Na pequena e remota ilha de St Dismas, ao largo da Inglaterra, um crime violentíssimo entre irmãos choca a comunidade, trazendo à superfície o mal-estar entre os ilhéus e os Filhos de Dismas, uma seita religiosa que perdura há séculos.
A Polícia local vê-se a braços com um caso que parece impossível de resolver, com a investigação travada pelo obscuro fanatismo dos crentes.
Max Loar, o homicida confesso, acaba na prisão de Brixton, enquanto ondas de choque repercutem na imprensa do Reino Unido perante a brutalidade do crime.
É na cadeia que conhece Cícero, que está preso por homicídio. Apesar dos esforços de Cícero para compreender o rapaz, as coisas acabam mal. Pouco depois, recebe a visita de Pilar Benamor, a jovem ex subcomissária da PSP que, desde a violenta resolução do caso Drexler em Águas Passadas, desapareceu do mundo. No reencontro com o velho amigo, Pilar recebe a resposta aos seus sonhos premonitórios e não resiste a mergulhar de cabeça na história dos irmãos Loar.
Rumando à ilha — um lugar enigmático, pleno de forças malignas —, Pilar une forças com o sargento Noah contra o inquietante padre Prudence, que lidera os dismáticos, numa investigação aos meandros do fanatismo, do poder e das pulsões mais sombrias do ser humano.
João Tordo was born in 1975. He has published twenty-one books - novels, crime novels and essays - and received several awards, including the José Saramago Literary Prize 2009, the Fernando Namora Prize 2021 and the GQ Prize. He was a finalist for many other awards, including the European Literary Prize, the Fernando Namora Prize, the Oceanos Prize and the PEN Club Prize. His books have been published in several countries, including France, Italy, Germany, Hungary, Spain, Croatia, Serbia, Czech Republic, Mexico, Argentina, Brazil, Uruguay and Colombia.
João Tordo nasceu em Lisboa em 1975. Publicou vinte e um livros - divididos entre o romance, o policial e o ensaio - e recebeu diversos prémios, incluindo o Prémio Literário José Saramago 2009, o Prémio Fernando Namora 2021 e o Prémio GQ. Foi finalista de muitos outros prémios, incluindo o Prémio Literário Europeu, o Prémio Fernando Namora, o Prémio Oceanos e o Prémio PEN Club. Os seus livros foram publicados em diversos países, incluindo França, Itália, Alemanha, Hungria, Espanha, Croácia, Sérvia, República Checa, México, Argentina, Brasil, Uruguai, Colômbia.
Pilar tenta mudar de vida depois dos acontecimentos ocorridos em Águas Passadas. Continua a ser uma personagem complexa e que parece carregar o peso do mundo às costas. Já gostava bastante dela, mas nesta história rendi-me totalmente. Além disso tem a minha idade e acho que temos características parecidas. Cícero continua ter a ser das minhas personagens preferidas de sempre. A sabedoria e a calma com que enfrenta as adversidades são impressionantes. O mundo seria um lugar melhor se existissem mais Cíceros.
Quem conhece a escrita de João Tordo sabe que ele prefere boas personagens a boas histórias. Mas desta vez parece-me que conjugou os 2 binómios na perfeição, a ilha de St Dismas, a crença e o fanatismo religioso, a prisão, tudo encaixa perfeitamente.
Algo que também gostei muito foram os diálogos. Muito bem construídos e muitas vezes determinantes em algumas situações. As restantes personagens são a cereja no tomo do bolo, principalmente Boris. Como não adorar aquela criatura?
As últimas 100 páginas, foram lidas num estado de nervosismo porque os twists são constantes. Pilar e Cícero não podiam ter voltado de forma tão perfeita.
Escusado será dizer que adorei. Mas digo na mesma, adorei!
Sombrio, como é apanágio do autor, mas cujas personagens ficam conosco muito para além das páginas lidas. Cícero e Pilar estão cada vez mais "avariadinhos" da mona! Mas estamos cá para os acompanhar.
Se eu não fosse dar 5 estrelas a este livro era doida. Aliás, não dar 5 estrelas a um livro de João Tordo é cada vez mais complicado. A cada livro publicado do autor eu tenho mais certezas que é dos meus escritores preferidos. Desde que li "O Luto de Elias Gro" que assumi-me fã das obras de Tordo. A cada obra publicada fico cada vez mais encantada com aquilo que o autor escreve.
