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O Senhor Ventura

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«E que história a sua! - pícara, ingénua, maliciosa, safada, trágica, ao fim, porque em tragédia sempre morrem os mitos. […] E, no entanto, que mais português que o Ventura, na sua peregrinação, entre mortos e feridos, miséria e grandeza, amores e traições, fomes e febres, e alegrias - entre o Oriente, Tatiana e Penedono?
[…]
Pode finalmente dizer-se que jamais um mito tão bem baptizado foi, em nome assim e fatalmente português.»
José-Augusto França

160 pages, Hardcover

First published January 1, 1943

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About the author

Miguel Torga

121 books214 followers
Miguel Torga, pseudonym of Adolfo Correia da Rocha was one of the greatest Portuguese writers of the 20th century. He wrote poetry, short stories, theater and a 16 volume diary.

He was born in a village in Trás-os-Montes, northern Portugal, to small-time farmer parents. After a short spell as student in a catholic seminary in Lamego, also in Trás-os-Montes, in 1920 his father sent him to Brazil where he worked on the coffee plantation of an uncle who, finding him to be a clever student, paid his high school there and afterwards his medicine graduation (1933) at the University of Coimbra, in Portugal (to where he returns in 1925).

After graduation he worked in his village and in other places in the country, publishing his books from his own pocket for a number of years. In 1941, he established himself as an otolaryngologist physician in Coimbra.
His agnostic beliefs seems to reflect in his work, that deals mainly with the nobility of the human condition in a beautiful but ruthless world where God is absent or is nothing but a passive and silent, indiferent creator.

After the value of his work was being recognized, he went on to receive several awards, as the Prémio Camões in 1989 and the Montaigne award in 1981. He was several times nominated for the Nobel Prize of Literature, being the last one in 1994, but he never won.

Source: http://en.wikipedia.org/wiki/Miguel_T...

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5 (1%)
Displaying 1 - 30 of 48 reviews
Profile Image for Luís.
2,382 reviews1,375 followers
September 24, 2025
The character that gives the book its name and that the reader has followed since his childhood in the village of Penedono, in the Alentejo, takes on quixotic contours. From the Alentejo plain, where he was a shepherd, to the remote eastern landscapes, where he even markets arms and drugs, the wanderer "Senhor Ventura" stars in a "Portuguese verisimilarly" odyssey, in which time runs fluid and geographical scenarios vary rapidly, according to the hero's inexorable will.

Impregnated with freedom comparable to that which Torga lavished in this novel, "Senhor Ventura" starts by deserting the troops in Macau and, soon after, follows directions as unpredictable as they are dangerous. The fury of living and the partial absence of criteria before the diversity of life make this man a tragic hero, whose destiny seems to be traced from the first page. And it is only in the exaltation of the sad that the usual reader of Torga can reveal elements of Torguian fiction. Everything else, from the psychological consistency of "Senhor Ventura" to the summary narration, deviates from the literary canons of the writer. For this reason, it is a new Miguel Torga who is conceived through the book.

Source: https://static.publico.pt/docs/cmf2/f...
Profile Image for Martina .
202 reviews
August 18, 2018
Tendo eu na estante toda obra de Miguel Torga, estava mais do que na hora de começar a ler o autor. Portanto, O Senhor Ventura foi o primeiro livro que li deste escritor nacional, mas não será certamente o último. A escrita de Torga é, apesar de simples, surpreendentemente boa. Excelente livro para quem procura uma leitura leve, fluída e rápida. Arrisco-me a dizer que a criação deste personagem, o Senhor Ventura, é, de certo modo, uma caracterização do povo português. Por sinal, muito bem conseguida.


