Inicialmente, o Conto “O Recado do Morro” fez parte de Corpo de baile (1956), obra que seria posteriormente desmembrada para integrar um novo volume, intitulado No Urubuquaquá, No Pinhém pelo próprio autor.Em “O Recado do Morro”, o leitor acompanha a jornada de cinco homens - Pedro Osório, seo Alquiste, frei Sinfrão, seo Jujuca do Açude e Ivo de Tal – enquanto eles realizam uma travessia e vão encontram, pelas estradas por onde passam e nas fazendas onde pedem abrigo, almoço e janta, pessoas que mudam a maneira como eles vêem o mundo e a si mesmos.A caracterização dos personagens mostra, além da sensibilidade do autor, uma ligação bastante estreita com a alma seus anseios, ambiguidades, ilusões e contradições. A Global editora agora lança este conto assim como já fizera com o “Burrinho Pedrês”, “Campo Geral” e “Hora e Vez de Augusto Matraga” para quem deseja só ler este conto, uma oportunidade para introduzir a leitura de Guimarães para os jovens,
João Guimarães Rosa (27 June 1908 - 19 November 1967) was a Brazilian novelist, considered by many to be one of the greatest Brazilian novelists born in the 20th century. His best-known work is the novel Grande Sertão: Veredas (translated as The Devil to Pay in the Backlands). Some people consider this to be the Brazilian equivalent of Ulysses.
Guimarães Rosa was born in Cordisburgo in the state of Minas Gerais, the first of six children of Florduardo Pinto Rosa (nicknamed "seu Fulô") and D. Francisca Guimarães Rosa ("Chiquitinha"). He was self-taught in many areas and from childhood studied many languages, starting with French before he was seven years old. Still a child, he moved to his grandparents' house in Belo Horizonte, where he finished primary school. He began his secondary schooling at the Santo Antônio College in São João del Rei, but soon returned to Belo Horizonte, where he graduated. In 1925, at only 16, he applied for what was then called the College of Medicine of Minas Gerais University. On June 27, 1930, he married Lígia Cabral Penna, a girl of only 16, with whom he had two daughters, Vilma and Agnes. In that same year he graduated and began his medical practice in Itaguara, then in the municipality of Itauna, in Minas Gerais, where he stayed about two years. It is in this town that he had his first contact with elements from the sertão (semi-arid Brazilian outback), which would serve as reference and inspiration in many of his works. Back in Itaguara, Guimarães Rosa served as a volunteer doctor of the Public Force (Força Pública) in the Constitutionalist Revolution of 1932, heading to the so-called Tunel sector in Passa-Quatro, Minas Gerais, where he came into contact with the future president Juscelino Kubitschek, at that time the chief doctor of the Blood Hospital. Later he became a civil servant through examination. In 1933, he went to Barbacena in the position of Doctor of the 9th Armed Battalion (Official Médico do 9º Batalhão de Infantaria). Most of his life was spent as a Brazilian diplomat in Europe and Latin America. In 1938 he served as assistant-Consul im Hamburg, Germany, wher he met his future second wife, the Righteous Among the Nations Aracy de Carvalho Guimarães Rosa In 1963, he was chosen by unanimous vote to enter the Academia Brasileira de Letras (Brazilian Academy of Letters) in his second candidacy. After postponing for 4 years, he finally assumed his position only in 1967: just three days before passing away in the city of Rio de Janeiro, victim of a heart attack. His masterpiece is The Devil to Pay in the Backlands. In this novel, Riobaldo, a jagunço is torn between two loves: Diadorim, supposedly another jagunço, and Otacília, an ordinary beauty from the backlands. Following his own existential quest, he contemplates making a deal with Lucifer in order to eliminate Hermogenes, his nemesis. One could say that Sertão (the backlands) represents the whole Universe and the mission of Riobaldo is to pursue its travessia, or crossing, seeking answers for the metaphysical questions faced by mankind. In this sense he is an incarnation of the classical hero in the Brazilian backlands. Guimaraes Rosa died at the summit of his diplomatic and literary career. He was 59.
” Sem que bem se saiba, conseguiu-se rastrear pelo avesso um caso de vida e de morte, extraordinariamente comum.”
