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Poesias de Álvaro Campos

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Em 8 de março de 1914, aos 25 anos de idade, o poeta português Fernando Pessoa teve um insight e, naquilo que ele chamaria mais tarde de 'dia triunfal', criou seus três principais heterônimos; Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Deu-lhes, além do nome, uma biografia, um biotipo e, sobretudo, uma obra e um estilo poético únicos. Trata-se do único caso de heteronímia de toda história da literatura universal. Álvaro de Campos era, segundo Pessoa, 'o mais histericamente histérico de mim'; era engenheiro, usava monóculo, e o poeta escrevia sob o seu nome quando sentia um súbito impulso de escrever não sei o quê. Campos é o heterônimo da modernidade, da euforia, da irreverência total a tudo e a todos, cultuador da liberdade, sedento por experimentar todas as sensações a um só tempo e profundamente influenciado por Walt Whitman. De sua lavra são os célebres versos de 'Opiário', 'Ode trinfual', 'Lisbon revisited' e 'Tabacaria' - este último considerado dos mais belos poemas da língua portuguesa.

340 pages, Paperback

Published July 1, 1978

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About the author

Fernando Pessoa

1,252 books6,369 followers
Fernando António Nogueira Pessoa was a poet and writer.

It is sometimes said that the four greatest Portuguese poets of modern times are Fernando Pessoa. The statement is possible since Pessoa, whose name means ‘person’ in Portuguese, had three alter egos who wrote in styles completely different from his own. In fact Pessoa wrote under dozens of names, but Alberto Caeiro, Ricardo Reis and Álvaro de Campos were – their creator claimed – full-fledged individuals who wrote things that he himself would never or could never write. He dubbed them ‘heteronyms’ rather than pseudonyms, since they were not false names but “other names”, belonging to distinct literary personalities. Not only were their styles different; they thought differently, they had different religious and political views, different aesthetic sensibilities, different social temperaments. And each produced a large body of poetry. Álvaro de Campos and Ricardo Reis also signed dozens of pages of prose.

The critic Harold Bloom referred to him in the book The Western Canon as the most representative poet of the twentieth century, along with Pablo Neruda.

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Displaying 1 - 8 of 8 reviews
Profile Image for Luís.
2,384 reviews1,377 followers
June 26, 2025
The poetry of Álvaro de Campos, one of Fernando Pessoa's heteronyms, comprises his complete body of work. The obsession with death pervades the poet's work in several poems, revealing the artist's anguish in the face of life. The question of personality and individuality is also a recurring theme in this work: Who am I? Who am I? Who is the poet? What differentiates me from what I am not? The diversity of personalities in individuality indicates the reasons for using pseudonyms. Man and machine meet in Álvaro de Campos's imagination, showing the poetry of modernity and technology. Among the poems in this book is nothing less than "Salutation to Walt Whitman," one of the book's highlights. The author celebrates his predecessor's greatness in a genuine profession of faith in poetry that transcends the individual and the temporality. The anxieties, anxieties, and frustrations of contemporary man are reflected in the gears of the engineer Álvaro de Campos's poetry. Pessoa is universally current and timeless.
Profile Image for Teresa.
1,492 reviews
June 27, 2017
1. Preliminar
Esta opinião é extensa e escrevia-a de “veias abertas”. Sugiro que não desperdicem tempo, que é precioso, a lê-la e utilizem-no com Álvaro de Campos…
Para os que insistirem, fica a advertência: é muito difícil ser eu… e aturar-me não é para todos…

2. António Lobo Antunes, Walt Whitman e Fernando Pessoa
Numa entrevista, em que desdenhou de Pessoa, Lobo Antunes disse que a poesia de Álvaro de Campos era uma cópia da de Withman. Depois de ler Álvaro de Campos, li Whitman pela terceira vez. Nas Odes (“Triunfal” e “Marítima”) nota-se alguma influência da poesia de Whitman; mas influência é inspiração, não cópia ou plágio. Como homenagem ou, quem sabe, agradecimento, há um poema de Álvaro de Campos, no qual se pode encontrar as tais semelhanças, mas não em toda a obra.

“Não quero fechos nas portas!
Não quero fechaduras nos cofres!”

- Álvaro de Campos , “Saudação a Walt Whitman”

“Retirai as fechaduras das portas!
Retirai as próprias portas dos seus umbrais!"

