O catolicismo, que desembarcou por aqui a partir da colonização portuguesa, foi se moldando de uma maneira um tanto polifônica, talvez mesmo informal, que inclui a veneração aos santos canônicos, aos santos populares e a espiritualidades cruzadas por influências indígenas e africanas.
No panorama histórico e cultural apresentado em Santos de casa: fé, crenças e festas de cada dia, interessa ao historiador Luiz Antonio Simas – que tem se dedicado em uma série de livros a inventariar as culturas e tradições brasileiras, ou seja, as brasilidades – entender não apenas como a igreja santificou as mulheres e os homens ao longo do tempo, mas, sobretudo, como o povo humanizou os santos nas invenções cotidianas da vida praticada na dimensão do encantamento do mundo. Assim, entram em cena festas, quermesses, crendices, benditos, ladainhas, cheiros, sabores, procissões, novenas, simpatias, ventos, fogueiras, encruzilhadas, presépios e outras expressões da paixão e da fé do povo brasileiro. Trata-se de uma declaração de amor – embasada em pesquisas, memórias e afetos – ao cristianismo do assombro e do universo fantástico do povo festeiro do Brasil. A edição é impressa em cores e fartamente ilustrada com imagens de mais de 20 santas e santos feitas pela artista Aline Bispo.
"Não questionamos nem afirmamos a veracidade dos relatos que se seguem. A mentira para quem não crê, como lembrou o poeta Jorge de Lima, é o milagre para quem sofreu. Guimarães Rosa dizia que os santos foram homens que alguma vez acordaram e andaram os desertos de gelo. Tentemos ao menos acariciar, ainda que minimamente, o espanto e o assombro dessas caminhadas."
Luiz Antônio Simas (Rio de Janeiro, 2 de novembro de 1967) é um escritor, professor e historiador, compositor brasileiro e babalaô no culto de Ifá.
Professor de História no ensino médio, é mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Simas já trabalhou como consultor de acervo da área de Música de Carnaval do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, e como jurado do Estandarte de Ouro, maior premiação do Carnaval carioca. Foi também colunista do jornal O Dia[2], e desenvolveu o projeto "Ágoras Cariocas", de aulas ao ar livre sobre a história do Rio de Janeiro. Em seus livros, procura resgatar a memória oral da cidade, especialmente da população marginalizada
exploração fascinante do papel dos santos e santas no imaginário popular brasileiro. muito bem pesquisado, escrita fluida e um carinho especial ao expandir na conexão dos santos cristãos aos orixás das religiões de matriz africana, ilustrando perfeitamente a diversidade da fé nacional
Esse livro é um almanaque dos santos mais populares no universo brasileiro. Acho que talvez seja indispensável a folcloristas amadores, pelo trabalho de conexão entre as diferentes formas de religiosidade popular brasileira. Pro meu gosto, poderia ser maior, ter mais detalhes. No entanto, acho que o tamanho faz dele uma obra presenteavel a virtualmente qualquer pessoa de qualquer idade que queira entender melhor o cristianismo popular. Tem um glossário simples ao final e indicações de bibliografia básica. Além disso, tem ilustrações lindas, diagramação de qualidade e um papel excelente.
pra quem acredita na alegria e tem fé na humanidade dos santos e na santidade dos humanos ❤️ viva a cultura popular brasileira, nosso sincretismo e nossas crendices, nossos santos e nossas rezas
Em "Santos de Casa", o professor Luiz Antonio Simas nos apresenta, na forma de almanaque, um panorama colorido sobre os principais santos e santas da devoção popular do nosso Brasil. Unindo o profano e o sagrado, essa obra espetacular nos mostra a riqueza e a beleza da nossa cultura popular, abordadas de forma divertida e informativa pela escrita envolvente do autor.