"Os conselhos da amiga chinesa só prestavam para quem tivesse nascido no Celeste Império. Para gente da Ibérica, a calma, a prudência, e tudo quanto defende um homem das fervuras do sangue, eram palavras vãs. O Senhor Ventura ia para se mortificar e para se vingar." (pág. 96)
Profile Image for Paulla Ferreira Pinto.
267 reviews37 followers
April 17, 2019
Não há como este poeta a escrever prosa.
Miguel Torga (Adolfo Correia da Rocha) há-de ser sempre um dos meus escritores favoritos e o melhor dos transmontanos!
Pena ser eu um cepo sem sensibilidade para a poesia; ainda assim, alguma da obra poética deste Cavalheiro consegue penetrar a dura carapaça da indiferença desta que se assina.
Profile Image for Paula Mota.
1,672 reviews567 followers
May 14, 2020
3,5*
“O que essa temeridade foi, não cabe aqui. Só mesmo um homem de carcaça de ferro e coração com pêlos é que era capaz de fazer chegar àqueles confins os 200 carros do contrato."

É um livro em que a acção se precipita desde que o protagonista abandona o seu Alentejo para ir à tropa e em que as aventuras e os dissabores se sucedem a grande velocidade. Quase não dei pela passagem do tempo, nem o meu nem o do senhor Ventura, mas tentei refrear a leitura para poder apreciar devidamente o virtuosismo das palavras. De início, simpatizei com esta personagem pacata, curiosa e inocente, mas ao subir a pulso e nunca virando as costas a um desafio, acabei por achá-lo bastante sórdido e, já no final da história, inacreditavelmente sonhador e teimoso para alguém tão calejado.

“A história do filho pródigo nunca me deixou sereno. Quando em pequeno lia essa trágica novela do primeiro revoltado contra a palha puída da casota onde a vida nos mete, e onde medram, gordas, as pulgas domésticas, comovia-me sempre. Já nesse tempo eu era capaz de ver o que há de legítimo em cada partida e de fatal em cada regresso. Com os anos, a rebeldia do primeiro capítulo e a alegria do último perderam muito da sua magia.”
Profile Image for Estela Ladeiro.
173 reviews7 followers
April 7, 2025
Este é um pequeno grande clássico, que oferece a beleza que existe na escrita de Miguel Torga e na sua inspiradora temática.
É uma narrativa crua, humana e também de uma doçura terna,...entrelaça de forma magnífica o cunho filosófico, poético e a peculiar sabedoria popular.
Tem sempre, aqui e acolá, alguma caricatura burlesca da alma portuguesa...mas também tem, por ali, mesmo que ténue, uma missiva à ditadura da época(1943)..
Em conclusão é um livro que consegue trazer um bom conteúdo, seriedade e algum humor.

Eu adorei esta pequena grande viagem... e recomendo, sem dúvida!

Transcrevo 2 excertos:

"𝘊𝘰𝘮𝘰 𝘥á 𝘦𝘴𝘱𝘪𝘯𝘩𝘰𝘴, 𝘰 𝘤𝘢𝘳𝘥𝘰 𝘥á 𝘵𝘢𝘮𝘣é𝘮 𝘧𝘭𝘰𝘳𝘦𝘴 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘴𝘦 𝘭𝘦𝘮𝘣𝘳𝘢. 𝘓𝘦𝘷𝘪𝘢𝘯𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘲𝘶𝘦𝘮 𝘰 𝘷ê 𝘧𝘭𝘰𝘳𝘪𝘥𝘰, 𝘱𝘦𝘯𝘴𝘢 𝘦𝘯𝘵ã𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘧𝘰𝘪 𝘢 𝘗𝘳𝘪𝘮𝘢𝘷𝘦𝘳𝘢 𝘲𝘶𝘦 𝘰 𝘧𝘰𝘳ç𝘰𝘶 𝘢 𝘵𝘢𝘭 𝘣𝘳𝘢𝘯𝘥𝘶𝘳𝘢. 𝘌𝘯𝘨𝘢𝘯𝘰. 𝘕ã𝘰 𝘩á 𝘴𝘶𝘱𝘦𝘳𝘢çã𝘰 𝘤á 𝘯𝘦𝘴𝘵𝘦 𝘮𝘶𝘯𝘥𝘰. 𝘈 𝘭ó𝘨𝘪𝘤𝘢 𝘥𝘦 𝘤𝘢𝘥𝘢 𝘷𝘪𝘥𝘢 é 𝘵𝘢𝘰 𝘱𝘦𝘳𝘧𝘦𝘪𝘵𝘢, 𝘲𝘶𝘦 𝘢𝘵é 𝘮𝘦𝘵𝘦 𝘢𝘧𝘭𝘪çã𝘰."
____________________