É simplesmente incrível. E digo-vos: o trabalho feito neste livro foi magnífico. Temos aqui um livro cheio de referência bíblicas que não deve ter sido fácil de escrever. Novamente temos a dupla de Pilar e Cícero que são dois que adoro já desde o primeiro livro. A escrita que é fluída e faz o leitor perder-se por completo a ler, sem se aperceber do tempo a passar. São mais de 500 páginas que li em dois dias com paragens obrigatórias para comer e dormir, mas se pudesse, nem dormia.
Adorei este livro, cada momento de leitura foi delicioso. Voltava a ler milhares de vezes que iria continuar a adorar. Recomendo, aliás, recomendo todas as obras de João Tordo.
Começando pelo positivo: - Foi bom voltar a "ver" a Pilar e o Cícero e a sua cumplicidade. - Toda a história à volta dos Filhos de Dismas está bem feita e com muitos detalhes que ajudam a que quem não esteja tão a par do tema consiga perceber e entrar dentro do mesmo. - Apesar de ser um livro grande, Tordo vai conseguindo sempre prender o leitor, libertando detalhes pouco a pouco. - A construção que Tordo faz das personagens é muito boa e os diálogos entre elas também. - Boris!
As minhas irritações, sem spoilers: - O uso do inglês ao longo de todo o livro foi bloody annoying e, acima de tudo, não trouxe nada de valor à história. - Os capítulos da prisão eram um pouco parados e acrescentavam muito pouco à história de cada vez (já para não falar dos detalhes sórdidos e, a meu ver, escusados) - Escusados também acho os detalhes à volta da "doença" de Pilar, apesar de estar bem melhor do que no primeiro livro, Águas Passadas. - Achei o fim um pouco fraco para tudo o que esperava da história. Fiquei desiludida.
É muito raro desistir/largar um livro a meio, mas às vezes lá acontece e este é um deles... e infelizmente é de um autor português... .. para além da temática ao redor do suspense e crime não me cativar(religião, seitas e afins),..o uso contínuo e chato de frases em inglês acabou por me desmotivar e até provocar alguma irritação.. até porque nem se trata de uma "mais-valia" em absolutamente nada do enredo. Tantos livros de autores estrangeiros traduzidos para serem acessíveis/entendidos por qualquer cidadão português e depois vem um autor português usar e abusar da língua estrangeira, ao longo de 558 páginas, num livro da língua Portuguesa,...embora, de início, servisse para contextualizar a localização não justifica que continuasse com aquele excessivo uso do inglês,... nada acresta nem enriquece a história, e para mim só conseguiu ficar chato. Pronto, irritou-me!!.. não sei inglês, sou portuguesa e patriota com orgulho. Há muitos mais livros à espera de serem lidos, quiçá até deste mesmo autor,... Portanto não vale a pena insistir num que me está a irritar 😝
O trabalho de conhecimento e descrição da religião é notável, mas este foi o livro que menos me agarrou, dos que li do autor até agora. Achei que o Cícero não teve um papel muito activo na história (se bem que entendo que foi extremamente importante para a Pilar, mesmo estando preso) e que a maneira como foi descoberto o que realmente se passava na ilha, não foi arrebatador. A certa altura, achei lógico quem estaria a "sabotar" a Pilar. Para além disso, fiquei um pouco confusa com o papel do Noah, no final.
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O meu primeiro thriller de um autor português. Para quem é fã incondicional dos thrillers nórdicos, surpreendi-me, a mim mesma, a ler com entusiasmo este livro. Apesar de considerar que os capítulos do Guzman quebram, por vezes, o ritmo da história considero que é um livro muito bom para os apreciadores de thrillers e de livros ambientados em "climas agrestes", como eu adoro. Pronta para procurar e ler outro livro de João Tordo.
Depois do Águas Passadas a expectativa era grande para o reencontro de Pilar e Cícero. Não foi sempre fácil avançar, mas o final, apesar de pontas soltas e indícios que me levaram a perceber o caminho precocemente, acabou por valorizou a história. Lamento o uso do inglês de forma excessiva ao longo do livro, apesar de perceber a intenção inicial de situar a história e as personagens, não era necessário fazê-lo de forma repetida. Escrever thrillers é muito difícil, o João Tordo é um escritor excelente, mas este livro não é, infelizmente, um dos seus melhores trabalhos.
