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Até Amanhã, Camaradas

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O romance acompanha, em quadros breves mas significativos, a preparação, no meio fabril e rural, de uma greve geral e de uma manifestação clandestina, com vista a apresentar reivindicações salariais e uma forma mais justa de pagamento das jornas. Para primeiro plano salta, porém, a vida clandestina, a sua organização, a intensidade das relações entre companheiros, a sua gíria, as suas pequenas vitórias, num relato sobre homens que aceitam a vida como risco e como aposta na conquista de direitos essenciais. Segundo Óscar Lopes (cf. prefácio à edição ilustrada de Até Amanhã, Camaradas!, Lisboa, Avante, 1980), este romance, encetado nos anos 50 a 60, baniu "toda a ênfase (ainda à Zola), toda a vaga alegoria da esperança social, todo o jogo de escondidas feito de alusões que, devido a uma repressão interiorizada (e, um pouco, às pequeninas satisfações de tal jogo) emperram uma parte do neorrealismo dos anos 40 (e ainda posterior)", sublinhando ainda uma objetividade de que está ausente a ironia, firmada em imagens vivas, em diálogos diretos, na atenção a dados concretos e precisos. Até Amanhã Camaradas foi adaptado ao teatro por Jaime Gralheiro, em 1982, com o título O Homem da Bicicleta.

404 pages, Paperback

First published January 1, 1974

19 people are currently reading
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About the author

Manuel Tiago

21 books24 followers
Pseudónimo literário de Álvaro Cunhal, que com ele assinou obras de ficção, designadamente Até Amanhã, Camaradas (1975), Cinco Dias, Cinco Noites (1975) e A Estrela de Seis Pontas (1994, adaptado para cinema por José Fonseca e Costa). A verdadeira identidade de Manuel Tiago só foi confirmada aquando da publicação deste último romance. Durante anos, muito se especulou acerca da autoria das obras.

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Displaying 1 - 15 of 15 reviews
Profile Image for Sahiden35.
279 reviews13 followers
April 27, 2023
Bizim yaşadıklarımızdan hiçbir farkı yok. Ülkeler değişse de sömürü aynı sömürü.

"Bazı insanların diğerlerinin kanından beslenmediği, çocukların makineli tüfeklerle öldürülmediği, havayı özgürce soluyabildiğimiz daha iyi bir dünya hayal ederiz."

"Portekiz! Senin havan, senin eşsiz enginliklerin bile güzel! Senin hüzünlü ve iyi yürekli halkın güzel! Portekiz! Sevgili ülke! Senin bu uzun kabustan uyanacağına inanıyorum."

Darısı bize. 🕊️🙏
Profile Image for Sónia.
75 reviews17 followers
September 1, 2012
Eu gostei bastante deste livro, acho que é sobretudo uma obra histórica-política interessante. O livro fala do partido comunista, da sua organização, das suas lutas, de tudo... mas o que mais me impressionou neste livro foram as personagens, acho que muito bem trabalhadas a nível humano. Quando um livro é muito extenso e tem muitas personagens, por vezes as suas características psicológicas e os seus sentimentos ficam esquecidos, neste livro não... as personagens foram bem trabalhadas... Devo confessar sobretudo que não esperava que fosse tanto assim, porque sendo um livro escrito por um camarada, ainda durante a ditadura, pensei que as personagens fossem avaliadas de uma forma mais parcial... e a verdade é que as personagens são apresentadas de uma forma "crua" com os seus defeitos e qualidades... acho que isso nos mostra como o partido era heterogéneo, como os próprios objectivos dos militantes eram diversificados, isso é sobretudo interessante num partido que tenta mostrar-se sempre tão homogéneo...
Profile Image for Anabela Mestre.
94 reviews44 followers
October 16, 2016
Fiquei agradavelmente surpreendida com esta narrativa de Manuel Tiago (Álvaro Cunhal). Uma história interessante, bem contada e bem escrita, leva-nos ao tempo da clandestinidade do Partido Comunista nos anos do fascismo em Portugal. De um realismo intenso esta obra tem o fulgor de nos prender da primeira à última página.
Profile Image for Henrique.
149 reviews1 follower
October 13, 2025
Uma narrativa extensiva sobre a atividade de resistência clandestina comunista contra o fascismo, este romance, que é menos um romance e mais um conjunto de crónicas muito semelhantes umas às outras, peca por deliberadamente não pintar um retrato social do país e pela ausência de um espaço temporal/ geográfico definido.
Na realidade, a ação poderia passar-se em qualquer década entre 1930 e 1970, mas apenas porque historicamente o leitor sabe que foi a duração do governo fascista, do qual aliás se fala muito pouco nestas páginas. Existem uns policias com olhos maldosos, umas prisões, umas torturas, uns assassinatos e pouco mais. O país e o governo são entidades externas longínquas, apenas representadas pelos seus cães de guarda, algozes dos protagonistas..

Também poderia passar-se em qualquer zona do país: as poucas vezes que alguma localidade é referida é-o por iniciais. O resto são lugarejos com nomes pitorescos, imagino que inventados.