"𝘔𝘢𝘴 𝘰 𝘚𝘦𝘯𝘩𝘰𝘳 𝘝𝘦𝘯𝘵𝘶𝘳𝘢 𝘦𝘳𝘢 𝘶𝘮 𝘱á𝘴𝘴𝘢𝘳𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘯ã𝘰 𝘱𝘰𝘥𝘪𝘢 𝘵𝘦𝘳 𝘨𝘢𝘪𝘰𝘭𝘢. 𝘈 𝘷𝘪𝘥𝘢 𝘴𝘢𝘣𝘪𝘢-𝘭𝘩𝘦 𝘣𝘦𝘮 𝘥𝘦𝘵𝘦𝘳𝘮𝘪𝘯𝘢𝘥𝘢 𝘱𝘰𝘳 𝘦𝘭𝘦, 𝘤𝘰𝘮 𝘪𝘮𝘱𝘳𝘦𝘷𝘪𝘴𝘵𝘰𝘴 𝘦 𝘦𝘮 𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘯𝘴𝘵â𝘯𝘤𝘪𝘢𝘴 𝘥𝘰𝘯𝘥𝘦 𝘱𝘶𝘥𝘦𝘴𝘴𝘦 𝘴𝘢𝘪𝘳 𝘶𝘮𝘢 𝘧𝘢ç𝘢𝘯𝘩𝘢 𝘲𝘶𝘦 𝘯𝘪𝘯𝘨𝘶é𝘮 𝘴𝘰𝘯𝘩𝘢𝘴𝘴𝘦."
Profile Image for José Simões.
Author 1 book52 followers
October 12, 2020
Obra da juventude de Miguel Torga, embora retocada bem mais tarde, não deixa de impressionar pela capacidade de contar uma boa história, sem artifícios nem malabarismos. Direta ao coração, como só as mais simples e mais belas narrativas o conseguem. É que a simplicidade é o mais difícil de conseguir, e Torga fá-la parecer a única forma possível. Acompanhamos por isso o Senhor Ventura na sua terra e mundo fora, personagem que, se não soubesse, diria que tinha sido roubada à Seara de Vento, do Manuel da Fonseca (e sobretudo ao Hugo Bentes do Raiva de Tréfaut), ou que representava uma espécie de Ulisses alentejano. Mas as preocupações são aqui outras, a estética é outra e no fim fica mesmo o essencial: uma história que não agradará a todos, mas que levará no périplo geográfico e emocional quantos quiserem. E quantos souberem apreciar um texto que se devora da primeira à última página com a mesma sofreguidão, idem. Porque aqui não há balelas, há verdade, uma escrita muito bela e um saber-fazer digno de mestre.
Profile Image for Ana.
230 reviews93 followers
April 5, 2019
O Senhor Ventura é uma novela que foi publicada pela primeira vez em 1943 e que foi, durante algum tempo, desprezada pelo autor, por a considerar uma obra muito pouco conseguida (eu própria não sou grande entusiasta de novelas, que usualmente me soam a esboço de alguma coisa pouco amadurecida). Por motivos que autor explica no Prefácio, quarenta anos mais tarde decide reconciliar-se com a obra, não sem antes lhe dar alguns retoques:

Escrito de uma assentada há mais de quarenta anos, na idade em que os atrevimentos são argumentos, nele deixei a nu toda a fantasia descabelada e toda a canhestrez expressiva que se tem impunemente na juventude. Mas tão embaraçado fiquei, quando na maturidade o reli, que fiz os possíveis por esquecê-lo e por que fosse esquecido. Hoje, porém, nesta vertente da vida em que se olham com lucidez e benevolência os verdores da mocidade, resolvi recuperá-lo. Pacientemente, limpei-o das principais impurezas, dei um jeito aos comportamentos mais desacertados, tentei, enfim, torná-lo legível. Por ele e por mim. Por ele, porque, apesar de tudo, conta uma história portuguesmente verosímil, dado que somos os andarilhos do mundo, capazes em todo o lado do melhor e do pior; por mim, porque nenhum autor gosta de deixar no espólio criações repudiadas.

