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Autobiografia de um polvo: e outras narrativas de antecipação

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A improvável combinação de filosofia, ciência e literatura de ficção científica faz de Autobiografia de um polvo um livro bastante singular. Nele, Vinciane Despret, uma das pensadoras mais instigantes da atualidade, se inspira na ciência ficcional da therolinguística, a disciplina científica que estuda a linguagem dos animais criada pela escritora Ursula K. Le Guin, para apresentar em cada capítulo um estudo sobre a comunicação e a poética de diferentes animais, como as aranhas, os vombates e os polvos. As narrativas estão situadas em um futuro no qual os conhecimentos sobre a linguagem dos animais conformam um campo de pesquisa bem consolidado, composto de diversas vertentes que tensionam os limites do que entendemos por linguagem.

Nessas abordagens de surpreendente originalidade, nos temas e nas formas, são apresentados novos caminhos para as ciências e outros entendimentos das relações com e entre animais e demais seres (vivos e não vivos) – uma renovação que se faz ainda mais premente em um mundo transformado pelo aquecimento global e pelo fim do capitalismo. Encarnando o gosto pelas misturas na própria narrativa, Despret faz autoras e autores clássicos dialogarem com pesquisadores e artistas completamente ficcionais. Autobiografia de um polvo consiste numa provocação tão audaz quanto divertida a respeito das relações atuais e possíveis com os não humanos que habitam o mundo conosco.

O livro inaugura a Coleção Desnaturadas, coordenada por Alyne Costa e Fernando Silva e Silva, que reúne trabalhos desenvolvidos por mulheres que ousam “desnaturalizar” saberes, relações, corpos e paisagens, fazendo emergir mundos complexos e novas perspectivas. Oriundas de diferentes campos das ciências e das humanidades, essas autoras abordam alguns dos temas mais urgentes do debate contemporâneo, como a crise ecológica, o lugar das ciências nas sociedades atuais, a coexistência entre verdades e saberes modernos e não modernos e a convivência com seres outros-que-humanos.

160 pages, Paperback

First published April 1, 2021

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About the author

Vinciane Despret

59 books94 followers
Vinciane Despret is a Belgian philosopher of science, associate professor, at the University of Liège, Belgium.
First graduated in philosophy, she studied psychology and graduated in 1991. She is most known for having provided a reflexive account on ethologists, observing babblers in the Negev desert and the way they would interpret those birds' complex dance moves.
She is considered to be a foundational thinker in what has now become the field of animal studies. More generally, at the heart of her work lies the question of the relationship between observers and the observed during the conduct of scientific research.
Despret affiliates herself to such critical thinkers in philosophy and anthropology of science as Isabelle Stengers, Donna Haraway and Bruno Latour. She undertakes a critical understanding of how science is fabricated, following scientists doing fieldwork and the way they actively create links and specific relationships to their objects of study.

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Displaying 1 - 30 of 88 reviews
Profile Image for Paula Mota.
1,765 reviews600 followers
May 5, 2026
Quando comecei a ler este livro, suspeitei que me tinha atirado para fora de pé, tantos eram os termos estranhos com que me deparei: geolinguística, terolinguística, teroarquitectura, ciências cosmofónicas e paralinguísticas. Vinciane Despret, uma filósofa e psicóloga belga que se dedica a estudar e a escrever sobre relações interespécies, inspira-se aqui no conto de Ursula K. Le Guin, “A autora das sementes de acácia e outras passagens da Associação de Therolinguistica”, cuja leitura me foi bastante útil para entrar no espírito da fabulação especulativa, com o propósito de criar três relatos sobre a abordagem ética e inclusiva das diferentes formas de vida do nosso planeta. Fazendo a apologia da arte do efémero e rebatendo o etnocentrismo com que olhamos para o mundo animal, a autora ficciona três estudos relacionados com a Associação de Terolinguística: “A investigação dos acufenos ou as cantoras silenciosas”, sobre o zumbido de que padecem os aracnólogos que recorrem ao diapasão para comunicar com as aranhas nas suas teias…

Aprenderemos, com elas, a cultivar ao acufenos, a acolhê-los e a honrá-los – graças às aranhas estaremos ligados à terra pelos nossos tímpanos. E poderemos então sentir os cantos do planeta e do cosmos, dos caules e das plantas que respondem às vibrações das cigarras mudas; o ar será o nosso palco e o vento o nosso maestro. Juntos, escreveremos finalmente a poesia de um silêncio trémulo e quase sussurrado.

…”A cosmologia fecal do vombate-comum e do vombate-de-nariz-peludo”, a respeito dos muros que estes animais constroem à entrada das tocas com a sua peculiar escatologia especulativa…

Considerando que os vombates utilizam as fezes para assinalar o seu território e a sua toca, percebe-se a utilidade das fezes cúbicas. Muito mais estáveis, permitem construir pilhas fecais de grandes dimensões, tanto mais notáveis já que estas construções resistem aos deslizamentos e à erosão. Foram, de resto, estes muros bem sólidos e bem visíveis que guiaram numerosos animais até às tocas dos vombates, para lhes pedir refúgio, durante os trágicos incêndios que devastaram a Austrália e erradicaram grande parte dos seus habitantes não humanos, em finais da segunda década do século XXI.