- Walt Whitman , “Canto de Mim Mesmo”

Na minha orgulhosa ignorância e ousadia de mulher idosa, fiquei a pensar se Lobo Antunes leu (de ler) a obra de Fernando Pessoa… Eu gosto muito do senhor ALA; de ver e ler as suas entrevistas e de alguns dos seus romances, mas quando diz estes disparates “descai-me totalmente para a mama direita”
(Ser escritor é uma arte ou um dom; ser leitor é uma paixão ou uma benção. E nem sempre ambos se conjugam na mesma pessoa. Escrever exige inspiração, imaginação e conhecimento mas, nem sempre sabedoria, para interpretar, associar e compreender. E respeitar o Outro…)

3. Fernando Pessoa e Álvaro de Campos
Álvaro de Campos é o segundo heterónimo criado por Fernando Pessoa, depois de Alexander Search.
Nasceu em Tavira em Outubro de 1890. Estudou na Escócia engenharia mecânica e naval.
Fisicamente, é um homem vulgar, de cabelo liso e usa monóculo.
Numa viagem ao Oriente escreveu “Opiário”, poema inserido na primeira fase da escrita de Campos - a Decandentista. Segue-se a fase Futurista/Sensacionista (das odes) e por ultimo a Intimista/Pessimista, que inclui “Tabacaria”, considerado um dos mais belos poemas do mundo
“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”


4. Álvaro de Campos e eu
Tenho esta edição há mais de trinta anos. Li-o naquela altura mas o “estrago”, quer no meu coração (e cabeça), quer no livro foi nulo; lembrava-me de que
“Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.”

e de pouco mais. Nesta releitura ficaram ambos (livro e coração) totalmente despedaçados…
Na altura, embora já leitora compulsiva, era jovem, e a vida “lá fora” gritava por mim. Hoje, mais velha, mais serena, a poesia de Campos caiu sobre mim como chuva num campo ressequido. Talvez, não sei, seja necessário algum amor pela tristeza e pela solidão e algum desencanto ou desilusão pela vida (presentes oferecidos pela idade), para sentir a poesia de Álvaro de Campos – ou a de muitos outros.

5. Eu a ler Álvaro de Campos
Não achei os poemas de difícil entendimento; alguma distração que acontecesse, num ou noutro poema, havia sempre um verso que me despertava e me levava a recomeçar e a caminhar, serena e prazerosamente, até ao final. Mas nas Odes isto não aconteceu devido à sua extensão. A “Triunfal” ainda levei a bom porto à terceira tentativa, mas pela “Marítima” passei, pelas quarenta e quatro páginas, como “cão por vinha vindimada”. Cheguei ao fim do livro um pouco frustrada. E eis que tive uma inspiração: voltei à "Ode Marítima", coloquei uma musica de fundo (Os Nocturnos de Chopin), e li-a em voz alta.
“E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente,”
Foi das experiências de leitura mais extraordinárias que já vivi, como revelaram a minha voz e os meus olhos que muitas vezes me traíram de emoção. Ouvir as palavras de Fernando Pessoa é muito mais emocionante do que vê-las; a musicalidade das repetições, as frases, os gritos, … tudo é um delírio.
“E o giro lento do guindaste que, como um compasso que gira,
Traça um semicírculo de não sei que emoção
No silêncio comovido da minh'alma...”


6. Pedaços
Não resisto a dispersar por aqui versos que “recortei” de alguns poemas.

“Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta."
“Caí pela escada abaixo subitamente,
E até o som de cair era a gargalhada da queda.
Cada degrau era a testemunha importuna e dura
Do ridículo que fiz de mim”

“Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.”
“A vida...
Branco ou tinto, é o mesmo: é para vomitar.”

“Todo o universo é uma cela, e o estar preso não tem que ver com o tamanho da cela."
“Partir!
Nunca voltarei.
Nunca voltarei porque nunca se volta.
O lugar a que se volta é sempre outro,
A gare a que se volta é outra.
Já não está a mesma gente, nem a mesma luz, nem a mesma filosofia."

“Sossega, coração inútil, sossega!
Sossega, porque nada há que esperar,
E por isso nada que desesperar também...”