E destas palavras se extrai um pouco do que esta novela nos conta. O Senhor Ventura, camponês e pastor analfabeto, nascido numa remota aldeia alentejana*, inicia a sua vida aventureira aos vinte anos quando vai para Lisboa cumprir o serviço militar:
... quer a apascentar ovelhas ou a lavrar a terra, as léguas largas e quentes da charneca tinham-lhe entrado no sangue. [...] Os vinte anos ali vividos eram muito, mas não eram tudo. Certas células do corpo pediam-lhe mais. E, passado o momento de fraqueza, o Senhor Ventura, ao mesmo tempo que tinha pena de não ficar, sentia pressa de partir.

E partiu. Primeiro para Lisboa e depois numa viagem que o levou até terras do Oriente. Homem das sete partidas e dos sete ofícios (sejam eles lícitos ou nem por isso), simultaneamente prático e sonhador, o Senhor Ventura, encarna o espírito migrante, aventureiro, desenrascado e nostálgico, tão tipicamente português (em alguns momentos lembrei-me de Fernão Mendes Pinto, cuja Peregrinação li no Verão passado).
Uma história com momentos divertidos e outros menos ditosos, pois toda a Portugalidade que se preze tem de ter um bocadinho de "fado". E, não obstante os “verdores da mocidade” Miguel Torga era, já na altura, senhor de uma prosa muito bonita.
Uma leitura leve mas bastante agradável e na qual certamente reconhecemos um pouco daquilo que (ainda) é alguma da essência do nosso povo.

-----
* A aldeia mencionada no livro é Penedono (sendo o Senhor Ventura muitas vezes referido como “o de Penedono”), mas o único Penedono que eu conheço fica na região do Douro. Procurei na internet e não encontrei nenhuma referência a qualquer Penedono no Alentejo. Não é que seja relevante, mas não entendi bem esta opção. Alguém conhece um Penedono no Alentejo?
Profile Image for Marta Clemente.
756 reviews20 followers
August 20, 2023
Gostei de conhecer o Senhor Ventura! Neste pequeno livro (só tem 160 páginas de letra grande), Miguel Torga conta-nos a vida deste protagonista, desde a sua saída do Alentejo na sua mocidade até à sua morte, muitos anos depois. Nos entretantos Ventura conhece Lisboa, Macau, Pequim e várias outras cidades da China onde acaba por casar e ter um filho. A escrita de Miguel Torga é muito agradável. Já tinha saudades!
Profile Image for tiago..
465 reviews135 followers
March 9, 2020
Nesta espécie de Peregrinação do séc. XX, Miguel Torga desenha o tipo do aventureiro português, um carácter impetuoso e fervilhante que anseia a instabilidade, a descoberta e a adrenalina. É um enredo que se move rápido mas é cativante, uma escrita simples mas de qualidade. Uma espiral delirante de aventuras que acaba por sugar o leitor até à última página. É o primeiro livro que leio de Miguel Torga mas não será, certamente, o último.
Profile Image for Manuel Pinto.
149 reviews7 followers
December 7, 2025
São 4,5 estrelas, provavelmente merecia as 5.