…e “A autobiografia de um polvo ou as comunidades dos Ulisses”, em que uma investigadora se desloca até uma comunidade piscatória para traduzir fragmentos de textos escritos com tinta de polvo em pedaços de cerâmica, com a ajuda de um jovem intérprete, um “sinfante”, que domina a linguagem dos cefalópodes.

Não só os polvos, segundo nos disseram os pescadores, têm um pendor natural para a travessura, como ainda, ao contrário de muitos mamíferos, a brincadeira, nestas criaturas, não diminui com a idade. Não teria, portanto, nenhuma das funções adaptativas que tantas vezes lhe foram atribuídas (…): a brincadeira corresponderia antes à manifestação de uma relação livre e criadoras com o mundo e com as coisas. Poderia até ser, mais precisamente no caso dos polvos, uma expressão teimosa dessa liberdade.

Ao contrário da maioria dos leitores que apontam este capítulo como o seu preferido, eu fiquei embevecida com a tocante interação entre os humanos e as aranhas nas suas “cartografias sedosas de memórias”, que me permitiu também aceder muito mais facilmente do que julguei a esta corrente da epistemologia que se liberta da falsa medida do homem para encarar as formas de comunicação não audíveis e não visíveis da vida animal e vegetal. Despret extrapola a investigação científica combinando-a de forma encantadora com termos que associamos à produção cultural humana: escrita cinética coral, poesia simbólica canina, túneis literários, museus de reutilização, romance subterrâneo da marmota, epopeia labiríntica da ratazana, poesia iniciática do pirilampo, poesia passiva da beringela, romance tropical do girassol e, a cereja no topo do bolo, o romance policial histórico da papoila em conflito com os produtos fitossanitários.
Opondo-se cabalmente ao antropomorfismo na sua abordagem, Vinciane Despret apela a um maior respeito e compreensão de todas as formas de vida, até para que se evite um aprofundamento da nossa solastalgia, isto é, a angústia provocada por se viver num território que se degrada e que já não é como o recordamos. Inesperadamente fascinante.

O seu trabalho sobre os vombates foi distinguido com o prémio Ig Nobel da Física, um prémio paródico que consagra as investigações mais insólitas, quando não as mais disparatadas ou absurdas. Já o havia recebido uma primeira vez em 2025 por ter comparado o tempo de micção dos mamíferos.
Profile Image for Adriana Scarpin.
1,784 reviews
November 6, 2022
Autobiografia de um polvo provavelmente seria um livro que eu não escolhesse pra ler se não tivesse assinado o Clube F. da @bazardotempo.
Embora admire esses filósofos contemporâneos como Haraway e Latour e seus entendimentos inclusivos sobre animais, Vinciane Despret me passou batido quando finalmente foi traduzida no Brasil e saiu ano passado pela Ubu.
Dona de um estilo único dentro do gênero chamado "narrativas da antecipação", o qual tenta antecipar eventos científicos futuros com base em elucubrações dos eventos mais recentes, Despret mescla ficção científica com real pesquisa científica para nos legar um livro que devorei em pouco tempo tamanho o fazer-se interessante da obra.
Mais do que uma obra de grandes possibilidades filosóficas, é um intenso trabalho de pesquisa séria que nos aproxima dos animais sem cair na armadilha da antropomorfização.

Os livros do Clube F da Bazar do Tempo são muito bons, mas não compensa em absoluto assinar o clube porque os supostos benefícios dele não valem para todos os assinantes, eu por exemplo não tenho acesso às aulas e fui tratada com imenso paternalismo e condescendência pelas funcionárias da empresa cuja única função era me passar o link do sympla. Não importa quantas vezes eu dissesse que não havia recebido e que havia cumprido tudo para poder recebê-lo, era como falar com as paredes, continuaram a me tratar como se eu fosse uma idiota e jamais resolveram o problema. Não recomendo em absoluto a assinatura do Clube, compensa muito mais comprar na Amazon os livros que saem, pelo menos lá não tem ninguém para te tratar como idiota.
Profile Image for StephenWoolf.
769 reviews22 followers
June 28, 2021
Très dubitative au début, d'autant que je m'attendais à un ouvrage dans la lignée d'Habiter en Oiseau. Je n'ai donc pas compris tout de suite que l'autrice quittait le champ de l'essai pour tendre vers autre chose et j'ai sauté quelques sections avant de me rendre compte de quelle nature était ce texte.
Je trouve audacieux de proposer pour ce qui est finalement de la fiction des formes aussi austères que des communications lors de colloques, préfaces, archives... Cela donne quelque chose d'assez indéterminé qui brouille les pistes et propose des signes que la lectrice s'efforce d'interpréter. Je suppose que VD a confiance en mon intelligence et ma patience. Il y a eu certains moments de lecture agréables (notamment la manière dont on devine quelques caractéristiques de la société créée par l'autrice dans ce livre), d'autres assez fastidieux. Il y a du jeu de piste et des stratégies octopodesques qui viennent pimenter la lecture -ou la rendre laborieuse.
Ce n'est pas une lecture reposante et je ne suis pas sûre de savoir ce que j'en pense. Pour autant, je reconnais la confiance et l'optimisme qui ont du guider l'écriture de ce livre.
Profile Image for Márcio.
687 reviews1 follower
February 21, 2024
Penso que esse é o primeiro livro do gênero de ficção que se convencional chamar "de antecipação" que leio. Não se trata exatamente de ficção científica, embora o liame com esse possa ser tênue. É como se indicasse o que poderia ser.

