminina como construção social. A premissa não é inteiramente original, como se vê, mas o seu olhar é.

A velhice no cinema [...] não é uma questão de aceitação passiva, mas de permanente criatividade. Cada actriz abre um leque de estratégias e de soluções que não se encontram em nenhuma outra e que depende da sua posição na indústria. Não se envelhece da mesma maneira se começámos a fazer filmes aos 15 ou aos 45 anos, se nos consideram sublimes ou parte dos «não-bonitos» (para usar um termo de Davis), se sempre se quis ou se nunca se quis fazer cinema.

A sua análise, ainda assim, não vai repetir as fórmulas de Beauvoir-Sontag. Joudet está apostada em olhar um problema sociológico através do prisma Hollywoodiano, e isso é pertinente. Decompondo a luz que emana dos ecrãs, promete observar a indústria cinematográfica tal como sempre me apareceu: uma máquina de triturar a realidade do corpo das mulheres, enquanto espaço de uma possível e milagrosa reinvenção do eu. Os comportamentos têm, então, de ser escalpelizados. Para isso, Joudet recorre a uma amostra abrangente (no tempo, no espaço e na filmografia): Nicole Kidman, Thelma Ritter, Brigitte Bardot, Meryl Streep, Mae West, Frances McDormand, Isabelle Huppert e Bette Davis. As escolhidas deverão representar a míriade de possibilidades existentes para as mulheres (atrizes), ao longo da sua vida (carreira) perante o olhar inquisitivo e insaciável da sociedade.
Como a autora faz saber, justifica-se este mote, já que, em frente das câmaras, numa sociedade pós-moderna, ultrafocada, inclemente perante a imperfeição humana, tudo à volta destas mulheres as encoraja a ceder à dismorfofobia: esta focalização num defeito, muitas vezes mínimo, invisível, ou até imaginário, transforma-se em obsessão. Cada mulher está sobrecarregada com uma imagem ideal de si própria e cada dia é uma negociação entre a sua aparência real e a sua aparência ideal.
Joudet roda insistentemente em torno da ideia de envelhecimento como tormento da imaginação, a expressão direta de Sontag para descrever o sentimento de alienação e o ambiente de guerra psicológica em que as mulheres são educadas. E, tal como esta última, Joudet defende que a resistência é a saída. E cada uma das atrizes por ela escolhidas pretende representar diferentes formulações dessa mesma resistência:

Para uma actriz, há várias maneiras de não envelhecer no cinema: fazer como Garbo, e desaparecer de todas as imagens aqui e ali, algumas fotos roubadas da actriz na rua, caminhando incógnita, escondida pelos grandes óculos escuros, velhice perseguida por paparazzi. Recorrer a cirurgias estéticas o máximo de tempo possível para continuar a aparecer. Morrer cedo: Marilyn. Fugir, como Bardot, que deixou o cinema «ainda jovem».

É uma premissa válida, a de espelhar, através da atriz, o dilema do envelhecimento feminino como construção social. Mas assenta numa simplificação problemática: aquela de ler as opções artísticas/cinematográficas das atrizes enquanto escolhas conscientes que reflitam o seu modo de estar perante a sociedade, e a sua forma de aceitar/combater a censura pública do seu envelhecimento. Até que ponto serão estas escolhas fruto da sua própria agência? É difícil, perante um corpus que percorre quase 100 anos de história do cinema, aceitar que estas mulheres terão todas, conscientemente, escolhido os papéis que a autora afirma representarem a sua postura pessoal perante o mundo. Acredito que, falando de atores e não de atrizes, seríamos capazes de consentir a essas escolhas uma dose de necessidade, experimentalismo, desafio e até escapismo. A amostra dificilmente sustenta a sua lógica. Sobretudo, quando o ensaio coordena as escolhas a posteriori para sustentar a sua hipótese.
Ainda assim, a validade do desafio mantém-se: no cinema, a representação está intimamente ligada à ideia de envelhecer, de aceitar envelhecer perante os outros, no grande ecrã. [...] E mesmo quando negamos a nossa idade, aceitamos que nos vejam a negá-la. As atrizes são, pois, mulheres duplamente expostas aos holofotes. E cada uma se mune de diferentes estratégias para lidar com a pressão para manter a juventude, a beleza e a sensualidade/sexualidade que a sociedade pós-industrial não se permite dissociar.
Enquanto os homens se divertem numa espécie de desfocagem artística onde todas as idades são equivalentes, qualquer mulher, por maioria de razão qualquer actriz, está condenada, em algum momento da sua vida, a ter a sua idade: este é o ponto central do ensaio. As mulheres não têm a opção de congelar o tempo, não têm a vantagem de acolher o tempo sob a prerrogativa do charme. Como tal, recorrem à cirurgia, ao embelezamento, à recusa da estratificação, à aceitação dos papéis menores, à fuga, ou à revolta aberta, como possíveis formas de se esquivar ao apertar do laço no seu pescoço. Umas cedem à exigência masculina, outras engolem a amarga derrota, outras ainda erguem-se, como a fénix, quando já todos a julgavam morta. Nem uma, no entanto, passa incólume pela vida ou pela passadeira vermelha. As ferramentas que qualquer mulher tenta interpor à censura masculina acabam por ou manietá-la em seu favor, ou isolá-la das suas iguais.
Portanto, todas estas opções são apresentadas e analisadas, mas a conclusão não se faz ver. São oito os retratos que compõem A segunda mulher; são dezenas os filmes a que Joudet recorre para ilustrar e sustentar o seu posicionamento, mas o texto carece de um desenlace. O ensaio abre, efetivamente, possibilidades, mas estas não comprovam o argumento, antes acabam por enfraquecê-lo.
As palavras que inauguram A segunda mulher deviam antes ecoar uma conclusão:

