Na esperança de melhorar sua posição no cenário capitalista global, o governo de Moçambique adota uma medida extrema: instituir o inglês como idioma oficial e deixar para trás tanto seus dialetos locais quanto a língua portuguesa imposta pelo ex-colonizador.
Só que essa mudança tão abrupta terá diversos impactos na vida dos cidadãos. Como Djassi, político que votou contra a mudança, mas que agora se vê buscando favores de seus adversários na busca por uma bolsa de estudos para o filho em Londres; e Hohlo, seu empregado doméstico, que vê todos os seus cambaleantes esforços de ascensão social através do estudo do português serem frustrados de uma hora para outra.
Diante desses e outros tragicômicos reflexos da nova lei, ecoa a pergunta: que lugar têm aqueles que não dominam a língua dos poderosos?
Manuel Mutimucuio é moçambicano – nasceu na capital, Maputo, em 1985, mas passou seus anos formativos em Beira. É doutor em Governação e Economia Política das Instituições pela Universidade de Coimbra e atua como consultor internacional de gestão de recursos naturais. Sua literatura está na intersecção entre esses dois mundos e se caracteriza pela análise social e questionamento do status quo.
Foi uma leitura interessante. Nao cheguei a ler se alguem traduziu esse livro pro nosso portugues e quiseram manter perto do original ou se esta no portugues original que foi escrito mesmo, mas é um portugues bem diferente de se ler. Me fez pensar muito em privilegios e em como tem pessoas ai que nem o privilegio da propria lingua do pais tem pois sao analfabetas e o pais nao da suporte nenhum pra elas. Pensei muito tambem na nossa relacao com outras linguas como o ingles, como é visto como uma lingua universal e como isso pode ser usado em detrimento da nossa propria lingua local.
Moçambique vai passar por uma votação importante que decidirá se o idioma oficial do país — o português, que muitos já não dominam — deve ser substituído pelo inglês. Nessa história, acompanhamos um político contra a lei e o empregado doméstico dele, que ainda tenta dominar o português.
"Moçambique com z de zarolho" é uma história interessante que se propõe a discutir colonialismo, identidade nacional e diferenças de classe. Apesar de simpática, considero que o tamanho do livro prejudicou o desenvolvimento. Adoro livros curtos, mas esse aqui deveria seguir com a narrativa por mais umas 200 páginas para se aprofundar como julgo necessário.
Um livro curto e muito bem escrito sobre um empregado doméstico e um parlamentar durante uma revolução em Moçambique, onde o inglês passa a ser a língua oficial. Bastantes reflexões sobre colonialismo, imperialismo cultural e quais classes seriam beneficiadas e quais seriam prejudicadas nesse cenário hipotético.
A premissa é muito boa, e o primeiro é segundo atos, muito instigantes. O problema, para mim, é que o desfecho parece muito corrido, um pouco solto, e me desanimou.
Um livro ácido em sua crítica e doce em sua ironia. De maneira divertida e tom meio-sério, este livro busca, através de um retrato da sociedade moçambicana atual, apontar as incongruências e contradições que afloram na globalização e no clima político contemporâneo.
Como seria se, do dia pra noite, fosse aprovada uma lei que determina que o idioma oficial do Brasil não é mais o português, e sim o inglês? E essa a realidade explorada aqui, porém em Moçambique, e ele já me chama atenção desde o título: "Moçambique com Z de zarolho", daqueles que só quem é falante de português consegue absorver em toda sua profundidade e genialidade. Sou entusiasta por linguística, e ler um livro que aborda tão claramente como a língua é uma ferramenta de poder e de diferenciação social fez com que eu ficasse envolvida desde a página 1. Aqui acompanhamos dois personagens: um parlamentar, que tem uma boa condição social, porém que é contra a lei que tornaria o inglês o idioma oficial de Moçambique, e o seu empregado, que não fala bem o Português, porém que estuda o idioma pois vê nele uma possibilidade de ascensão social, em um país no qual as línguas nativas são extremamente comuns. Confesso que o livro me perdeu um pouco pelo final, as últimas páginas poderiam ter sido melhor pensadas, justamente porque acredito que não deveriam ser as últimas: o seu maior defeito foi ser curto demais, havia palco para criar um livro um pouco mais extenso sem fazer o leitor perder o interesse.
Uma pequena história trágica e satírica, que revela tão bem a beleza conturbada de Moçambique; de qualquer das formas, ler changana é sempre um quentinho no coração
Gostei bastante dos desdobramentos da mudança de linguagem e das reflexões sobre colonialismo, mas pra mim funcionaria melhor se tivesse mais um conflito no terceiro ato