No presente caso, Vinciane Despret utiliza-se de uma obra de Ursula K. Le Guin (The Author of the Acacia Seeds and Other Extracts from the Journal of the Association of Therolinguistics), que em um de seus contos introduz o conceito de therolinguística, que estuda a escrita dos animais. Despret, ao misturar ciência, filosofia e literatura, dá voz/escrita a três espécies de seres: as aranhas, os vombats e os polvos.

As duas primeiras narrativas (aranhas e vombats) centram-se em espécies de relatórios científicos acerca de criações realizadas por esses seres. No caso das aranhas, trata-se claramente de uma linguagem poética; no caso dos vombat, uma forma de expressão de suas crenças. Já o terceiro e último texto, que dá título ao livro, apesar de ter um aspecto científico, é muito mais literário e filosófico, o mais acessível e tocante entre as três narrativas.

Enquanto o lia, não podia de deixar de pensar em Ted Chiang e o seus dois fantásticos contos, História de sua vida e O grande silêncio, em que naquele se trata do primeiro contato com seres extraterrestres, e nesse um papagaio narra a extinção de sua espécie e coloca diversos questionamentos acerca da forma como o ser humano lida com o planeta e com o universo, em geral, egocentricamente.

A consciência, entendida como a capacidade de vivenciar, experimentar ou compreender aspectos ou a totalidade do mundo interior pelo ser humano. deu-nos o sentido de razão. Infelizmente, isso parece que nos fez crer que somos deuses ou semi-deuses perante toda as demais espécies, animais e vegetais, e delas dispormos como bem entendermos.

Se já tivemos boas interações com as outras espécies, isso se perdeu no decorrer da longa jornada que nos tornou homo sapiens sapiens. É fácil perceber o predomínio do animal humano sobre todos os demais e, nisso, praticamente sempre de forma que possamos utilizar as demais espécies para o nosso benefício, raramente de forma simbiótica. O ser humano faz isso com os seus próprios, quando considera imperfeitos aqueles que não nascem com as condições que se entende como de "normalidade" (?).

Somente mais recentemente é que com o auxílio da tecnologia, temos percebido que o que julgavamos inertes, sem vida, na verdade assim não era. Como exemplo, pessoas que eram julgadas em eterno estado vegetativo, e que se percebeu que possuem funções neurológicas atuantes, embora isso não permitisse que se pudesse superar estados comatosos. Ou mesmo estudo com outras espécies animais, como polvos, golfinhos, baleias etc., e espécies vegetais.

Eu pessolamente acredito que a forma de expressão humana não é única, que os animais também possuem consciência, personalidades etc., apenas que possuem outras formas de se expressarem que nós não entendemos (ou não temos interesse ou não queremos entender), mas isso não significa que o único meio de expressão válido seja a vocalização ou a escrita manual humana, e que sejamos, nós, seres humanos, o centro de todo o universo e que podemos destruir ou criar ao nosso bel prazer, sem pensar nas consequências aos outros seres e a nós mesmos. Podemos ser muito, mas enquanto não percebermos que a vida é simbiose, de que dependemos uns dos outros para seguir, acabamos sendo nada.

Quatro estrelas para os dois primeiros textos de antecipação. Cinco estrelas para o último texto, a autobiografia de um polvo.
Profile Image for emswag.
28 reviews1 follower
May 2, 2025
Sortir de l’anthropocentrisme quelle belle idée vraiment
496 reviews37 followers
March 15, 2023
Je n'avais jamais rien lu de tel. Je n'ose pas écrire que c'est de la SF. Comment serait le futur si on prenait le temps de la curiosité (ou du "service à ce qui doit être") avec toustes les animal.es, humain.es et non humain.es. Donner asile à toutes les formes de vie. Sentir la poésie de toutes les formes de vie. Ca me donne des frissons. Si vous n'êtes pas spéciste, baignez-vous dans ce bouquin. Si vous êtes spéciste, plongez un orteil. Tout le monde en ressortira différent.e, a minima un peu amusé.e, a maxima très bouleversé.e. Bonne lecture à toustes les Ulysses, les voyageureuses entre les mondes... 🐙🦑
Profile Image for Irene.
135 reviews5 followers
April 4, 2025
Tardé un montón en terminarme este libro porque ha estado viviendo como yo en países diferentes
Pero lo he acabado y me ha parecido fascinante: la imagen de un mundo completamente interconectado donde los animales y todos los seres son reconocidos como artistas, pensadores, con sus propios códigos y culturas... Un futuro siglo donde todos buscamos cómo relacionarnos unos con otros y el capital humano no es lo único que importa
Donna Haraway hecha poesía <3
Profile Image for Math le maudit.
1,376 reviews46 followers
May 18, 2022
Voici un livre bien atypique.