Trágico no destino, ambicioso na história e nos seus protagonistas. Fácil de ler e devorar

“Como logo no princípio expliquei, toda a história do meu herói é-me conhecida já, e eu conto-a a mim próprio nas horas de melancolia. Em cada paragem não faço mais do que tentar uma pequena meditação sobre um destino que é mais colectivo do que individual. Ago-ra, desembarcado nesta urbana Europa, e a caminho de casa, que é o senhor Ventura senão o efeito irremediável dum tropismo que nos anda no sangue e nos chama em qualquer parte do mundo a este pobre redil lírico e des-confortável, ao mesmo tempo tão absurdo e tão huma-no?
Ah, eu acredito que esta fidelidade inconsciente ao granito, ao luar e à urgueira, encerra uma grande lição de vitalidade e de singularidade. Vejo nela uma prova do nosso destino nacional e universal. Mandado pelo governo chinês, ou pela sorte, ou até por um acaso onde não haja nem a hipótese duma razão, o alentejano, que foi do mundo inteiro, é outra vez daqui. A misteriosa e peregrina verdade é esta.”
Profile Image for João Baptista.
33 reviews
January 2, 2023
Mais um livro deste magnifico escritor que me consegue colocar dentro do personagem e a viver cada um dos momentos da história que nos é narrada de uma maneira simples e que nos "prende" do principio ao fim
Profile Image for Artur Coelho.
2,603 reviews74 followers
May 8, 2021
Quase me atrevo a dizer que Miguel Torga escreveu o que para a sua obra seria um anacronismo, uma novela de aventuras. Ou, a bem dizer, de desventuras, que a vida do Senhor Ventura foi rica em animação, farta em desaires, e culminada em desilusões. Uma história picaresca de astúcia e emigração, bem como regresso às raízes, porque apesar de andarmos a construir vidas nas sete partidas do mundo, é a aldeia onde nascemos que nos chama ao coração.

Tudo começa quando um jovem analfabeto deixa a sua aldeia nas penedias e herdades do alto alentejo para se vir tornar militar em Lisboa. Depressa se torna notório pela sua capacidade para expedientes de lucro fácil e sensibilidade para se meter em apuros, e é despachado num regimento para Macau. Onde a vida de quartel lhe parece tão sensaborona, com um amor pela filha do comandante à mistura, que se faz à estrada como desertor. O resto são aventuras dignas de um romance de aventura, entre restaurantes portugueses em Pequim que são encerrados depois da embaixada americana protestar contra o facto de grupos de marinheiros americanos desordeiros serem impecavelmente surrados por dois portugueses, a negociatas que levam o indomitável senhor Ventura e um amigo aos desertos da Mongólia, onde se tornarão, porque não, traficantes de armas a vender aos dois lados de uma rebelião anti-governamental. Todas as suas empresas são bem sucedidas para acabar mal, e em mais um regresso a Pequim encontra a mulher por quem se irá apaixonar, uma russa dissoluta que lhe trará a ruína moral e um filho.

Os seus sucessos mais ou menos legais encontram um travão quando o governo chinês se desagrada com o seu mais ambicioso empreendimento, uma fábrica de heroína. Forçado ao regresso à pátria, deixando mulher, filho e fortuna numa China a que espera regressar mal a memória das suas façanhas se desvaneça, volta à sua aldeia natal e mete-se num projeto quase infrutífero de cultivar terras ao abandono. Aí descobre que, apesar das suas aventuras e inquietude, tem no fundo alma de camponês, nunca deixou de o ser. Quando o filho lhe é entregue quase como de encomenda, percebe que a esposa o traiu, lhe está a desbaratar a fortuna asiática, e decide regressar à China para a reencontrar. Consegue-o, agora arruinado e a morrer de cancro. Será sepultado nas terras longínquas, mas o ponto final das aventuras e desventuras do Senhor Ventura dá-se com o seu filho, expulso do colégio por falta de pagamento de propinas por esvaimento da fortuna do pai, e que, ainda menino, irá para a aldeia tornar-se pastor, tal como o seu pai o era quando era menino.