Como documento panfletário do comunismo, aos olhos de hoje, parece-me irremediavelmente datado e até falhado. O que sobressai ao fim de todas estas páginas é uma organização fria, quase desumana, que põe o Partido (sempre com maiúscula) acima do indivíduo. Os seus interesses pessoais, as suas ambições, até os seus sentimentos amorosos e filiais são postos sempre em segundo plano em prol do "Partido". A personagem de Vaz é disso exemplo máximo. A sua dedicação extrema, quase obsessiva, à causa, leva-o a deixar de comer e de dormir numa auto destruição que no final em nada ajuda os seus objetivos.

Claro que a mensagem principal que se pretende passar é a importância fundamental do coletivo em detrimento do individual. Faz sentido.
Em Seara de Vento, Manuel da Fonseca fez passar a mesma mensagem, mas com muito mais arte e consideravelmente mais emoção. Manuel da Fonseca era um romancista, enquanto Manuel Tiago/ Álvaro Cunhal era um cronista com objetivos panfletários, um político de convicções inabaláveis, que acreditava veementemente ser este o melhor sistema para a humanidade.

Apesar de tudo isso, o livro está bem escrito, em prosa cuidada, por vezes com qualidade verdadeiramente literária e até poética, passe embora o estilo realista que perpassa cada frase, na descrição de cada ação, na apresentação de um mundo cinzento, chuvoso, frio, triste.
As personagens, todas trabalhadores fabris ou camponeses (à exceção de um ou outro "burguês", termo hoje praticamente extinto), têm vida própria, são reconhecíveis na sua maioria, estão bem construídas e o que é mais importante, mostram fraquezas, dúvidas e contradições pelo que confesso que segui as suas aventuras, quase sempre tão inglórias, com interesse.
Achei o final abrupto, demasiado aberto, com pontas soltas, como se o autor tivesse querido continuar, mas já não tenha conseguido. Que razão estava afinal por detrás do desconforto de Maria, a mulher que todos os camaradas desejavam, em casa do advogado e da sua mulher? A ideia de que uma "burguesa" comunista maltratava a criada faz muito pouco sentido.
Enfim, apenas um exemplo, entre alguns outros que poderia apontar.

Resumindo, não é um livro fantasticamente entusiasmante, mas também está longe de ser aborrecido e não deixa de funcionar como documento de uma realidade que existiu no nosso país, bem ou mal (nada parece surtir grandes resultados para além da greve que acaba por ser quase um golpe de sorte resultado de forças individuais sendo que a organização do partido aparece com uma qualidade caótica - a verdade é que não devia ser fácil) mas certamente com grande coragem, durante uma boa parte do século passado.
47 reviews
May 21, 2025
Obra fundamental para compreender a importância do Partido Comunista na luta contra o fascismo em Portugal. Apesar de marcadamente ideológico, o livro não perde o seu valor literário - com personagens profundamente humanas, bem construídas. O conflito interno de questionar o seu abdicar do bem estar pessoal por um fim maior, as discussões entre camaradas, as más decisões revolucionárias mostram que a luta é feita por homens e não por heróis.
"Os nossos militantes são homens, não são bonecos de palha. Sobre todos nós pesa a influência da sociedade em que vivemos. Nao devemos esperar fazer a revolução com homens ideais."
No momento atual da sociedade mundial em geral e da portuguesa em particular, esta deveria ser uma leitura obrigatória
2 reviews
February 5, 2025
Cunhal is very well able to draw the reader into the harsh reality of being an active member of the Communist Party during the fascist dictatorship of Salazar.

While enduring hunger and facing the constant threat of being exposed, the comrades dedicate their whole existence for the cause:
Organizing the workers and the farmers, living under constant pressure by the authorities, creating a clandestine network throughout different industries, and progressing the idea of the emancipation of the Portuguese working class.
In order to do so, they resort to a highly structured system of communication and a clear distribution of responsibilities.