Tout l'ouvrage est construit comme une mini revue scientifique, consacrée à l'étude des langues et écritures du vivant, une discipline nommée la thérolinguistique. Le terme est emprunté à Ursula K Le Guin, et concerne uniquement les espèces animales hors Humains, bien sûr.

Et donc, ce roman regroupe trois récits différents, qui s'attardent sur trois exemples de langues / écritures développées par des animaux, à savoir les araignées, les wombats et les poulpes (même si d'autres espèces sont évoquées).

L'autrice, Vinciane Despret est philosophe de formation, et ses trois histoires sont avant tout là pour questionner notre rapport aux animaux, à la communication et, pour le dire clairement, à notre rapport à l'altérité. car évidemment, ces "langues" et "écritures" sont difficilement perceptible ou interprétable pour nous, puisque chaque espèce développe un mode de communication adapté à ses congénères, en fonction de leurs possibilités physiologiques.

Les deux premiers récits sont présentés comme des articles de publications scientifiques et sont donc assez arides, même si pas totalement dénués d'humour. Le troisième varie légèrement puisqu'il reprend la forme d'un échange de lettres et de mails.

Difficile donc de parler d'un roman stricto sensu, mais le recueil se tient bien, proposant des pistes de réflexion intéressantes d'une part, et des propositions / créations de langues / écritures originales et présentées de manière très crédibles. On doit régulièrement faire un effort pour se souvenir que ces récits sont bien des fictions, tant la forme et le sérieux des assertions distillent le doute.

On gagne donc en vraisemblance ce qu'on perd en style, et c'est ce qui fait finalement la réussite d'Autobiographie d'un poulpe.
Profile Image for Molsa Roja(s).
873 reviews32 followers
October 17, 2023
Qué libro más bonito de Vinciane... me ha hecho llorar. Si bien la introducción de Maria Ptqk es preciosa, los inicios del libro son algo grises, una no sabe muy bien qué está pretendiendo Vinciane. Claramente, intenta retomar la fabulación terolingüística de Ursula K. Le Guin pero, ¿con qué intención? Reproduce un formato epistolar que no es demasiado agradable al principio, pero al cual una acaba acostumbrándose. Y si las dos primeras historias, sobre arañas y wombats, son bastante curiosas y contienen unas cuantas ideas originales, una llega con grandes expectativas a la autobiografía de un pulpo. Y se cumplen. Al principio, tenemos solamente fragmentos sueltos. Que se dice, fueron escritos por un pulpo. Y a partir de ahí, Vinciane crea una comunidad compostista -siguiendo a Donna- de simbiosis con pulpos del Mediterráneo. Pulpos que ya están extinguidos. Vamos entrando en una nueva realidad, conocemos a los sims y sus maneras de percibir el mundo. Desciframos el mensaje. Se llora. Y entonces, se decide repoblar el espacio con pulpos capturados, darle una nueva oportunidad a la vida. Increíble.
Profile Image for Danilo Weiner.
278 reviews8 followers
September 14, 2023
Não sei como esse livro apareceu pra mim. É um livro técnico, já que a autora (filósofa, psicóloga, cientista) tem uma preocupação genuína em usar toda sua multidisciplinaridade para mergulhar numa melhor compreensão da linguagem dos animais (therolinguística é o nome técnico) e também porque o livro é repleto de rodapés nas páginas para sustentar alguns de seus achados.

Mas o livro também flerta com a ficção. A autora usa bastante humor para desnudar as teorias dos adeptos do antropomorfismo (quem atribui características e comportamentos típicos da condição humana a seres ditos irracionais) e behavioristas que insistem em simplificar comportamentos mais sofisticados dos animais.

Daí que seus 3 capítulos falam da capacidade das aranhas em se comunicar com sons que não se acreditavam ser originários delas, dos vombates (quem tem filho deve conhecer, são aqueles meio ursos marsupiais australianos) e seus muros / casas feitas de cocô que, além de servirem de refúgio a outras espécies em incêndios florestais, são instrumentos de comunicação sofisticados e, por fim, os polvos que dão o título ao livro e recebem um tratamento especial por sua incrível inteligência (de certa forma, já reconhecida) e também com novas abordagens sobre aspectos de sua linguagem pouco compreendidos até então.

Não é um livro pra todo mundo, mas definitivamente pra quem questiona as simplificações das fronteiras entre racionalidade e irracionalidade quesepara humanos e animais, vai se deliciar com a leitura...
404 reviews13 followers
Read
October 27, 2025
La creatividad y la inteligencia de Despret son desbordantes.

Gracias a sus palabras y capacidad fabulativa el mundo a nuestro alrededor se vuelve mucho más brillante y divertido y a la vez más comprometedor y digno de políticas responsables. Bien es cierto que sus relatos son ciencia ficción, pero de una sutileza y rigor científico tan elevado que a nadie debería extrañarle que fueran precursores de muchas hipótesis científicas futuras en torno a la creatividad, la espiritualidad y la personalidad de las arañas, los wómbats o los pulpos.