Um círculo de ironia que encerra esta história algo atípica para Torga. Lendo o prefácio do próprio autor, percebe-se que foi uma obra inicial, de que Torga se envergonhou durante bastante tempo. Percebe-se o porquê, esta não é uma história da poesia rude da vida dura nos campos e serranias, é uma história muito linear de sabores e dissabores. Lê-se um estilo literário ainda em formação, uma narrativa contada de forma muito liminar. Outro tipo de autor teria detalhado os pormenores das aventuras de Ventura, que Torga apenas alude, e aí sim, teríamos um romance de pura aventura. O final do livro, com o seu regresso ao Alentejo, já nos mostra o tipo de escritor que Torga se iria tornar (ou talvez, uma vez que o autor reviu o que escreveu antes de editar, seja a voz madura a melhorar o entusiasmo juvenil). Um livro surpreendente, leve, divertido, algo inesperado face ao autor, irónico, mas também a mostrar que não há fuga possível às nossas raízes, por muito mundo que as sete partidas nos preguem.
Profile Image for Paula M..
119 reviews53 followers
April 11, 2017
Uma história mirabolante, que se lê de uma só vez, de tão depressa que avança a narrativa.
O senhor Ventura, um alentejano "entroncado e maciço" , com uma " carcaça de ferro" chega a Macau como soldado, e a partir desse território inicia outras viagens e aventuras " desenrascando - se" à custa de vários negócios & negociatas. " O seu temperamento impetuoso" não lhe permitia "uma lassidão melancólica e prolongada em parte nenhuma."
Na terceira parte da narrativa, já com o regresso do filho pródigo " à palha puída da casota", as referências aos trabalhadores, as descrições do ambiente da lida do campo, das cores da terra e da aldeia fizeram- me lembrar alguns trechos de Saramago. Pena que neste livro tudo seja contado " tão a correr".

" O mundo! Que bonito que ele é!"
E as palavras batiam-lhe nos ouvidos como ondas pesadas e frescas numa praia sedenta.
-O mundo!
E também era mundo, afinal, o chão seco e ondulado do seu Alentejo! Também de sobreiros e azinheiras e trigo vivo , a despontar, saía o mesmo abraço infinito!"