Até Amanhã, Camaradas depicts beautifully how each one of us can contribute to the cause under precarious circumstances - even with very limited resources.
And in times of a global system, that has been infested with unbridled capitalism, boundless technofeudalism and rising authoritarianism, such a message is more than relevant.
Profile Image for João Mendes.
294 reviews17 followers
May 16, 2025
para saborear, e ler com um filtro nos olhos.
Manuel Tiago (pseudónimo de Álvaro Cunhal) escreve aqui um romance sobre a vida clandestina de militantes do partido comunista português nos anos 40. é uma descrição vibrante dos perigos a que estavam sujeitos e a envolvente conspiracionista é muto bem construída. claro que a camada acrescentada por tudo isto serem cenários que realmente aconteceram dá mais valor ao romance.
em relação ao filtro nos olhos... aqui o camarada Cunhal as vezes entusiasmava-se e fazia grandes e desnecessárias odes ao partido. que sim, foi a vanguarda da resistência ao fascismo, mas não foi só daí que veio resistência.
anyway, belo livro
Profile Image for Sebastião.
101 reviews17 followers
October 18, 2013
O romance "Até Amanhã, Camaradas" apresenta-se como uma obra de cariz realista contendo uma história profunda e poderosa. Essa história, magistralmente contada, de tal forma que as palavras discorrem com uma naturalidade ao alcance de poucos, permite que aquilo que terá começado como um simples romance se eleve à condição de epopeia. Tomando um fragmento temporal diminuto, o romance leva-nos ao encontro da luta épica de um movimento revolucionário progressista, um partido, e as suas dificuldades sob a mais violenta das repressões. Conta-nos todas essas dificuldades, externas e internas, as dicotomias e as contradições da sociedade em que se insere e do próprio movimento. Foi com esta obra que tomei consciência, pela primeira vez, de que o principal inimigo do povo é o próprio povo e é ele que faz da luta de classes algo de impossível. Que está tudo ao alcance das suas mãos, assim ele queira. A mensagem é de tal maneira poderosa que, de forma muito perspicaz, antecipa os desfechos possíveis para a luta e, em última análise, todos os processos revolucionários mundiais poderão ver-se refletidos no processo revolucionário português. Sem dúvida, a obra-prima de Manuel Tiago.
Profile Image for António Conceição.
Author 3 books10 followers
July 25, 2017
Há obras cuja adaptação ao cinema é praticamente impossível. Penso no "Processo", de Kafka, por exemplo. Há outras que são guiões acabados. É quase o caso deste "Até amanhã, camaradas" que abre com uma cena pura de filme (aliás, belíssima) e que só não é o guião perfeito de um filme, porque adopta uma estrutura narrativa sequencial e linear, pouco compatível com a gramática da linguagem cinematográfica.
A verdade, porém, é que "Até amanhã, camaradas" não pretende ser um texto literário (ao menos, primordialmente) ou uma obra de arte, mas, antes, o evangelho de uma religião, onde Vaz (o alter ego de Álvaro Cunhal) é o profeta e onde os pecados dos homens (basicamente, o direito à personalidade e à vida individual, para lá do partido) são denunciados através de parábolas cujo desenlace é sempre o desastre e a revelação da culpa ao pecador.
Não revelando um domínio seguro da língua e dos seus recursos, a muitas milhas de distância do seu talento como artista plástico, Manuel Tiago (Cunhal) é, apesar de tudo, um escritor muito melhor do que o que eu antevia.
Profile Image for Octávio.
31 reviews1 follower
September 18, 2023
é um livro "fácil" de ler, a escrita flui facilmente, mas é um romance com o seu peso, não se pode ler como quem lê uma revista.

temos de ler este livro com a consciência histórica e à luz da época em que foi escrito, embora seja um romance é simultaneamente um resumo histórico como centenas de pessoas durante anos viveram e lutaram contra uma ditadura.

desconhecendo quando efectivamente foi escrito, o autor aborda com outros nomes, mas quem conhece a história de Portugal o evento onde Catarina Eufémia é assassinada, bem como as cargas da GNR e os interrogatórios na PIDE.

deve-se ler este livro com a consciência histórica, sem politizar, mas com a noção da realidade vivida nos anos 50/60 de Portugal, onde uma ditadura com uma máquina brutal massacrava todos aqueles que pensassem em lutar por melhores direitos para quem trabalhava.
Profile Image for Carolina Carriço.
31 reviews1 follower
July 12, 2024
"Muitas coisas diferenciam o homem [...] Acima de todas, diferencia-o a faculdade de sonhar. Na origem de tudo quanto de belo se fez na história e de tudo quanto de belo possamos fazer, na origem de todas as realizações e façanhas, sempre e sempre encontramos essa maravilhosa faculdade de sonhar"
Profile Image for Caner Doğan.
2 reviews1 follower
December 4, 2023
"Buğday tarlası ağlıyor
Kırmızı gelincikler ağlıyor
Öldürdüler Isabel'i
Herkesten daha yürekli
Ve daha güzel
Çiçeğini baharın"
Profile Image for Vasco Ribeiro.
408 reviews5 followers
January 1, 2016
Obra absolutamente imbuída de espírito doutrinário e catecúmeno. Não é um simples relato mas um catecismo de incentivo à vida comunista em ativismo clandestino, disfarçado como sendo romance. Sintomático, o tempo de narrativa: o clímax do romance, com mortes, prisões, etc é a meio do livro, a última parte é o renascer das estruturas o renovar de forças partidárias dos companheiros e companheiras, em que não há um fim propriamente dito, mas em que o leitor acaba por pensar: Isto evoluiu.
É incrível o nível de manipulação subliminar a quem seja entusiasta que o livro representa.
Profile Image for Ricardo Ribeiro.
222 reviews12 followers
May 19, 2015
Apesar da ideologia sinistra que não se pode deixar de associar a este livro, foi uma leitura agradável e interessante, que me entreteve e me disse algo que - devidamente filtrado - ilustrou o duelo entre a subversão comunista orquestrada pelo regime soviético e as forças do Regime. Por vezes torna-se um pouco enfadonho. Talvez demasiadas personagens. Mas quando encarrila, encarrila.
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