Una maravilla, simplemente.
Profile Image for Meor.
152 reviews25 followers
April 19, 2021
C’est drole, c’est sourcé sur le plant ethozoo/linguistique, ça donne beaucoup à penser et les liens avec Donna Haraway ou Ursula Le Guin sont réjouissants. Un très bon moment de lecture que ces trois histoires ancrée dans le réel philo/art/science autant que l’anticipation. 🐙
Profile Image for Samuel.
25 reviews2 followers
July 4, 2024
doteraz neviem ci to bola fikcia alebo nie…..
Profile Image for Humo.
43 reviews6 followers
December 3, 2024
Me ha flipado este libro. Empecé a leerlo poco motivado porque venía de haber abandonado un tiempo la lectura, pero poco a poco he ido conectando con las ideas de la autora.

La autora utiliza un estilo epistolar inscrito en un diálogo científico sobre el lenguaje de los animales. En concreto, propone un mundo en el que las distintas ciencias zoológicas están mucho más avanzadas. Pero este avance no es tecnológico ni nada parecido, es un avance de la sensibilidad y la cosmovisión: una ciencia que concibe la inteligencia de todos los animales, su propia cultura, personalidad, poética... Una propuesta que trasciende el paradigma evolutivo que todos hemos heredado y entiende el mundo como una simbiosis de seres.

Es difícil describir lo increíblemente creativo que es este libro. Apoyándose en estudios existentes, nos descubre la posibilidad (para mí ya muy real) de la poética inscrita en los muros fecales de los wombats, los nítidos mensajes vibrantes de las arañas o la escritura de los pulpos y la personalidad de cada uno de sus tentáculos.
Además propone un mundo en que nuestro lenguaje se expanda a todos los sentidos y establezca lazos íntimos con otras especies; propone un lenguaje simbiótico en el que no hay sujeto, solo devenires que se convienen y forman corrientes.
Tenemos que aprender a ser pulpos.
Profile Image for Pikobouh.
479 reviews86 followers
August 16, 2021
Bien que court, ce livre fut dense ! Il m'a fallu faire beaucoup de recherches pour le suivre (ce qui n'a pas été pour me déplaire !).
L'introduction SF était parfaitement dosée !!
Profile Image for Jean-Pascal.
Author 9 books29 followers
July 30, 2022
Je prends le livre pour une plaisanterie en forme d'essai. Mais j'ai bien peur que l'autrice prenne ça au sérieux. J'aurais alors préféré lire l'essai.
Profile Image for Carol Valeria.
17 reviews
April 21, 2026
Escribió Mathieu Vidard, que “la filósofa Vinciane Despret se vale de la poesía y los datos científicos para demostrarnos que el lenguaje y la inteligencia no son solo atributo exclusivo de los humanos, sino una característica de todos los seres vivientes que habitan el planeta tierra”. Creo que es una buena forma de explicar el tema central y la intención de la autora.
Vinciane Despret, es una filósofa de la ciencia, conocida sobre todo por sus análisis de la historia de la etología (estudio del comportamiento de los animales) y de las relaciones interespecie. En un contexto histórico marcado por crisis ecológicas, desde finales del siglo XX y comienzos del XXI, distintas corrientes —como los estudios animales, el poshumanismo y el feminismo de la ciencia— han puesto en duda la idea de que los humanos ocupan una posición central y superior a las otras formas de vida. Con este panorama como punto de partida, Vinciane Despret forma parte de los autores y autoras contemporáneas como Ursula K. Leguin, Donna Haraway, entre otros, que buscan desarrollar nuevas formas de pensar la convivencia y las dinámicas del mundo compartido.

En este libro, la autora presenta tres relatos que van hilando hacia una misma reflexión. El primero, “La investigación de los acúfenos o Las cantantes silenciosas” nos muestra a través de un formato epistolar (sucesión de cartas intercambiadas) los descubrimientos de un psicólogo del lenguaje sobre las arañas, donde demuestra que las arañas son cantantes silenciosas, y que para percibir las vibraciones, cantos del planeta y del cosmos como lo hacen las arañas, los humanos deben parar el ruido.
El segundo capítulo “La cosmología fecal del wombat” explora cómo ciertas prácticas animales pueden ser el origen de lo simbólico y lo religioso en los humanos, mostrando que conductas biológicas como defecar, contienen dimensiones expresivas, sociales y de respuesta ante lo extraordinario que van más allá de lo funcional. En relación con los otros dos capítulos, este se entrelaza al ampliar la mirada sobre las formas de significado y vínculos animales.
El último relato ¨Autobiografía de un pulpo o La comunidad de los Ulises¨ también tiene formato de correos electrónicos. A través de ellos, una terolingüista explica sus hallazgos sobre el lenguaje de los pulpos o sim, el cual se caracteriza por la ausencia de sujeto en las oraciones pasando de expresiones como “yo veo” a “algo se da a ver”. En el capítulo aparecen fragmentos sueltos escritos por los animales y gracias a ellos, conocemos su forma de pensarse en el mundo. El relato culmina con el desciframiento del mensaje escrito por los pulpos, que conmueve.El argumento final del relato invita a repensar la relación entre los humanos y los demás seres vivos desde una perspectiva más sensible y menos antropocéntrica. Haciendo énfasis en la importancia de la variedad de lenguajes.

