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Raiz de Orvalho e Outros Poemas / O Fio das Missangas

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Mia Couto habituou o leitor à sua escrita aglutinada, justaposta, criadora e inovadora, musical, intensa, profundamente meiga e crua, poética.
Dialoga com o leitor com a maior das intimidades, numa quase perfeita sintonia. Raiz de Orvalho e Outros Poemas é uma recolha de poemas com datas diversas, com um conjunto de novos poemas (todos da década de 80) e seleção de outros que faziam parte da edição moçambicana, publicada em Maputo, em 1983, com o título Raiz de Orvalho. Segundo o próprio autor, alguns não resistiram ao tempo, noutros ele próprio não se reconhece já. Mas todos estes versos fazem parte do seu percurso. E daqui ele partiu a desvendar outros terrenos. Terrenos que afortunadamente hoje podemos conhecer.

240 pages, Paperback

First published January 1, 1983

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About the author

Mia Couto

111 books1,394 followers
Journalist and a biologist, his works in Portuguese have been published in more than 22 countries and have been widely translated. Couto was born António Emílio Leite Couto.
He won the 2014 Neustadt International Prize for Literature and the 2013 Camões Prize for Literature, one of the most prestigious international awards honoring the work of Portuguese language writers (created in 1989 by Portugal and Brazil).

An international jury at the Zimbabwe International Book Fair called his first novel, Terra Sonâmbula (Sleepwalking Land), "one of the best 12 African books of the 20th century."

In April 2007, he became the first African author to win the prestigious Latin Union Award of Romanic Languages, which has been awarded annually in Italy since 1990.

Stylistically, his writing is heavily influenced by magical realism, a style popular in modern Latin American literature, and his use of language is inventive and reminiscent of Guimarães Rosa.

Português)
Filho de portugueses que emigraram para Moçambique nos meados do século XX, Mia nasceu e foi escolarizado na Beira. Com catorze anos de idade, teve alguns poemas publicados no jornal Notícias da Beira e três anos depois, em 1971, mudou-se para a cidade capital de Lourenço Marques (agora Maputo).
Iniciou os estudos universitários em medicina, mas abandonou esta área no princípio do terceiro ano, passando a exercer a profissão de jornalista depois do 25 de Abril de 1974. Trabalhou na Tribuna até à destruição das suas instalações em Setembro de 1975, por colonos que se opunham à independência. Foi nomeado diretor da Agência de Informação de Moçambique (AIM) e formou ligações de correspondentes entre as províncias moçambicanas durante o tempo da guerra de libertação. A seguir trabalhou como diretor da revista Tempo até 1981 e continuou a carreira no jornal Notícias até 1985.
Em 1983 publicou o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho, que inclui poemas contra a propaganda marxista militante. Dois anos depois demitiu-se da posição de diretor para continuar os estudos universitários na área de biologia.

Além de ser considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, é o escritor moçambicano mais traduzido. Em muitas das suas obras, Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana. Terra Sonâmbula, o seu primeiro romance, publicado em 1992, ganhou o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e foi considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbabué.

Na sua carreira, foi também acumulando distinções, como os prémios Vergílio Ferreira (1999, pelo conjunto da obra), Mário António/Fundação Gulbenkian (2001), União Latina de Literaturas Românicas (2007) ou Eduardo Lourenço (2012). Ganhou em 2013 o Prémio Camões, o mais importante prémio para autores de língua portuguesa.

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1 (<1%)
Displaying 1 - 9 of 9 reviews
Profile Image for tiago..
473 reviews133 followers
January 22, 2022
Raiz de Orvalho e Outros Poemas
3 estrelas
O prefácio deste Raiz de Orvalho é quase um pedido de desculpas do autor - pela falta de maturidade desta obra em que nem ele se reconhece. Mas ainda que conceda que está longe do trabalho que viria a fazer, vários dos versos que Mia Couto aqui publica deixaram-me de olho cheio.

O Fio das Missangas
3,5 estrelas
O Fio das Missangas é uma compilação de vários contos, que pecam sobretudo por serem excessivamente curtos. A maioria dos contos tem três a quatro páginas, o que impede (para mim, pelo menos) um envolvimento profundo com a história que está a ser contada. Não obstante, vários destes contos tem conceitos fortes, que fazem lembrar o génio de um Terra Sonâmbula . Vale a pena.
Profile Image for carpe librorum :).
757 reviews55 followers
Read
April 2, 2015
Mia Couto verdinho, gostei mais dos outros poemas que de raiz de orvalho, quase não o reconheci aí. Mas como sempre, muito bom de ler, um enorme prazer.

A edição desta capa faz parte da colecção frente e verso, poesia e prosa, contando também com os contos "O Fio das Missangas".
Profile Image for Gisela Adriano.
98 reviews1 follower
September 16, 2022
Não sou muito fã de contos, mas conhecendo alguma da obra de Mia Couto, não quis deixar de ler um dos seus primeiros escritos. É notável a evolução.
Profile Image for Rosa Ramôa.
1,570 reviews86 followers
July 4, 2015
"Carta

(digo dos que se ditam:
a minha defesa
são os vossos punhais)

Quando me disseram «não se vem à vida para sonhar» passei a odiar-vos. Para vos matar escolhi materiais inacessíveis ao meu ódio. Em mim fizestes despertar a irreparável urgência de ferir.

Descobri a vossa intenção: decepar as minhas raízes mais profundas, obrigar-me à cerimónia das palavras mortas. Preferi reiniciar-me: na solidão me apaguei. Estava só para me encher de gente, para me povoar de ternura. Eu queria simplesmente olhar de frente a verdade das pequenas coisas: esta água vem de onde, quem teceu este linho, que mãos fizeram este pão?

Desloquei-me para tudo ver de um outro lado: levei o meu olhar, o desejo de um princípio infinitamente retomado. Ganhei sonoridade nas vozes que me habitavam silenciosamente. Entre mar e terra eu preferia ser espuma, ter raiz e poente entre oceano e continente.

O tempo, por vezes, morria de o não semear. Terras que golpeava com ternura eram feridas que em mim se abriam para me curar. Eram terras suspeitas, acusadas de futuro. Outras vezes eram mãos de um corpo que ainda me não nascera. Surgiam da obscuridade para afastar a água e nela me deixar tombar. Tecido que escapava da mais bela das lavadeiras eu ia pelo rio, a corrente insuflando-me e eu deixando-me arrastar com fingida contrariedade".
Profile Image for Lari.
111 reviews13 followers
June 1, 2014
An easy read and a great writing style. It was my first time reading Mia Couto and I am sure it won't be my last.
13 reviews5 followers
July 6, 2016
"Não saberei nunca/ dizer adeus" a este livro, porque cada palavra fica como gravada no espelho onde nos escrevemos.
Displaying 1 - 9 of 9 reviews

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