Sal, da poeta gaúcha Mar Becker, finalista do prêmio Jabuti 2021 com A Mulher Submersa, nos conduz ao universo feminino, feito por meio do desenho de cenas quase imperceptíveis: as peças de roupa de uma casa distribuídas aqui e ali, nos recostos da cadeira, ao fim do inverno, para secarem em dias de chuva; o estojo de esmaltes de mulheres já feitas, tomado de assalto por uma menina; o ressecamento do suor, do líquido, o que talvez dê notícias de um sentimento de mar nos corpos; a cristalização da vida, a petrificação daquela para quem, como para a mulher de Lot, o amor (a uma cidade ou a um rosto) chama a olhar para trás.
Um vida baseada em sal nos bolsos para não cair a pressão. Mar sempre a me segurar entre pisadas firmes e demaios, mais um livro lindíssimo dessa mulher que admiro e amo.
"Amar como o vento amaria um quintal tomado por dentes-de-leao"
Sal, um livro de poesias de Mar Becker nos leva ao seu próprio universo, conduzido pela elaboração de cenas cotidianas de sua vida.
Confesso que alguns dos poemas são bonitos mas nenhum me pegou em cheio, talvez por não ser o momento, por ser meu primeiro livro de poesia não sei ao certo.
Esse é o segundo livro de poemas de Mar Becker. Achei parecido com o primeiro ("A mulher submersa"), inclusive há poemas parecidíssimos, apenas com a troca de alguns versos e palavras. Já ouvi uma fala da Mar em que ela diz que sempre tenta aprimorar os seus textos, mudando uma coisa ou outra. Pode ser isso.
De qualquer forma, se é Mar Becker, eu vou ler com toda a atenção que o trabalho dela merece.
É em "Sal" que há a poesia, talvez, mais célebre dela.
"Tornar o amor uma casa erguê-lo como se ergue um lugar, abrigar-se nele entrar dentro do amor refugiar-se em suas trincheiras como os que vêm feridos de morte os que de súbito entendem que viver é breve - mas amar é longo torná-lo tua mão que alcança a minha a volta a um primeiro ato de misericórdia o sangue marcando as ombreiras de nossas portas tornar o amor um esconderijo de infância uma fresta na madeira uma luz tênue uma ave (...)"
Ler o livro "Sal" foi como soprar de mim a película de sal que cobre o corpo já seco, na praia, e, com os poros abertos, revisitar sensações, estranhezas, mistérios e deslumbres de mim menina e mulher percebendo o mundo. Obrigada por isto! 🌷