En lo personal, no me convence lo que escribe la autora del prólogo, María Ptqk, cuando afirma que “de ninguna manera estamos ante una ensayista que se ha pasado momentáneamente a la ficción, ni ante una académica que se concede licencia literaria para explorar tonos o temas”. A mi parecer, el libro se sitúa precisamente en ese territorio híbrido entre la ficción y el ensayo. Pero esa mezcla no le resta valor, sino por el contrario, constituye una de gran fortaleza, ya que permite articular ideas científicas con una sensibilidad literaria que amplía la reflexión. Como crítica, los capítulos construidos en formato de correos electrónicos, no me resultan del todo efectivos, pues la estructura fragmentada dificulta la fluidez de la lectura. Sin embargo, esta decisión cobra más sentido conforme avanza el libro y se comprende la intención de presentar distintas voces y modos de comunicación.

Como reflexión final, el texto conmueve profundamente. Los avances científicos no deberían orientarse únicamente hacia lo técnico, sino también hacia lo sensible y hacia otra cosmovisión. Propone una ciencia que reconozca la inteligencia de todos los animales, su cultura propia y hasta su personalidad poética. Las ideas hacia las que apunta Vinciane son, creo, profundamente necesarias de transitar. Después de la lectura, queda la sensación de que debemos aprender a relacionarnos de otra manera con el mundo. En cierto sentido, hay que ser más pulpos.
Profile Image for Maria Andrea.
71 reviews1 follower
February 1, 2026
Agradezco enormemente a los colaboradores de este libro por recordarnos que: somos muy parecidos a los animales y no ellos a nosotros, y resaltar la torpeza e ignorancia humana por no prestar atención a lo hermoso e igualmente complejo que puede ser el lenguaje del reino animal.

Es evidente que el resto de animales sienten y piensan, pero cuando terminaríamos notando que las demás especies son capaces de desarrollar arte, historias, mensajes, sueños, juegos, cantos y más. Personalmente descubrir eso me es impresionante.
Profile Image for Alia Maiz.
65 reviews14 followers
July 11, 2024
El último texto, que da título al libro, es ❤️‍🩹❤️‍🩹
Profile Image for Thiago Nasi.
218 reviews1 follower
December 15, 2024
Não sei se entendi muito, mas achei o máximo. Depois volto aqui (depois da minha aula sobre o livro) para escrever mais.
Profile Image for Martín.
53 reviews3 followers
May 3, 2025
Es fa pesat a estones, però és tan original i suggestiu que no podria posar-li menys nota. A més a més, repren molt bé el fil de la història curta d'Ursula le Guin, "The author of the acacia seeds", així que se l'ha d'estimar
Profile Image for Luigi Galicia.
Author 5 books4 followers
October 22, 2025
Un verdadera carta de amor a la bioética, lo recomiendo altamente a todo mundo. la frontera entre ciencia y fricción prácticamente es imperceptible en este libro
Profile Image for Diana Solares.
180 reviews1 follower
September 28, 2025
Una maravillosa visión sobre la ciencia y la naturaleza abordado a través de la ficción.
Profile Image for Paulo Vinicius Figueiredo dos Santos.
977 reviews12 followers
December 26, 2023
Esse é um livro bastante diferente. A autora Vinciane Despret criou uma narrativa filosófica na qual ela mescla ciência e ficção. O que ela estimula através desse livro curioso é o pensar fora da caixa. Algo que vários livros de ficç+ão científica já trabalharam em algum momento: a de que costumamos pensar outras formas de vida tendo a nós mesmos como o padrão. E nem sempre outras formas de vida possuem o mesmo arcabouço conceitual, simbólico e imagético que nós. Através de três contos ela vai abordar algum tipo de animal e fazer várias proposições como formas de comunicação, entendimento de si como identidade individual ou coletiva, noção de religião ou de poderes superiores. O último conto, que dá título ao livro, possui algumas ideias de ficção especulativa e é onde ela vai elucubrar mais como colocar espécies simbióticas, o fim do capitalismo e uma sociedade em busca de respostas. A minha resenha não deve seguir o estilo tradicional porque o próprio livro não funciona dessa forma. Ele não dispõe exatamente de personagens, o seu enredo é bem solto e não há necessariamente um início, meio e fim.


A escrita de Despret é fluida e possui um tom bastante informativo. No fundo, o livro é mais um livro de filosofia com elementos especulativos. Não sou um especialista em biologia então não sei separar o que é informação real e o que é ficcional. Ainda mais nos dois primeiros contos onde essa linha é mais tênue. Algumas situações são mais escrachadas como aranhas que se comunicam ou vombates cujas fezes geram esculturas. O leitor pode ficar despreocupado porque a autora não emprega muitos jargões científicos; é possível entender e apreciar mesmo que você não seja alguém ligado à área. Ela apresenta os temas com bastante calma e a leitura adota um tom bem contemplativo. Não é uma leitura longa, mas ao mesmo tempo não é algo que você queira fazer despreocupadamente. Recomendo sentar com calma e ler sem distrações por perto, caso contrário você pode perder um pouco as mensagens e os temas abordados. Em alguns momentos a escrita adota um tom epistolar, com trocas de cartas e relatórios entre autores que são os pesquisadores por trás dos estudos sobre os animais. A autora não vai se prender a personagens, embora as pesquisas feitas tem uma consequência posterior. Ela retoma ideias abordadas anteriormente, sempre construindo um algo a mais em cima.


