MANUEL ALEGRE nasceu a 12 de Maio de 1936 em Águeda. Fez os estudos secundários no Porto, altura em que fundou, com José Augusto Seabra, o jornal Prelúdio. Do Liceu Alexandre Herculano, do Porto, passou a Coimbra, em cuja Universidade foi estudante de Direito, de par com uma grande actividade nas áreas da política, da cultura e do desporto. Destacado elemento dos movimentos estudantis, fez parte da Comissão da Academia que apoiou a candidatura de Humberto Delgado a presidente da República; foi um dos fundadores do Centro de Iniciação Teatral da Universidade de Coimbra (CITAC) e membro do Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC), foi ainda director do jornal A Briosa, redactor da revista Vértice e colaborador da Via Latina; praticante de natação, representou a Académica em provas internacionais.
Em 1962, foi mobilizado para Angola, tendo aí participado numa tentativa de revolta militar, pelo que esteve preso no forte de São Paulo de Luanda, cárcere onde conheceu Luandino Vieira, António Jacinto e António Cardoso. Libertado da cadeia angolana, foi desmobilizado e enviado para Coimbra em regime de residência fixa. Em 1964, exilou-se para Argel, onde viveu dez anos. Ali seria dirigente da Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN), presidida por Humberto Delgado, e principal responsável e locutor da emissora de combate à ditadura de Salazar, A Voz da Liberdade. Após o 25 de Abril, regressou a Portugal, passando a dedicar-se à política no seio do Partido Socialista de que é membro da Comissão Política. Foi Secretário de Estado da Comunicação Social e Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro para os Assuntos Políticos do I Governo Constitucional (1976-1978), deputado à Assembleia da República (1976-2009) e membro do Conselho de Estado, do Conselho das Ordens Nacionais e do Conselho Social da Universidade de Coimbra. Em 2006 foi candidato à Presidência da República, obtendo 20,7% dos votos, tendo-se recandidato em 2011, onde obteve 19,7% dos votos.
Foi o primeiro português a receber o diploma de membro honorário do Conselho da Europa. Entre outras condecorações, recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (Portugal), a Comenda da Ordem de Isabel a Católica (Espanha) e a Medalha de Mérito do Conselho da Europa.
Como poeta, começa a destacar-se nas colectâneas Poemas Livres (1963-1965), publicadas em Coimbra de par com o «Cancioneiro Vértice». Mas o grande reconhecimento dos leitores e da crítica nasce com os seus dois volumes de poemas, Praça da Canção (1965) e O Canto e as Armas (1967), logo apreendidos pelas autoridades, mas com grande circulação nos meios intelectuais. Começando por tomar por base temática a resistência ao regime, o exílio, a guerra de África, logo a poesia de Manuel Alegre evoluiria num registo épico e lírico que bebe muito em Camões e numa escrita rítmica e melódica que pede ser recitada ou musicada. Daí ser tido como o poeta português mais musicado e cantado, e não só em Portugal, mas também, por exemplo, na Galiza (Grupo «Fuxan Os Ventos») e na Inglaterra (Tony Haynes, BBC). Daí Urbano Tavares Rodrigues: «Os dois grandes veios que alimentam a poesia de Manuel Alegre, o épico e o lírico, confluem numa irreprimível vocação órfica que dele faz o mais musical (e o mais cantável) dos poetas portugueses contemporâneos.»
Estreando-se na ficção com Jornada de África, em 1989, Manuel Alegre não deixa de arrastar para a prosa e pela prosa a sua vocação fundamental de poeta. «A poesia é a sua pátria», lembra Marie Claire Wromans, e confirma-o a prosa de A Terceira Rosa.
Para além das revistas e jornais já citados, Manuel Alegre tem colaboração dispersa por muitos outros jornais e revistas culturais, de que destacamos: A Poesia Útil (Coimbra, 1962), Seara Nova, o suplemento do Diário Popular «Letras e Artes», Cadernos de Literatura (Coimbra, 1978-), Jornal de Poetas e Trovadores (Lisboa, 1980-) e JL:
O Livro do Português Errante, em termos de uso poético da linguagem, deixou-me uma impressão de tentativas forçadas de criar ritmo. A Terceira Rosa, apesar das rimas em várias ocasiões e de um registo linguístico apropriado e interessante, o facto de que o autor parece não se conseguir afastar da política, de figuras famosas, etc., faz com que a narrativa perca muita qualidade e se torne aborrecida, tendo em conta o potencial que tinha para ser uma história com princípio, meio e fim que se aguentaria por si só sem qualquer dificuldade, sem necessidade de bordões político-históricos, a um nível tão constante, pois o contexto histórico e, principalmente, histórico-social é importante em qualquer enredo, mas quando esse contexto ultrapassa o enredo, este último fica retido em segundo lugar e perde qualidade.
A primeira leitura de Manuel Alegre. Um livro leve com a dualidade poesia/prosa. Surpreendeu-me pelas palavras e frases românticas. Admito que gostei mais da poesia, mas é inegável a doçura em ambos.
A prosa de Manuel Alegre consegue ser mais poética que a sua própria poesia. “A terceira rosa” é dos mais belos livros sobre amor que já li. Emocionante.
Foi a primeira vez que li algo do Manuel Alegre. Esta edição, que inclui uma prosa do autor de um lado e no verso, alguma da sua poesia, serviu precisamente para ter algum vislumbre do seu trabalho. A primeira impressão é que é especialmente bom na poesia, já que a sua prosa, neste caso "A Terceira Rosa", transpira poesia em cada capítulo. A história porém, acaba por divagar em demasia, tornando-se por vezes algo desconexa, tendo dificuldades em alguns momentos em situá-la temporalmente. Embora repleta de referências clássicas, como "Romeu e Julieta", nota-se algum registo autobiográfico, embora não demasiado vincado. Já a poesia, é diversa e variada, com temáticas frequentes como o uso da língua portuguesa, a utilização de metáforas bíblicas ou de lugares comuns. Não fiquei particularmente fã, mas é razoavelmente interessante.
Adorei a escrita, tanto a prosa como a poesia. Penso que qualquer coisa que tenha poesia vá sempre arrancar 5 estrelas do meu lado. A prosa foi devastantemente bonita. E poesia eu adoro de qualquer maneira (até ver).
Nunca li nada de Manuel Alegre, mas estou particularmente interessado na sua poesia... A sua prosa parece-me ser demasiado divagadora, precisamente encaixa melhor na prosa! A ver vamos...