A Guerra de Tróia. Os Doze Trabalhos de Hércules. A história de amor de Cupido e Psique. A desgraça de Édipo. O retorno de Ulisses a Ítaca. As maiores batalhas do mundo antigo, o nascimento dos mais célebres heróis de então, os principais episódios envolvendo deuses e deusas do Olimpo, mortais, imortais, monstros e bestas são aqui relatados na sua forma original: com o vigor da ficção. Nas cem histórias que compõem este livro, as forças da natureza tornam vida, forma-se o Universo, nasce o homem, surgem os animais e explicam-se, segundo a ótica mágica da mitologia greco-romana, os primórdios da existência e da história da humanidade. Os mitos não são mitos, mas personagens vividos e de carne e osso, que pensam, sentem e amam – tudo isso contado numa prosa acessível – e que compõem o berço da cultura ocidental.
Comecei a ler este livro com grandes expectativas, mas elas acabaram por ser defraudadas. Esperava algo semelhante ao livro Mitologia Nórdica, de Neil Gaiman, que reconta mitos com profundidade e mestria. Porém, não foi isso que encontrei neste livro.
O próprio título, que promete 100 mitos em pouco mais de 400 páginas, deveria ter-me feito desconfiar. Os mitos são narrados de forma telegráfica e muito concisa, focando-se apenas no essencial da história. Sem os diálogos, seriam simples resumos, e mesmo os diálogos não são muito bem conseguidos, oscilando entre trocas de frases simples em alguns contos e uma tentativa de tornar a conversa eloquente em outros.
Embora os mitos sejam contados com pouca profundidade, quase como notícias de jornal em alguns casos, esse não é o pior aspecto do livro. O que realmente se destaca é a falta de uma boa revisão, pois a escrita é bastante incoerente. Com dois autores, parece que cada um escreveu uma parte dos mitos sem qualquer coordenação ou interação entre eles.
Além disso, há vários erros, como a inconsistência nos nomes das personagens. Por exemplo, Titão é referido como Titono em alguns mitos, e Páris é chamado de Pária nos mitos posteriores à guerra de Troia, Oríon é chamado de Orson algumas vezes no conto referente ao seu mito. Também há erros nos detalhes das histórias: Dédalo e Ícaro são descritos como estando presos no labirinto de Creta, mas antes de fugirem, eles sobem a uma montanha e caçam pássaros, o que não faz sentido. É também referido que Saturno, que já teria cinco filhos, tem um quinto filho, Júpiter, quando deveria ser o sexto. Essas inconsistências que abundam no livro acabam por prejudicar a sua qualidade.
Outra coisa que não gostei foi que os deuses são tratados pelos seus nomes romanos, embora isso esteja mais relacionado com o meu gosto pessoal. Muitas dessas histórias eu já conhecia com Zeus, Hera, Atena, Hades e Poseidon como personagens. Ler esses mitos com Júpiter, Juno, Plutão e Neptuno como personagens soou estranho para mim.
É possível ler um excerto deste livro na página da editora LP&M. Antes de comprar, façam um favor a vocês mesmos e espreitem, pois é possível ler os mitos sobre o nascimento e glória de Saturno (uma página e meia) e de Júpiter (três páginas). Assim, poderão ter uma ideia se gostam do estilo do livro. Eu não gostei.
O livro é bacana e esclarece alguns pontos sobre a mitologia, entretanto é longo demais, o que o torna cansativo. Para mim, ele soa mais como uma "Enciclopédia mitológica" onde o mais conveniente a se fazer é buscar a história que quer conhecer ao invés de ler todas de uma vez.