"Apesar da crença de longa data de que os vombates em cativeiro se abstêm de defecar cubos, certas exceções haviam sido observadas: alguns vombates-de-nariz-peludo-do-norte, criados em residência depois da verificação de que esse grupo se encontrava à beira da extinção, tinham começado a construir muros com tijolos de formato cúbico. Não eram muito numerosos, mas seu caso permanecia inexplicado."

Debater formas de comunicação de outros seres não é um tema estranho ao gênero. Um dos livros mais recentes que se tornaram famosos está História de Sua Vida e Outros Contos, de Ted Chiang. Nele o autor coloca os personagens diante do enigma de uma imensa nave espacial que aterrissa na Terra e os cientistas tentando decifrar a estranha linguagem dos visitantes. Aqui, Despret nos mostra aranhas que se comunicam através de sons. Vemos que os cientistas que estão as estudando conseguem escutar os sons, mas não sabem decodificá-los. Daí me pego pensando em quantas espécies podem estar, neste instante, buscando se comunicar conosco e não conseguindo porque somos incapazes de pensar em outra direção. A fala não é a única maneira de se comunicar que existe no universo. Os meios de comunicação passam pela possibilidade de outra espécie compreender o que está sendo repassado através de sons, símbolos. Até mesmo o contato visual ou outras formas desconhecidas por nós podem ser comunicativas. No terceiro conto, os cientistas que estudam os polvos buscam entender a tinta que eles entendem agora ser uma forma de comunicação também, e não apenas de defesa. Isso inclui também a mudança de cor.



Essa forma assimétrica de pensar também está presente no segundo conto onde os cientistas se debruçam sobre as fezes dos vombates. Elas formam esculturas que possuem algum tipo de simbolismo entre eles. Isso me fez pensar na maneira como os homens pré-históricos se comunicavam seja através de pinturas na parede ou pelo artesanato. Eram formas pelas quais eram transmitidas mensagens que tinham o efeito de serem compartilhadas com outros membros da mesma espécie. Nas elucubrações dos cientistas aqui, eles tentam pensar na ideia do divino e do sagrado. Ao chegarem a uma teoria (ficcional, é claro) de que as esculturas de fezes seriam algum tipo de elementos de adoração, a autora formula ideias sobre como tais criaturas pensam o sagrado. Aliás, na visão da autora, a relação com o sagrado/sobrenatural não precisa estar eivado de um sistema de panteão ou de deuses em si. Pode ser apenas o pensar em si mesmo dentro de um universo muito maior. Traduzir esse conceito tão abstrato em alguma maneira de se comunicar com esse "algo maior" é que constituiria tal relação. É bem diferente de adorar uma imagem, cultuar um deus ou realizar rituais. É algo que caminha em outra direção. É sempre preciso lembrar que a palavra religião vem do latim religare, que denota uma ligação, uma conexão com algo acima da explicação humana.


Há também outro ponto tratado que tem a ver com a evolução do homem. Não sabemos para que direção nossa espécie irá se dirigir. Na narrativa existem os sims, espécie de criaturas que possuem algumas características animais. Os estudiosos ainda estão perdidos no livro, buscando compreender como os sims funcionam, como se comunicam, que valor dão às coisas. A cientista ao qual acompanhamos os relatórios parece perdida às vezes até que ela tem algum insight a respeito de algum ponto que ela julgava não ter importância, mas que ajuda a entender outras coisas. O que é possível perceber nesse trecho é que a autora trabalha bem a questão da deriva evolutiva ao se questionar qual é o próximo passo. Nossa arrogância como "topo da cadeia alimentar" nos faz pensar que o nosso caminho, nossa jornada evolutiva é o pináculo da natureza, mas será isso mesmo? Outros animais possuem sentidos mais complexos que os nossos; uma barata é um animal capaz de se adaptar mesmo a um desastre nuclear. Derrubando essas certezas que temos, a autora faz um relato bastante interessante sobre o pensar fora de nossos conceitos pré-formados. Os polvos inteligentes que ela apresenta ao longo da narrativa nos faz pensar o quanto desconhecemos sobre a maioria dos animais terrestres.


"As histórias são fartas e deixam em aberto se trata-se de jogos, farsas ou guerras de desgaste. Em contrapartida, fica claro que, para os polvos, tudo pode servir de material para exploração lúdica (os termômetros poderiam se enquadrar nessa categoria). Ao encontrarem uma pequena garrafa plástica boiando na superfície de seu reservatório, os polvos se divertiram por bastante tempo, projetando-a com poderosos jatos de água em direção ao sifão do aquário, o que a fazia retornar para eles, e esse jogo poderia assim continuar indefinidamente."