Antes de me dedicar a este projecto, pensava que este livro seria a história cortês, séria e vagamente delatora do que a velhice faz às actrizes. Ao abordá-lo, apercebi-me de que, para encontrar o meu tema, o meu próprio tom, teria de começar por inverter a proposição.

Ao tentar mapear todas as formas de resistência, Joudet acaba por diluir a força da sua própria hipótese. O resultado é um ensaio sugestivo e conceptualmente interessante, assente na assimetria apontada por Sontag — a imperfeição como privilégio masculino e a sua recusa como imperativo feminino —, mas metodologicamente frágil quando projeta sentido nas escolhas de carreira das atrizes.




[Como prova de que nenhuma reflexão é inteiramente solitária, este texto nasce de um gesto de leitura partilhada. Obrigada, Fátima.]
Profile Image for Fátima Linhares.
1,008 reviews357 followers
April 9, 2026
Neste livro, a autora, crítica de cinema, reflete sobre a segunda vida das atrizes, analisando as filmografias de oito atrizes importantes na indústria cinematográfica e a forma que arranjaram para continuarem a sua carreira e terem papéis de relevo na indústria.

É preciso passar por este desvio para compreender a velhice no cinema que, como o resto, não é uma questão de aceitação passiva, mas de permanente criatividade. Cada atriz abre um leque de estratégias e de soluções que não se encontram em nenhuma outra e que depende da sua posição na indústria. Não se envelhece da mesma maneira se começamos a fazer filmes aos 15 ou aos 45 anos, se nos consideram sublimes ou parte dos «não-bonitos» (para usar um termo de Davis), se sempre se quis ou nunca se quis fazer cinema.

Nicole Kidman escolheu a via dos procedimentos estéticos para continuar com a sua aparência jovem e (in)expressiva. Graças a isso continuou sempre a ter papéis de relevo no cinema.

Enquanto todos vêem e lamentam o espetacular desvio pós-humano do rosto de Kidman, ela continua a triunfar tanto no cinema como na televisão - quando muitas das atrizes da sua geração foram proscritas de Hollywood por se terem, segundo se diz, «desfigurado».

Thelma Ritter, quando começou a sua carreira no cinema tinha 45 anos, era casada e mãe de dois filhos, mas isso não a impediu de ser uma espécie de rainha dos papéis secundários. Para ela, representar é um trabalho, um emprego como outro qualquer.

Nomeada seis vezes para os Óscares, sem receber nenhuma estatueta. Sempre na categoria de Best supporting role: melhor atriz secundária. Porque Thelma ajuda os protagonistas, valoriza-os e serve-lhes de apoio - de facto ela representa toda a realidade, a vida material e concreta, na qual nos podemos apoiar sem correr o risco de cair.

Brigitte Bardot, a atriz que deixou o cinema ainda jovem, sem nunca deixar de ser lembrada pela sua imagem sensual, para se dedicar à causa animal.

Em suma, desde o início, Bardot sempre foi a única a estar um passo à frente das imagens da sua época: ela encarnou a sexualidade feminina antes dos movimentos feministas, defendeu a causa animal numa altura em que ninguém se preocupava com isso...