" A vista de Penedono, que surgiu ao longe, restituiu-lhe de repente o animo perdido. A brancura da povoação , acarinhada pelo débil sol da tarde que caía, se não era uma imagem de triunfo, dava-lhe pelo menos o testemunho duma longa e nunca desmentida coragem de lutar."
Profile Image for David Alves.
5 reviews
August 9, 2020
“A história do filho pródigo nunca me deixou sereno. Quando em pequeno lia essa trágica novela do primeiro revoltado contra a palha puída da casota onde a vida nos mete, e onde medram, gordas, as pulgas domésticas, comovia-me sempre. Já nesse tempo eu era capaz de ver o que haver legítimo em cada partida e de fatal em cada regresso (...) Depois, fui mudando de ideias. Comecei a achar graça aos próprios parasitas do ninho, e, sem de nenhum modo pensar que é um alto destino ser mordido por eles, aceitei sem relutância que o rapaz da Bíblia tornasse, arrependido, à casa paterna.”
Profile Image for Patricia.
49 reviews19 followers
January 6, 2024
As histórias do Miguel Torga tendem a ser tristes, mas esta foi especialmente cruel 😢
Profile Image for Patricia Posse.
252 reviews2 followers
November 8, 2016
Uma história de vida, onde se sublinha a dureza do carácter, a vontade de alargar horizontes, a capacidade de (des)acreditar no amor, o apego às raízes.
Profile Image for George K..
2,761 reviews374 followers
February 14, 2024
Απόκτημα από το φετινό Παζάρι Βιβλίου έναντι τεσσάρων ευρώ, ήταν ένα βιβλίο που το είχα σταμπάρει όταν πρωτοκυκλοφόρησε στα ελληνικά αλλά μετά το ξέχασα (ίσως το είχα βρει και λιγάκι ακριβό για το μέγεθός του, δεν ξέρω), όμως το πέτυχα στο παζάρι και το άρπαξα. Λοιπόν, ωραίο ήταν, μου άρεσε ο τρόπος εξιστόρησης, σαν κάποιος να αφηγείται σε κάποιον άλλο τη ζωή και τις περιπέτειες ενός γνωστού του, που στην περίπτωσή μας είναι ο Σενιόρ Βεντούρα, ένας Πορτογάλος Δον Κιχώτης (τρόπον τινά), ο οποίος εγκαταλείπει τη γενέθλια γη του για να περιπλανηθεί στα πέρατα της πορτογαλικής αυτοκρατορίας και πέρα από αυτή, προσπαθώντας να αλλάξει τη ζωή του. Αγρότης, στρατιώτης, λαθρέμπορος, ναύτης, ένας κανονικός τυχοδιώκτης με τον κίνδυνο να είναι στο αίμα του... Σαν ιστορία είναι αρκετά γενική και αφαιρετική, δηλαδή τα γεγονότα περνάνε γρήγορα από μπροστά μας, δεν υπάρχει ο χώρος για μεγαλύτερη εκβάθυνση σε πλοκή και χαρακτήρες, μιας και όπως και να το κάνουμε το να περιγράψει κανείς με λεπτομέρεια όλες αυτές τις περιπέτειες θα χρειάζονταν εκατοντάδες σελίδες, πάντως δηλώνω ικανοποιημένος, ο συγγραφέας με κράτησε από την αρχή μέχρι το τέλος, με ταξίδεψε κιόλας λιγάκι, οπότε όλα καλά. Για μια γρήγορη, ξεκούραστη και αρκετά ψυχαγωγική ανάγνωση, τούτο βιβλίο είναι ό,τι πρέπει. (7.5/10)
Profile Image for Filipa Vieira.
20 reviews13 followers
Read
January 9, 2022
“A história do filho pródigo nunca me deixou sereno. Quando em pequeno lia essa trágica novela do primeiro revoltado contra a palha puída da casota onde a vida nos mete, e onde medram, gordas, as pulgas domésticas, comovia-me sempre. Já nesse tempo eu era capaz de ver o que há de legítimo em cada partida e de fatal em cada regresso. Com os anos, a rebeldia do primeiro capítulo e a alegria do último perderam muito da sua magia. Até que era bom não amar e não ser amado eu aprendi! E aquele jovem insubmisso a guardar porcos em casa alheia passou a ser a meus olhos um símbolo invejável e promissor da fecunda solidão. Depois, fui mudando de ideias. Comecei a achar graça aos próprios parasitas do ninho, e, sem de nenhum modo pensar que é um alto destino ser mordido por eles, aceitei sem relutância que o rapaz da Bíblia tornasse, arrependido, à casa paterna”.
Profile Image for Joel.
111 reviews3 followers
December 31, 2018
"A mulher, no Alentejo, é de facto metade do homem."
Diz-nos Miguel Torga, sobre este livro/novela: "[...] fiz os possíveis por esquecê-lo e por que fosse esquecido. Hoje, porém, nesta vertente da vida em que se olham com lucidez e benevolência os verdores da mocidade, resolvi recuperá-lo."
Característica intrínseca do formato novela, os acontecimentos são narrados de forma sumária, mas Miguel Torga aprimora cada frase, cada parágrafo com uma mestria e domínio da língua portuguesa tão sublimes que é impossível não sentir um misto de pasmo e inveja enquanto se lê.
Profile Image for Helena E Santo.
112 reviews
October 28, 2019
Ler este livro da juventude de Torga (se bem que ele lhe tenha dado um jeito quando, tardiamente, decidiu publicá-lo) foi uma surpresa e uma satisfação. O senhor Ventura é uma aventura mas depois, tudo se desenvolve de modo a que o ciclo da sua vida se reinicie no filho. Gostei particularmente da linguagem depurada, do ritmo da narrativa e das imagens que vai sugerindo ao leitor, o que me permitiu imaginar os lugares, as personagens, as situações. Li-o de rajada porque apetece saber ao espertalhaço do senhor Ventura.
Profile Image for Joaquim Margarido.
299 reviews39 followers
May 16, 2021
Obra da juventude do enorme prosador e poeta que foi Miguel Torga, “O Senhor Ventura” terá sido escrito de uma assentada, “na idade em que os atrevimentos são argumentos”. Regressando a ele quarenta anos mais tarde, o autor decidiu recuperá-lo, limpando-o das principais impurezas, dando um jeito aos comportamentos mais desacertados e procurando, enfim, torná-lo mais legível. Não quis votar ao esquecimento aquilo que considera “uma história portuguesmente verosímil, dado que somos andarilhos do mundo, capazes em todo o lado do melhor e do pior”. E aqui temos a obra de novo trazida a lume. Felizmente.