Autobiografia de um polvo é uma leitura fantástica, que nos tira de nossa zona de conforto. Despret coloca uma série de ideias malucas e caóticas em nossas mentes que nos fazem refletir sobre nosso papel em um mundo onde não somos os protagonistas. A existência de uma Gaia que nos abriga e nos coloca em contato com outras espécies é que é esse personagem principal. Ao pensar os animais que nos rodeiam, entendermos que o óbvio pode não ser lá tão óbvio assim e que existe toda uma teia de relações entre os seres vivos das quais não fazemos a mais remota ideia. É uma boa ficção especulativa que serve para abrir nossas mentes para outras possibilidades.
8 reviews
September 5, 2025
Con sustento científico y narración impecable, este libro te mete en una realidad totalmente creíble, pero con guiños de magia que, personalmente, me dejaron pensando si todo lo que veo es lo que existe, o si existe hay más que se nos escapa.

Eso y anécdotas de pulpos. El mejor animal, sin dudas.
Profile Image for andré ✧*。.
34 reviews4 followers
December 28, 2023
“Debido a la interdependencia innata de todo lo existente, los relatos de todos los seres vivos se mezclan, se entrecruzan, se escriben los unos sobre los otros. Las bacterias escriben sus proyectos en el cuerpo de sus huéspedes; las aves, en las semillas de los frutos que transportan para propiciar otros encuentros; las abejas zánganos portan el relato de las flores en las que liban y las flores llevan a su vez, en forma de relatos integrados (aromas, colores y formas), los proyectos de las abejas. (…) Cada relato. por ende, constituye una propuesta, una apuesta por el futuro, un cebo para la existencia, incluso para las metamorfosis.”


Vinciane se hunde en los mundos de Ursula K. Le Guin, Donna Haraway, Tomás Sarraceno, Batiste Morizot, David Abram y otres muches autores de ayer y de hoy para dibujar la posibilidad de un mañana simpoiético. Un mañana en el que la inteligencia, el lenguaje, la cultura, la religión, el arte… no son exclusivos de la humanidad. Un mañana en el que las disciplinas se hibridan: la etología como filología, como arquitectura, como historia del arte de lo más que humano. Un mañana en el que hemos abandonado las técnicas de sacrificio propias de la experimentación animal e investigamos desde la empatía, la escucha activa, los sentidos encarnados y el diálogo inter-especie. Un mañana en el que devenir juntes.

Aunque la autora se asienta en un futuro lejano (varios siglos en adelante) el formato y las referencias continuas a nuestro pensamiento actual me han llevado a saborear el texto como una realidad. Y pienso, que en parte vivimos ya en ese cambio de paradigma. Somos conscientes de las violencias propias del antropocentrismo y estamos ensayando modos alternativos de vivir y morir bien. Las ideas hacia las que apunta Vinciane son bellas, conmovedoras y, creo, que profundamente necesarias. Gracias Vinciane <3
Profile Image for Anthelia  Amazes .
418 reviews68 followers
July 22, 2021
C’est un roman d’anticipation et pourtant c’est aussi fatiguant à lire qu’un rapport d’expertise scientifique…
Alors qu’en tant que végétarienne de longue date j’avais vraiment envie d’être charmée par ce livre … Car il illustre assez bien ma théorie (que j’élabore mes longues nuits d’insomnie depuis l’enfance) : nous pensons que les animaux nous sont intellectuellement inférieurs car nous n’avons en réalité pas les outils de perception de leur moyen de communication, et ce surtout à cause de notre vision anthropocentrique du monde ; et donc des difficultés insurmontables pour l’instant d’entrer en contact avec eux et d’écouter ce qu’ils ont à nous dire.
Ce livre passe de vérités scientifiques à pure science fiction d’un paragraphe à l’autre … du coup on est perdu, voir déstabilisé par cette « fluidité » des genres.
C’est un flop pour moi.
Je ne l’ai même pas terminé.
Vous pourrez peut-être l’apprécier si contrairement à moi vous lisez des ouvrages théoriques … moi j’aime les histoires !
Profile Image for Alonso De Lorenz.
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February 24, 2026
Creo que algo que toca hacer es explorar/explotar/experimentar esos términos que nos permiten repensar nuestro futuro o más bien anticiparlo de una forma distinta, se crean detonadores a partir de la terolinguística de la que nos habló Ursula K. Le Guin que se vuelve solo la manifestación inicial de un mundo que exige ser escrito y experimentado, ¿realmente cuál sería el lenguaje de cada uno de los animales, de cada una de las plantas, de cada roca y grano de arena? ¿que se dirían en su autobiografía dirigida a una reencarnación futura? ¿como se experimenta el lenguaje sin caer en el sujeto y por lo tanto en lo ya conocido y establecido? Pensar estos términos exige por lo tanto separarse de todos los relatos ya contados y buscar los que siempre han existido y jamás nos han atravesado. Por un mundo donde podamos pensar en lo absurda que era nuestra convivencia con el propio mundo en el tan bélico y catastrófico siglo XXI.
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