O Recado do Morro é o relato de uma expedição por terras do sertão Mineiro; ida e volta entre Cordisburbo e o Rio de São Francisco. Pelo caminho os viajantes cruzam-se com figuras curiosas, na maioria lunáticos que através dos seus delírios dão voz à “força memoriã” do sertão. Será por meio dessas “prosopopeias malucais”, que o recado vira intriga e vai variando cada vez que é recontado, até finalmente ser compreendido pelo principal destinatário e revelar-se como um aviso de morte. Nesta jornada oral que vai ao âmago do quotidiano rural, regulado por um vigoroso domínio patriarcal e onde a vida se guia por regras e não pela lei, violência e pobreza são intercaladas com inocência genuína. A graça com que estas histórias são contadas acaba por lhes conferir uma doçura imprevista e bem humorada.
As invenções linguísticas de Guimarães Rosa podem ser um desafio no início da leitura, mas que rapidamente é superado pela poesia, musicalidade e ritmo da narrativa.
livro difícil de se ler, linguagem muito inovadora, mas essa inovação teve um preço: a complicada adaptação de leitura, quando comecei a me familiarizar com o estilo de escrita, o livro acabou. A pontuação é diferente de tudo que já li, e é preciso aprender a respeitar o ritmo por ela imposto, caso contrário, muitas passagens perdem o significado e impacto. Mas com certeza merece ser relido. A história segue a viagem de Pedro Orosio (ou Pé-boi) um rapaz grande, forte e namoradeiro e seus companheiros seo Alquiste (um estudioso alemão) Frei Sinfrão (um frei que vive rezando), Seo Jujuca (um dono de terras no sertão) e seu filho, é um livro bastante simples porém muito descritivo, foco principal na ambientação, aqui cada plantinha é nomeada e visitamos diversos ranchos e fazendas. Religião, a filosofia de vida dessas pessoas e a criação de uma música que trás uma mensagem de suma importancia para a história (o rei e a traição dos sete cavaleiros...). Uma desafiadora porém interessante obra.
Pedro Orosio, un Apollon qui fait fondre toutes les femmes et à qui tout réussi, guide dans le sertão des notables de la grande ville. Habitué à ce genre de personnage, Pedro Orosio ne prêtera pas attention aux mots d'un vieil ermite rencontré sur le chemin et qui sera très loquace face à ces visiteurs d'un autre monde. D'une trainé de poudre, ces mots se transmettront grâce au bouche à oreille sur tout le trajet qu'emprunteront les protagonistes et deviendront limpides pour Pedro Orosio, après moultes déformations, une fois arriver à la destination finale. C'est ce qui fait tout le charme de cette nouvelle. Nous sommes entrainés dans la langueur de cette excursion de découverte comme si nous étions Pedro Orosio, pour qui rien n'apparaît extraordinaire dans cette virée avant que ces fameux mots nous fassent dessiller, comme lui, lors du dénouement de cette histoire.
meu primeiro contato com guimarães rosa por conta do vestibular. Foi muito desafiadora a leitura, principalmente por causa dos neologismos, além da representação de sons por meio das palavras, que só fazem sentido quando ditos em voz alta. Porém isso te da mais satisfação quando você finalmente consegue entender uma frase que parecia indecifrável. Eu como Mineira.. me diverti mt com algumas expressões que ele colocava. Sobre a história, eu fiquei meio ??? quando terminei pq tipo O QUE aconteceu. mas ai eu peguei uma análise e fiquei pensando.. COMO eu decifraria isso sozinha, mi senti meio burra d vdd. Mas depois que eu entendi achei incrível. Apesar dos pesares, achei o kingo genial e mal posso esperar pra ler mais obras dele !
Primeira leitura de Guimarães. A forma como o autor consegue fazer-nos sentir o sertão - ou, quiçá, o ser tão - é de uma precisão inevitável. Guimarães, neste obra, narra um ciclo perfeito, em início, meio e conclusão, sempre voltando à origem. O tal recado pode ser juntamente definido à mesma medida de quem o enuncia: o Morro da Garça. Em dado momento da obra, é narrado como os vaqueiros e tropeiros da região se relacionam com este morro. Em durante estradas, viagens, comitivas e travessias destes vaqueiros, surge uma suspensão no espaço-tempo, ou seja, passam-se dias, passam paisagens e ventos diversos, mas o Morro da Garça lá está sempre ao testemunho dos capins e pernas de estrada, sem se mexer. Ao mesmo passo, o Recado vai tomando forma conforme a viagem vai acontecendo. A travessia, o movimento, o estradar são os elementos que tangem as cordas da cantiga da vida.