Em busca de paralelismos, acorre-me de imediato à ideia a “Peregrinação”, de Fernão Mendes Pinto, essa obra maior da nossa literatura. Mas se a gesta dos Descobrimentos parece fonte de inspiração óbvia para o autor, o facto de ter emigrado para o Brasil com a idade de 13 anos e de ter trabalhado durante cinco anos na fazenda de um tio, no Estado de Minas Gerais, terá sido determinante na feitura da obra. Creio poder encontrar-se aí a base deste “O Senhor Ventura”, a história de um homem que deixa o seu Alentejo natal para abraçar mil e uma aventuras por terras do Oriente, antes de nova passagem por Portugal e do regresso definitivo à China onde viria a morrer.

No confronto directo com obras como “Os Bichos”, “Contos da Montanha”, “Novos Contos da Montanha” ou os seis volumes de “A Criação do Mundo”, “O Senhor Ventura” sai claramente a perder. Apesar dos “retoques”, nele é perceptível a urgência de contar uma história, mais do que a ambição de primar por uma boa história. Não que esta seja uma má história, longe disso. Nela abundam momentos de acção bem urdidos, lutas sanguinárias entre bons e maus, mistério e sedução, as grandes paisagens e, claro, o vermelho das paixões. Lida à distância, nela encontramos novos ciclos da velha História, o boom da emigração para França ou a aventura colonialista à cabeça. Falta-lhe, porém, uma ligação forte e consistente entre o todo, algo que torne a história convincente. Não sendo pouco, resumido a um mero momento de diversão “O Senhor Ventura” sabe a pouco.
851 reviews
February 27, 2019
O Senhor Ventura é um conto conciso, em que as palavras não são nem a mais nem a menos.E o valente e soberbo sr.Ventura, por ironia do destino que sempre procurou afrontar, morre sem nada do que procurou. A mulher, Tatiana, que procurou viver a sua vida como um homem o faria, deu-lhe no final compaixão, e o filho, esse, terminou como o pai começou, pastor em Penedono.
Profile Image for Paulo Teixeira.
917 reviews14 followers
February 28, 2022
(PT) Venturam um jovem pastor de Penedono, sai da sua terra para ir a Lisboa, fazer a tropa. Contudo, ele descobriu que a terra ia para além dos campos do Alentejo, e ficou com fome de aventura. Com o tempo, foi o que aconteceu quando o seu regimento foi para o Oriente e ele se encantou com aquelas paragens...
38 reviews
February 2, 2021
Gostei muito da forma simples como é relatada a vida épica deste alentejano por terras do Oriente, reconheço muitos dos sentimentos que o protagonista manifesta no seu regresso à terra natal, na empreitada a que se devota. Apenas fiquei um pouco desiludida com o desenlace.
181 reviews2 followers
February 3, 2024
Miguel Torga é sempre magistral, mesmo nesta novela com os ímpetos da sua própria juventude como explica no prefácio. Enquanto emigrante tenho um fraco por estórias de emigrantes, se bem que neste caso é mais desterro que emigração. Adorei, li de uma penada só.
26 reviews
July 29, 2024
Uma verdadeira aventura do senhor Ventura. Ser inquieto, sempre à procura de algo que preenchesse a sua vida. Quando decide pousar e constituir família, vive o maior drama da sua vida. Acumula muito dinheiro, mas acaba como um desgraçado.
Profile Image for CARLOS NEVES.
121 reviews1 follower
July 24, 2018
O Sr. Ventura que sai do Alentejo e viaja para a China, representa bem o espírito aventureiro do português. Miguel Torga no seu melhor.
Profile Image for ale.
19 reviews
August 15, 2018
Un poco confusa la traducción. El contenido de la historia es bonito,
Displaying 1 - 30 of 48 reviews

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