Meryl Streep, decidiu apostar em filmes românticos e melodramas, géneros tipicamente femininos.

Ao longo de toda a sua filmografia - apesar das excepções rapidamente esquecidas -, a atriz segue o mesmo padrão normativo: a história de uma mulher que só existe e só se desenvolve através da sua condição romântica, salva do enfado pelas endorfinas do amor à primeira vista.

Mae West, a atriz que chegou a Hollywod vinda da Broadway, na altura da transição do cinema mudo para o cinema falado, quebrou os padrões, pois ninguém esperava que transformasse em espetáculo o apetite sexual de uma mulher de 50 ou 60 anos por homens muito mais jovens. West quer que as pessoas percebam que uma mulher pode viver em paz com a sua sexualidade e com o seu corpo envelhecido.

«Eu luto para impedir que as pessoas se sintam deprimidas por causa do sexo. Não é justo que se sintam assim. Estão a ser enganadas quando o amor lhes é apresentado de forma trágica.»

Frances McDormand é aquela atriz "normal", que não tinha como prioridade obter um papel principal no cinema. Não é dada ao glamour nem a tornar-se desejável ou a erotizar as suas personagens.

Desde que ultrapassou os cinquenta, a atriz assegura que lhe propõem papéis mais interessantes: quando a nossa obsolescência sexual é atestada pela indústria, esta esquece-nos ou - se não planeámos desaparecer - vê-se forçada a inventar-nos outra coisa que não romances. A atriz fomenta a segunda opção graças a uma estratégia agora comum: tornar-se produtora para elaborar as histórias nas quais gostaria de se encontrar.

Isabelle Hupert é aquela atriz que é capaz de interpretar as personagens mais medonhas, parricida, abortadeira, assassina, adúltera, burlona.

Na sua filmografia, dificilmente encontramos heroínas que mantenham relações pacíficas com os homens, idílios envoltos em tranquilidade e romantismo. É que ela prefere travar uma guerra impiedosa tanto contra os homens em particular como contra as diferentes faces do patriarcado.

Bette Davis, a atriz que nunca teve medo de fazer papéis de velha, mesmo quando não o era. Sempre se transformou, sem medo de parecer medonha.

Interpretar uma velha é como uma viagem sem regresso, que deve ser adiada o mais possível. A carreira de Bette Davis é a fascinante exceção a esta regra. Eva é uma formalidade, uma brincadeira de criança para aquela que, aos 28 anos, rapou parte da cabeça e as sobrancelhas para interpretar Isabel I, de 63 anos, em Isabel de Inglaterra.

Foi uma leitura bastante interessante, não só para saber um pouco mais sobre as carreiras das oito atrizes mencionadas, como para perceber que não há cá limites de idade e que envelhecer faz parte e não pode nem deve ser escondido. Cada uma das estrelas, com as suas estratégias, manteve-se na ribalta e, no caso das que já foram para outro plano, penso que não serão esquecidas.
Profile Image for Hypathie.
319 reviews21 followers
October 31, 2022
Comment vieillir au cinéma, industrie cannibale, amatrice de chair fraîche, quand on est actrice ? Prendre la fuite ? Essayer le syndrome de la Schtroumpfette, la "hagsploitation", le transhumanisme en étant "forever young" ?
A travers huit portraits d'actrices, Nicole Kidman, Thelma Ritter, Brigitte Bardot, Meryl Streep, Mae West, Frances McDormand, Isabelle Huppert et Bette Davis, les stratégies pour vieillir et durer dans une industrie qui se nourrit en permanence de chair fraîche, quand on est une femme. Les choses ne se présentent pas de la même manière pour les acteurs.
=> https://hypathie.blogspot.com/2022/10...
Profile Image for Petitpois.
268 reviews5 followers
July 17, 2025
Un ensayo muy interesante y certero, que expone de forma inteligente la dificultad para envejecer de las mujeres en esta sociedad tan exigente y manipuladora, y tras exponer verdades como puños, muestra y fusiona ese proceso con ocho actrices fabulosas y sus ocho formas distintas de vivir el paso del tiempo dentro de su profesión. Ellas , famosas, son nuestras representantes expuestas, y son nuestros sus miedos, sus exigencias, su sumisión o su descaro y tenacidad.
El tono, ritmo y lenguaje son perfectos, y te entran ganas de repasar las filmografías de cada una de ellas.
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