Foi tão bom voltar a ler algo acerca de Pilar e de Cícero. É tão prazerosa a escrita de João Tordo, nunca cansa a leitura. "grande parte de nós não tem capacidade para o enigma. Preferimos a vida quotidiana-previsível, controlada até aborrecida, se for caso disso. Tudo menos mistério, porque o mistério é não saber, é conseguirmos ficar nesse lugar de incertezas durante tanto tempo, que até o desconforto se torna familiar.. "
Este não foi o reencontro com Pilar e Cícero de que eu estava à espera. Pilar continua a ser uma personagem complexa e cativante, pelas suas ações e resiliência. Adorei voltar a estar na sua “presença”. Contudo, continuo a não considerar Cícero uma personagem intrigante - e os seus capítulos foram os mais lentos e desinteressantes. Consequentemente, o ritmo do livro acabou por não ser o melhor, tanto pelos capítulos de Cícero, como também pela forma como o enredo se vai desenvolvendo - passamos de uma narrativa lenta para uma narrativa quase vertiginosa na sua rapidez. Gostei do final, do mistério e das questões religiosas, que estão muito bem desenvolvidas ao longo da obra.
3,5 Cem anos de perdão passou comigo do ano 2022 para o 2023. Aqui reencontramos Pilar e Cícero, mas em contextos diferentes de onde os deixámos da última vez. Longe do seu país, cada um lida com os seus fantasmas. Cícero perdeu a liberdade e Pilar 'liberta-se' fisicamente do seu 'raptor'. O laço que uniu Pilar e Cícero continua inquebrável e é por isso que ela vai ao seu encontro na prisão. Aparentemente, este novo crime está resolvido, o assassino foi condenado e está na mesma prisão que Cícero. É aí que este percebe que aquele crime tem mais história por contar, por isso pede a Pilar que investigue, enquanto este lida com a sua própria agenda. O pedido leva-a a uma ilha remota no Reino Unido, onde pouco mais existe além de uma seita religiosa, os Filhos de Dismas. Uma leitura paulatina que nos faz mergulhar no lado mais obscuro do fanatismo religioso. Gostei da forma em como o autor explora esta vertente do medo e dos fantasmas, sobretudo quando todas as personagens são consumidas por eles. Todos estão assombrados, no caso da Pilar duplamente, porque além da sua adição tem consigo as vítimas. - Podia começar a falar sobre a simbologia das 3 da manhã e ir por aí fora, porque a narrativa está carregada de misticismo... Mas não me vou alongar. Pilar tenta fazer justiça às vítimas, mas também ela se vai perder (por instantes) naquele nevoeiro cerrado. Com o intuito de fazer o leitor emergir no Reino Unido, o autor usa muitas vezes expressões inglesas, algo que embora muito elogiado, no meu caso não resultou assim tão bem. Senti uma quebra na leitura. Já na reta final somos brindados com uma reviravolta bem interessante. Deixo a dica, estejam atentos aos sinais. É um livro pesado (dá para sentir toda aquela carga emocional), mas libertador. Senti que o desfecho deixou as personagens onde deviam ficar. Adorei o final, porque deixa margem para voltarem.
“Ladrão que rouba ladrão, tem direito a cem anos de perdão.”
Mas que livro! 😱 O enredo deste livro é, simplesmente, espetacular e está tão bem estruturado! Nunca li nada assim…
Cícero está preso numa prisão em Inglaterra e Pilar parte para uma ilha de Inglaterra para desvendar, por conta própria, um homicídio macabro que aconteceu nessa ilha. Mas é muito mais do que um homicídio… Pilar descobre uma seita religiosa, os Filhos de Dismas, que veneram Dismas o ladrão e possuem um fanatismo obscuro.
Homicídios, crucificações, violações, penitências, envenenamentos,… tudo acontece nesta seita!