7. Final
Não pretendo finar-me sem ler os outros heterónimos mais conhecidos: Alexander Search, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Tenho-os aqui, numas edições novas e lindas que rogam para serem destroçadas pelas minhas mãos e, quiçá, pelas minhas lágrimas. “O Livro do Desassossego” inquietou-me muitas vezes, noutras deixou-me indiferente. Na Literatura (com L dos maiores) necessito de desassossego permanente e isso Álvaro de Campos, ao contrário de Bernardo Soares, nunca me o negou…

8. Último
O meu poema preferido (talvez…):

“Grandes são os desertos e tudo é deserto,
Salvo erro, naturalmente.
Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!
Mais vale arrumar a mala.
Fim.“


(quem sobreviveu até este ponto e queira ler todo o deserto, só tem de ir aqui:
http://te-pro.tumblr.com/post/1623122... )
Profile Image for Raquel.
394 reviews
November 16, 2019
"Na noite terrível, substância natural de todas as noites,

Na noite de insónia, substância natural de todas as minhas noites, Relembro, velando em modorra incómoda,

Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida.

Relembro, e uma angústia

Espalha-se por mim todo como um frio do corpo ou um medo.

O irreparável do meu passado — esse é que é o cadáver!

Todos os outros cadáveres pode ser que sejam ilusão.

Todos os mortos pode ser que sejam vivos noutra parte.

Todos os meus próprios momentos passados pode ser que existam algures,

Na ilusão do espaço e do tempo,

Na falsidade do decorrer.

Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei;

O que só agora vejo que deveria ter feito,

O que só agora claramente vejo que deveria ter sido —

Isso é que é morto para além de todos os Deuses,

Isso — e foi afinal o melhor de mim — é que nem os Deuses fazem viver...

Se em certa altura

Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita;

Se em certo momento

Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;

Se em certa conversa

Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro —

Se tudo isso tivesse sido assim,

Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro

Seria insensivelmente levado a ser outro também.

Mas não virei para o lado irreparavelmente perdido,

Não virei nem pensei em virar, e só agora o percebo;

Mas não disse não ou não disse sim, e só agora vejo o que não disse;

Mas as frases que faltou dizer nesse momento surgem-me todas,

Claras, inevitáveis, naturais,

A conversa fechada concludentemente,

A matéria toda resolvida...

Mas só agora o que nunca foi, nem será para trás, me dói.

O que falhei deveras não tem esperança nenhuma

Em sistema metafísico nenhum.

Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei.

Mas poderei eu levar para outro mundo o que me esqueci de sonhar?

Esses sim, os sonhos por haver, é que são o cadáver.

Enterro-o no meu coração para sempre, para todo o tempo, para todos os universos.

Nesta noite em que não durmo, e o sossego me cerca

Como uma verdade de que não partilho,

E lá fora o luar, como a esperança que não tenho, é invisível p’ra mim." | Álvaro de Campos

*

Para mim será sempre o melhor heterónimo de Pessoa. Feito de nostalgia e maturidade. O coração não fica indiferente. Lindo ❤
Profile Image for Carlos Teixeira Luís .
93 reviews1 follower
September 8, 2025
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo (...)"
Profile Image for Helena Isabel Bracieira.
119 reviews61 followers
April 6, 2009
Antes de ler este livro com poemas de Álvaro de Campos, pouco ou nada sabia sobre ele. Pesquisei apenas sobre Fernando Pessoa, para conhecer a sua vida e obra, mas preferi não procurar pelo seu heterónimo, resolvendo descobrir pela minha leitura, quem era esta personagem.

Ao terminar, digo que encontrei um homem que vive numa ânsia profunda por ser como é e de não poder recomeçar do zero. Algumas vezes compreendi o que me dizia, outras vezes não, mas esta poesia deprimente, enche-me, ironicamente, de esperança para não voltar a ser como ele, como um dia já fui.

Encontrei um poema (“Apontamento”), que me deixou agradavelmente surpreendida, pois uma cantora que aprecio (Margarida Pinto) musicou-o e não tinha conhecimento que pertencia a Álvaro de Campos. Deste modo compreendi como até aos dias de hoje, Fernando Pessoa continua influenciar-nos com toda a sua obra.

Tanto haveria para dizer de cada poema, cada um é um mundo por descobrir, mas infelizmente as palavras não me saem com a sabedoria de Álvaro.

Creio que com o passar dos anos, ao descobrir e compreender mais de Fernando Pessoa, poderei tirar melhores conclusões sobre o autor e todos os seus heterónimos.
Displaying 1 - 8 of 8 reviews

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