Não me vou alongar muito nesta opinião, uma vez que, A Filha de Ísis é apenas o primeiro volume das Memórias de Cleópatra.
Este é o volume onde a própria Cleópatra relata os primeiros anos do seu reinado, como Rainha do Egipto. Começa por falar um pouco da sua infância e da família, do pai e dos irmãos e da relação com eles. Sem este enquadramento da história e tradição dos Ptolomeu, descendentes de Alexandre, muitas das decisões e acções futuras seriam questionáveis.
Cleópatra conta como conheceu e se apaixonou por César, na altura o mais destemível e temido general das forças romanas à conquista do mundo. Um homem muito mais velho, com enorme carisma, um poder imensurável, enfim... um homem irresistível e que, quando está junto de Cleópatra, demonstra ser apenas um homem.
Grande parte deste primeiro volume concentra-se na aliança política e pessoal que Cleópatra vai manter com o homem mais poderoso do mundo. Com o apoio dele recupera o trono do Egipto e, é também por ele que é mantida a independência do seu reino, não sendo o Egipto anexado como parte do Império Romano.
Cleópatra é apresentada como uma mulher moderna, com ideias e ambições próprias e uma boa estadista, com capacidade para gerar consenso. Não é dona de uma beleza estonteante, é sim, exótica e carismática. Aposta tudo na sua relação com César, principalmente por amor, genuíno e desinteressado, mas também porque sabe que é, naquele momento, a única forma que tem de continuar a ser a Rainha do Egipto.
Este primeiro volume termina pouco depois da morte de César, assassinado às mãos do seus supostos aliados. Termina com Cleópatra a regressar a Alexandria depois de uma prolongada temporada em Roma onde cimentou a sua aliança a César, agora morto.
Gostei deste primeiro volume, mas não fui de todo arrebatada por ele. Acho a escrita de Margaret George pueril, demasiado próxima da de um romance de cordel. Num romance histórico, deixam-me um pouco desconfortável, os suspiros e os devaneios de adolescente de Cleópatra. Faz-me confusão, uma rainha, deixar tanto tempo o seu reino para estar junto do seu grande amor, embora tenha sido importante para vincar a sua posição, achei despropositado. No entanto, como não faço ideia do que, nesta história, é real ou ficcionado, para além dos grandes acontecimentos, é claro, até pode ter-se passado assim... :)
Achei-o por vezes cansativo, ela prolonga demasiado o relato dos acontecimentos e, embora seja claro para mim que vou ler os outros dois volumes, também foi claro, desde muito cedo que não iria lê-los de seguida. Sinto necessidade de espaçar a leitura e mudar de tema...
Gostei dos ambientes criados, tanto os egípcios como os romanos. As festas e as celebrações, a forma como se comportavam foram das partes mais interessantes do livro. Gostei muito da personagem de César, mais até do que da Cleópatra. Talvez a Cleópatra mais velha e experiente me cative mais nos volumes que se seguem.
Resumindo, gostei. Vou ler de certeza os dois volumes que faltam - O Signo de Afrodite e O Beijo da Serpente - mas estou a fazer figas para que estes dois sejam mais arrebatadores.
Recomendo. A época é só por si cheia de acontecimentos e as personagens tem potencial para serem muito boas de acompanhar. :)
Boas leituras!