E o final? Uau, não estava mesmo nada à espera daquilo. 🤫
Uma surpresa muito agradável. É um "thriller" muito bem construído, com personagens muito inteiras, nas suas qualidades e defeitos, que nos faz pensar sobre o conceito de liberdade e como o fanatismo (religioso ou de qualquer outra índole) nos pode tornar prisioneiros da nossa vida. Recomendo vivamente e já quero muito ler o anterior "Águas Passadas".
Um par de anos após Águas Passadas, Cícero e Pilar voltam a cruzar-se para ajudar na resolução de um novo mistério, desta vez numa pequena (imaginária) ilha em costa da Inglaterra. Mais uma vez há um crime violento, agora entre dois irmãos que pertencem a uma comunidade religiosa e afastada (praticamente um culto).
O passado continua a assombrar tanto Cícero como Pilar e a sua relação de quase pai e filha torna-se ainda mais evidente neste livro.
O meu próximo João Tordo também já está escolhido: Os Dias Contados.
Livro lido através da BiblioLED, plataforma electrónica das bibliotecas portuguesas que disponibiliza livros gratuitamente.
Vou ser muito honesta convosco, o meu primeiro contacto com o autor foi com "Águas Passadas" e apesar de ter gostado, não o adorei. Culpa minha aqui, mas já vos explico.
Então, porque é que fui ler este?
O ano era 2023 (sim, estamos neste ponto porque a minha idade avança e já parece que foi há séculos que aconteceu 😂) e o autor fez a apresentação deste livro em Esposende, na semana da leitura.
Dizer-vos que o gostei de ouvir falar é pouco. Ele tem um dom para as palavras. E além de me fazer perceber que não gostei muito do primeiro livro porque vamos à procura de coisas diferentes nos thrillers (eu adoro a parte de tentar descobrir o culpado e o que aconteceu, enquanto o João gosta de escrever e desenvolver bem as personagens), fez-me ficar com vontade de ler o novo.
Então, um ano depois (mas tendo em conta os que tenho na estante, nem foi muito tempo de espera 😂) entrei neste livro um pouco mais consciente do tipo de thriller que seria e ainda bem!
Confesso também que as primeiras 100 e poucas páginas foram um sacrilégio de ler. Não estava a gostar, o inglês pelo meio só me irritava e se eu fosse de dar dnf nos livros, teria dado. Como não sou, continuei a ler e ainda bem! Porque podia ter perdido esta história incrível! 🥺
Toda a construção da história está genial e posso dizer que acertei umas coisas, falhei outras, mas o mais interessante nem foi isso. Adorei a Pilar, gostei do Cícero (perdeu pontos lá numa cena, mas leiam e vão perceber) e o meu favorito foi o Boris ❤️
E no fim, ainda acabei emocionada - a ler um thriller, imagine-se! Juro que até para mim esta é nova 😂 - mas vou culpar o João porque afinal foi ele quem escreveu 😌 Isto é mais sobre a minha experiência com os livros do autor do que uma review propriamente dita, mas também não precisam de saber muito para o lerem. Se gostaram do primeiro, acredito que vão gostar igualmente (ou mais) deste.
Gostei! Tordo leva-nos à ilha de D. Dismas, o ladrão bom, onde existe o culto desta personagem bíblica. Gosto quando me dão a conhecer personagens que ignorava, mesmo que a ficção ultrapasse, com mestria, a realidade. Pilar é levada à ilha por estranhos motivos e lá empenha-se em resolver os estranhos acontecimentos que a seita dismática cria. Auxiliada à distância por Cícero, acaba, com sucesso, por resolver a questão. Tal como nas Águas Passadas, o final é pouco convincente, mas não o suficiente para me impedir de classificar o livro com um 4.
O plot twist foi previsível. Senti que se perdeu demasiado tempo com debates de eclesiásticos, possivelmente seriam menos 100/200 páginas e sem eles o livro teria sentido na mesma. A terceira estrela é apenas pela dinâmica do Cícero e da Pilar.
Foi bom revisitar esta dupla de personagens tão ricas e profundas. Pilar e Cícero são uma equipa que mesmo à distância mantêm uma ligação fraternal que lhes permite apoiarem-se em todos os momentos. Não gostei da utilização das expressões inglesas, não acrescentam nada... gostei do enredo em torno da religião/seita e a forma como funciona o domínio entre os grupos extremistas.